Morto a tiros no Los Angeles ameaçava mestre de obras por não conseguir emprego

Réu disse que atirou para sobreviver

Vai a julgamento na manhã desta terça-feira (19) o réu Alderi da Conceição dos Santos, pela morte de Ivan Marques da Silva em 6 de dezembro de 2015. No dia do crime, Alderi atirou e atingiu Ivan com cinco tiros na Rua Etalivio Pereira Martins, no Los Angeles.

Alderi contou ao júri, composto por seis mulheres e um homem, que ele trabalha com construções, como mestre de obras. Na época, Ivan teria pedido um emprego, mas ele negou, já que o rapaz que tinha 22 anos na época não tinha boa fama no bairro e já acumulava passagens pela polícia, inclusive por homicídio.

Ainda segundo Alderi, ele esclareceu aos funcionários os motivos pelos quais não contratou o rapaz e um dos pedreiros seria um amigo de Ivan. Este amigo então teria dito para Ivan que ele foi difamado por Alderi e a partir daquele dia o mestre de obras teria passado a ser ameaçado pelo rapaz e intimidado. “Quando ele me via, me ameaçava, mostrava a arma, mostrava o dedo, me xingava”, contou.

Um dia antes do crime Alderi teria ido ao mercado com a filha de 7 meses e, na volta, encontrou com Ivan que o parou. Com uma arma de fogo, o rapaz teria feito ameaças e dito que atiraria em Alderi, que foi embora para casa com a criança. No dia seguinte, um domingo, ele saiu de casa com a arma de fogo que guardava na residência.

Alderi explicando como reagiu (Foto: Renata Portela)

“Meu primo me deu a arma antes de morrer e eu deixei uns 7 ou 8 anos guardada”, disse o réu. Ele afirmou aos jurados que nunca antes tinha atirado e que saiu com o revólver porque estava com medo de Ivan. Naquele dia Alderi foi jogar bola e ao chegar no campinho, deixou a arma escondida embaixo da bicicleta.

Quando voltava para casa, disse que foi parado por Ivan. “Eu vi uma roda de pessoas e ele saiu e parou na minha frente”, contou. “E agora que você não está com a sua filha? E se eu quiser te dar uns tiros agora?” teria dito Ivan ao réu, conforme depoimento. Naquele momento, Alderi disse que Ivan sacou a arma de fogo e tentou atirar.

“Eu ouvi dois tiros que falharam e me apavorei, eu vi a morte”. Alderi disse que sacou o revólver e começou a atirar, sem contar quantos tiros deu, e ainda afirmou que pensava que Ivan continuava atirando também. Após os tiros ele pegou a bicicleta e foi embora, momento em que a arma de fogo teria caído no local.

Ivan foi morto com cinco tiros (Arquivo, Midiamax)

Ivan foi atingido por três tiros no abdômen e peito e mais dois nas costas. Alderi procurou um advogado e se apresentou à polícia, sendo liberado para aguardar o julgamento em liberdade. Ele revelou ao júri que após o crime sofreu ameaças por parte do irmão de Ivan, registrou boletim de ocorrência contra ele e se mudou de Campo Grande.

Na época do crime, apenas o relato do irmão de Ivan foi noticiado. Ele teria dito que o irmão estava a caminho da casa de uma tia, onde buscaria uma roupa para ir à igreja naquele domingo. Segundo a Polícia Civil, Ivan tinha passagens por homicídio e tentativa quando adolescente, além de porte de arma, duas passagens por roubo e uma por disparo de arma de fogo. Já após completar 18 anos, ele respondeu novamente por tentativa de homicídio e roubo.

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