Quase 2 anos depois, ninguém sabe o que houve com irmãos que sumiram na fronteira

Rodney e Edney foram vistos pela última vez em abordagem do DOF

Prestes a completar dois anos, o desaparecimento dos irmãos Rodney Campos dos Santos, de 27 anos, e de Edney Bruno Ortiz Amorim, 20, ainda é mistério. Os dois foram vistos pela última vez no dia 12 de agosto de 2017, durante abordagem do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) em Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande.  

Desde então, a dor da família só aumenta, até porque a polícia não sabe o que aconteceu. A mãe de Rodney, Margarete da Rocha, de 46 anos, diz que está com depressão por não saber, de fato, o que houve com o filho. “Não me conformo, estou deprimida demais e não consigo esquecer. Sempre me pego lembrando dele e chorando, mas quem se conforma com isso? Mãe nenhuma aceita”, disse.

Conforme noticiado, câmeras de segurança flagraram os irmãos em um posto de combustíveis no momento em que são abordados pelos policiais. Em outro registro é possível ver o carro deles, um Golf preto, transitando com uma viatura na direção do assentamento Itamaraty, sendo este o último registro da presença dos rapazes.

Por este motivo, a suspeita é de que eles tenham desaparecido naquela região. O carro chegou a ser localizado, mas os laudos deram negativo quanto à presença de sangue no interior do veículo. Rodney trabalhava com o tio em uma oficina de carros em Pedro Juan Caballero, no Paraguaia, e tinha passagens por lesão corporal, direção perigosa e perturbação de sossego, delitos considerados de menor potencial ofensivo e cumpria pena em liberdade condicional. Já Ediney era estudante.

Margarete acredita que eles foram mortos pelo DOF, sob circunstâncias ainda desconhecidas. “Mataram e sumiram com eles. Eles morreram de madrugada, porque senti meu coração acelerado às 2 horas. O pior é que até agora não tivemos nenhuma outra informação da polícia. Ficou por isso. Sei que os policiais foram afastados, mas nada aconteceu com eles”, lamentou.

O delegado Márcio Shiro Obara, da DEH (Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios), disse que está próximo de finalizar o inquérito, já que até o momento os rapazes não foram encontrados e, apesar da suspeita de que possam estar mortos, os corpos jamais foram encontrados.

“Fizemos várias diligências, mas infelizmente não conseguimos localizar o paradeiro deles. As investigações, inicialmente, estavam direcionadas para tentar encontrá-los e em seguida descobrir o que aconteceu”, explicou Obara, relatando que, diante da escassez de informações e provas, ninguém será indiciado. “Os policiais foram ouvidos e disseram que liberaram eles e até agora não foi possível provar o contrário”, detalhou.

Foi levantada suspeita de que, depois de serem liberados, os irmãos teriam sido vistos no Paraguai, onde se encontraram com criminosos e foram executados. No entanto, quando o crime organizado comete execução na fronteira, costuma exibir o crime a fim de intimidar rivais. “Houve esta linha de investigação e falamos com as autoridades do Paraguai, mas nada foi confirmado”.

 

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