Perícia em celular vai apontar se policial pediu socorro após matar no cinema

Suspeito diz que telefonou para a Polícia Militar e para o Corpo de Bombeiros

O delegado Francis Flávio Tadano Araújo Freire, da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande, solicitou perícia no celular do policial militar ambiental Dijavan Batista do Nascimento, de 37 anos, preso por matar o bioquímico Júlio César Cerveira Filho, 43, durante discussão em sessão de cinema em um shopping.

De acordo com o delegado, aparelho foi apreendido e o objetivo é descobrir se o investigado pediu socorro. “Em seu interrogatório policial, o autor informou que utilizou o referido aparelho para acionar a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, após ocorrer o disparo contra a vítima”, afirmou o delegado no pedido encaminhado  ao juiz da 3ª Vara Criminal de Dourados, Eguiliell Ricardo da Silva.

“Assim, a presente medida visa obter elementos de informação que possam auxiliar na completa elucidação do crime, notadamente verificar se realmente o indiciado efetuou as ligações à Polícia Militar e Corpo de Bombeiros”, justificou a autoridade policial. O PMA está preso preventivamente e será encaminhado para o Presídio Militar de Campo Grande.

O Caso

O crime ocorreu após provocações e até um tapa no rosto do filho do policial, conforme o boletim de ocorrência. O PMA disse à polícia que estava na sala de cinema, acompanhado dos dois filhos, de 14 e 10 anos de idade. A família ocupava as poltronas 9, 10, 11 da fileira sete e um dos filhos do policial sentava ao lado de Júlio César. Imagens de câmeras de segurança registraram a discussão.

Júlio, conforme relato, começou a abrir e fechar os braços, também as pernas, batendo contra o menino sentado na poltrona 11. Neste momento, o pai optou por trocar de lugar com o filho e pediu para que a vítima parasse com as provocações. No entanto, de acordo com o boletim de ocorrência, Júlio teria dito: “Você é um idiota, você é babaca, ridículo, cuzão”. O PMA conta que pediu para que a vítima parasse e a mulher que acompanhava Júlio também teria pedido para que ele cessasse com as provocações.

Júlio teria levantado e então, passou a desferir chutes e socos no policial, momento em que várias pessoas que estavam na sala de cinema começaram a se manifestar e censurar a atitude da vítima. Júlio saiu do local e antes de deixar a fileira sete, teria desferido um tapa no rosto do filho do policial. O pai se levantou e disse: “você tá doido, batendo no meu filho ele é menor, vou chamar a polícia”.

Nas escadarias, a vítima ainda teria puxado o policial pela camisa que se apresentou como militar sacando a arma, sendo que neste momento Júlio teria tentado tirar a arma da mão do policial acontecendo o disparo, que segundo ele foi acidental.

A arma utilizada não possui registro e foi apreendida com 12 munições de mesmo calibre. O advogado da família da vítima solicitou a polícia exame de corpo de delito nos filhos do policial. O caso foi registrado como homicídio simples.

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