Perseguido pela Interpol, ‘doleiro dos doleiros’ ficou escondido por 2 meses em MS

Dario Messer foi ajudado pela família Mota, que possui propriedades rurais na fronteira de Ponta Porã

Perseguido pela Interpol, Dario Messer preso desde julho deste ano da deflagração da Operação Câmbio, Desligo deflagrada pela Polícia Federal, ficou escondido por aproximadamente dois meses em Mato Grosso do Sul, com ajuda da família Mota que possui propriedades rurais na fronteira de Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande.

Segundo a Polícia Federal Messer ficou escondido entre os meses de setembro a outubro na fronteira com a ajuda dos Mota, depois passou a ser ‘cuidado’ pelo contrabandista do Paraguai, que teria dois homicídios contra ele, Roque Fabiano Silveira, que foi responsável pela ponte entre o doleiro e o ex-presidente do Paraguaia Horácio Manuel Cartes. Um dos presos da operação é dono do Shopping China, Felipe Corgono Alvarez.

De acordo com o delegado contra o crime organizado, Rodrigo Alves, da Polícia Federal do Rio de Janeiro, “Foi necessário seguir o dinheiro”, se referindo as contas encontradas fora do país, e que pertenciam a Messer, que possuía um sistema no Uruguai, que em 7 anos rendeu R$ 1 bilhão e 600 mil.

O ex-presidente do Paraguai, Horácio Manuel se referia ao doleiro como um ‘irmão de alma’, e ele teria ajudado Messer com pelo menos R$ 500 mil para a sua fuga. Num total, o doleiro conseguiu arrecadar mais de R$ 100 milhões de dólares, no Paraguai. O dinheiro acabou confiscado pela polícia. Além do ex-presidente, Messer também teve ajuda de outro doleiro, Najun Azario Flato Turne, para conseguir se manter fora do radar da polícia.

Myra de Oliveira Athayde, noiva de Messe retrai tomado a frente dos negócios do doleiro já que ele não podia aparecer. Ela fazia várias intermediações para Messer. Um dos alvos da Operação Patron está nos Estados Unidos. Todos presos nesta terça (19) estão sendo ouvidos por agentes federais.

Confira os nomes dos presos

Dario Messer, Alcione Maria Mello de Oliveira Athayde, Roland Pascal Gerbauld, Lucas Lúcio Mereles Paredes, Luiz Carlos de Andrade Fonseca, Felipe Corgono Alvarez, José Fermin Valdez Gonzalez, Maria Letícia Bobeda Andrada, Cecy Mendes Gonçalves da Mota, Orlando Mendes Gonçalves Stedile, Myra de Oliveira Athayde, Arleir Francisco Bellieny, Roque Fabiano Silveira, Najun Azario Flato Turner, Valter Pereira Lima, Edgar Ceferino Aranda Franco, Jorge Alberto Ojeda Segovia, Antônio Joaquim da Mota, Antônio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota e Horácio Manuel Cartes Jara.

Operação

Foram 37 mandados sendo 16 mandados de prisão preventiva, 3 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão, cumpridos nas cidades de Rio de Janeiro e Armação dos Búzios, grande São Paulo e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. Não há informações se o fazendeiro e o empresário foram encontrados pelos agentes federais.

A operação é contra organização criminosa ligada ao doleiro Dário Messer, que foi preso em julho deste ano. A operação faz parte de um desdobramento da Operação Câmbio Desligo, em julho deste ano. A finalidade é de reprimir os crimes de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, cometidos pelo núcleo que continuou as práticas criminosas para apoiar a fuga de Dario Messer, que foi preso em São Paulo em julho, ocultando o foragido e seus bens.

A investigação identificou dinheiro ocultado do doleiro no valor de US$ 20 milhões, sendo mais de US$ 17 milhões em um banco nas Bahamas, e o restante pulverizado no Paraguai entre doleiros, casas de câmbio, empresários, políticos e uma advogada.

Em setembro deste ano, a 6ª Turma do STJ negou pedido de liberdade a Dario Messer, preso no âmbito da Operação Câmbio Desligo em julho deste ano. De acordo com o Ministério Público Federal, Messer é apontado como o “doleiro dos doleiros” e foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e participação em organização criminosa.

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