Um ano depois, e sem indiciados, execução de Figueiredo pode estar perto de solução

Apreensão de arsenal supostamente usado por milícia pode ter relação com execuções em Campo Grande

Exatamente um ano atrás, Campo Grande presenciou cenas de filme com perseguição e a execução a tiros de fuzil, em plena luz do dia, do sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Ilson Martins Figueiredo. Ele foi fuzilado na Avenida Guaicurus com mais de 18 tiros e até hoje ninguém foi indiciado pelo crime de pistolagem.

Desde 11 de junho de 2018, no entanto, outros casos de pistolagem acabaram chamando a atenção das autoridades para a situação, e uma força-tarefa foi criada na tentativa de conter os pistoleiros.

Figueiredo foi assassinado com tiros do mesmo calibre de fuzil AK-47, modelo apreendido no dia 19 de maio deste ano em uma casa no bairro Monte Líbano. O guarda municipal Marcelo Rios, que está preso desde o dia 20, foi indiciado pelo porte ilegal do verdadeiro arsenal, e agora a polícia investiga se as armas eram usadas por verdadeira milícia formada por ex-policiais civis, militares e guardas municipais.

Outras pessoas chegaram a ser detidas durante as investigações, mas conseguiram liberdade e as investigações continuam.

Figueiredo, que era chefe da segurança da Assembleia Legislativa de MS, foi assassinado por volta das 6h30 da manhã do dia 11 de junho. Ele foi perseguido e teve o carro alvejado pelos tiros. Ilson perdeu o controle do carro que dirigia batendo contra um muro e morrendo no local.

A execução de Ilson Figueiredo foi semelhante ao assassinato de Orlando da Silva Fernandes, 41 anos, conhecido como ‘Orlando Bomba’  executado com tiros de fuzil na cabeça, tórax, e braços em frente a uma barbearia, no dia 26 de novembro de 2018.

Dois homens chegaram em uma Dodge Journey, desceram e executaram ele, que saía do local e ia em direção à sua camionete Hillux. Um outro homem em uma moto deu apoio para a execução. A polícia encontrou no local com a vítima três celulares intactos que estavam com ele, além de cheques e quantia em dinheiro. O crime aconteceu

O mesmo calibre de fuzil foi usado também na execução de Matheus Xavier Coutinho, que foi assassinado com sete tiros na cabeça, em frente à sua casa, no dia 9 de abril deste ano. O delegado Peró, no dia 20 de maio disse, que as armas apreendidas com o guarda passariam por perícia para se ter ou não a comprovação de que elas teriam sido usadas nas execuções, na Capital.

A Polícia Federal assumiu a custódia do arsenal e vai providenciar os laudos que poderão confirmar a ligação entre as armas e os crimes de pistolagem investigados pela Força-Tarefa da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública).

‘QG’ da pistolagem

No ‘QG’ onde estavam escondidos um verdadeiro arsenal de guerra, a polícia encontrou quatro carabinas 556, 11 pistolas nove milímetros, uma arma calibre 12, outra arma longa calibre.22, um revólver 357, quatro pistolas .40, um calibre 380, uma pistola calibre 22, além dos dois fuzis AK47. Também foram apreendidos silenciadores e carregadores.

O arsenal estava avaliado inicialmente em R$ 200 mil. Segundo o delegado do Garras, Fábio Peró, este seria o maior armamento encontrado em Campo Grande.

Marcelo Rios foi preso na manhã de domingo (19), na rua Rodolfo José Pinho. No carro com ele, os policiais encontraram munições e uma pistola Glock. De lá, os policiais do Garras foram até mais dois endereços fornecido pelo agente, uma casa no Portal Caiobá e outra casa no bairro Rouxinóis – o guarda morava nas duas residências, já que mantinha relacionamento distinto com duas mulheres. Nestas casas foram encontradas munições e armas.

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