Processo de policial que matou em cinema de Dourados vai correr em sigilo

PMA está em uma das celas do Presídio Militar

O processo do policial militar ambiental Dijavan Batista dos Santos – acusado de matar um bioquímico – foi colocado em segredo de Justiça. O crime aconteceu em uma sala de cinema do shopping Avenida Center, em Dourados – cidade distante cerca de 225 km de Campo Grande. A prisão em flagrante do PMA foi convertida em prisão preventiva e ele ocupa uma das celas do Presídio Militar, na Capital.

A defesa aguarda decisão sobre o pedido de quebra de sigilo telefônico feito pela Polícia Civil. “Queremos comprovar que ele ficou ali, que prestou socorro à vítima”, destacou o advogado Leonardo Francisco.

O aparelho de celular foi apreendido pela polícia. “A presente medida visa obter elementos de informação que possam auxiliar na completa elucidação do crime, notadamente verificar se realmente o indiciado efetuou as ligações à Polícia Militar e Corpo de Bombeiros”, afirmou o delegado Francis Flávio Tadano.

Imagens da câmera de segurança do cinema mostram o momento em que Júlio César Cerveira Filho se levanta duas vezes da poltrona e começar a brigar com o policial. Em depoimento, o militar disse que o tiro foi acidental e aconteceu no momento em que Júlio tentava tirar a arma das mãos do PMA.

Transferência

Dijavan Batista, de 37 anos, foi encaminhado para Campo Grande por determinação do juiz Eguiliell Ricardo da Silva, da 3ª Vara Criminal de Dourados. A defesa havia recorrido, pedindo que o suspeito ficasse no comando da PMA, onde ele já estava recolhido, porém, o recurso foi negado.

O crime

Informações iniciais seriam de que houve briga por assento, mas de acordo com a polícia, que obteve informações de testemunhas e do suspeito, o crime aconteceu após uma provocação. O PMA informou que estava na sala de cinema, acompanhado dos dois filhos, de 14 e 10 anos de idade. A família ocupava as poltronas 9, 10, 11 da fileira sete e um dos filhos do policial sentava ao lado de Júlio Cesar Cerveira Filho, 43 anos.

Júlio, conforme relato, começou a abrir e fechar os braços, também as pernas, batendo contra o menino sentado na poltrona 11. Neste momento, o pai optou por trocar de lugar com o filho e pediu para que a vítima parasse com as provocações. A vítima teria saído do local e dado um tapa no rosto do filho do PMA.

Já nas escadarias de saída, Júlio teria puxado a camisa do PMA e dito para que resolvessem a situação ali mesmo. O homem se identificou como policial e sacou a arma que portava na cintura, uma pistola calibre .40. Júlio tentou tirar a arma do policial, quando houve um disparo que o atingiu.

Informações do boletim de ocorrência e também da Polícia Militar, são de que o policial guardou a arma e tentou estancar o sangramento fazendo pressão com a mão esquerda no ferimento. Após, ligou para a Polícia Militar, mas não completou a ligação e em seguida acionou o Corpo de Bombeiros. A vítima não resistiu e morreu.

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