Moradores temem ‘maníaco do Carioca’ e revelam até coação de criminosos no bairro

Jardim Carioca tem sido alvo constante de criminosos e vítimas são geralmente mulheres

Após três ataques a mulheres, moradores e comerciantes do Jardim Carioca, região oeste de Campo Grande, apelam por mais segurança. O bairro, conforme os depoimentos, está sendo dominado pelos criminosos, que chegaram até a coagir vítimas. “Não queremos a polícia aqui”, é a ameaça constante ouvida na região. Nesta segunda-feira (19), mulheres do bairro se reuniram em protesto aos recentes ataques do chamado ‘Maníaco do Carioca’.

Os moradores acreditam que o suspeito seja o mesmo dos três crimes ocorridos no bairro. O primeiro ataque aconteceu no dia 29 de julho, quando uma mulher foi esfaqueada e estuprada por um homem, que aguardava em cima de uma árvore. O segundo ataque foi nesta segunda-feira (19) e vitimou uma idosa de 75 anos, que foi esfaqueada no pescoço, mas não teve nenhum pertence levado. Outra mulher de 53 anos também foi assaltada na mesma região, também nesta segunda e procurou a delegacia de polícia.

As vítimas tem sido geralmente mulheres, mas o medo assombra toda a população. “Se fosse um criminoso comum, depois de todo o alarde que deu, ele não ia continuar agindo, mas mesmo assim voltou a acontecer”, disse o comerciante Edgar Cabral, 49 anos, que tem uma loja de variedades no bairro. Ele, em união a outros empresários, montou um grupo no WhatsApp, onde compartilham informações. “Somos vítimas de várias ações criminosas, furtos, roubos e então montamos o grupo depois do primeiro ataque para nos ajudar”, conta Edgar.

Edgar afirma que bairro precisa de mais segurança. (Foto: Leonardo de França)

A loja de Edgar já foi alvo de furto. Ele flagrou a ação e conseguiu recuperar alguns pertences. “Mesmo assim temos que trabalhar em estado de alerta. Depois que fecha a loja, não sabemos se quando voltar vai estar do mesmo jeito”, lamenta. O empresário afirma que o bairro deveria ter uma base da Guarda Municipal e câmeras de segurança. “A gente precisa de mais policiamento e sistema de videomonitoramento nos locais mais afastados, principalmente onde essa mulher foi atacada, perto da ponte”, reivindica.

A realidade da empresária Ruchelle Almeida de Camargo, 31 anos, é a mesma. Há um mês com a loja de roupas, foi furtada na primeira semana. “Só deixaram os manequins e os cabides”, relata a mulher, que teve prejuízo de R$ 10 mil. Ela chegou a ser coagida um dia depois ao crime. “Falou que não precisava denunciar porque eles não queriam a polícia na vila”, conta.

Segundo a empresária, que registrou boletim de ocorrência, alguns suspeitos chegam a se aglomerar em uma praça do bairro, onde ficam observando os comércios. “A sensação de insegurança e vulnerabilidade é grande”, revela a empresária.

Para ir trabalhar, Madson Maurício de Araújo Santos, 21 anos, passa todos os dias pela ponte onde ocorreu o primeiro ataque listado na reportagem. Ele revela que nunca percebeu movimentação estranha e acredita que o suspeito queira atacar somente mulheres. “Eu nunca vi nada de estranho aqui e acho que os ataques tem ocorrido mesmo só com mulheres. Passo por aqui todos os dias, é meu caminho do trabalho e nunca vi nada que me preocupasse”, disse.

Policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar foram vistos no bairro realizando diligências nesta terça-feira (20). A Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) informou que a PM vai reforçar o policiamento no Jardim Carioca e imediações e, inclusive, faz estudo para a realização de operações com mais frequência, contando com apoio de unidades especializadas, incluindo da Polícia Civil.

Relembre os casos no Carioca

No dia 29 de julho uma mulher de 31 anos foi atacada por um rapaz armado com uma faca em um matagal no bairro. Ela voltava para casa após levar o filho à escola quando foi surpreendida pelo criminoso. A vítima foi esfaqueada várias vezes, estuprada e ficou internada em estado grave na Santa Casa. Ela segue internada, agora consciente, e passou por cirurgias.

Já na manhã de segunda-feira (19) a idosa de 75 anos voltava para casa quando passou pela ponte e foi atacada por um rapaz, também armado com faca. Ele chegou a esfaquear a mulher no pescoço e ela fugiu correndo e pediu ajuda. O caso é investigado pela Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos) como roubo na forma tentada seguida de lesão grave.

Vítima foi assaltada (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

Uma mulher de 53 anos prestou depoimento à polícia na manhã desta terça-feira (20), após ter sido vítima de assalto na região do Jardim Carioca momentos antes da idosa de 75 anos ser esfaqueada. A vítima contou ao Jornal Midiamax que o assalto aconteceu aproximadamente 10 minutos antes da idosa de 75 anos ser esfaqueada na região da ponte aos fundos do Jardim Carioca. Ela disse que estava sozinha em casa, descascando milho, quando o rapaz entrou pela porta da frente armado com uma faca.

Segundo a vítima, ele estava muito tranquilo e não aparentava ter usado drogas ou álcool. Ele mandou ela ficar em silêncio, colocou a faca no pescoço da vítima e anunciou o assalto. O assaltante levou uma carteira de cigarros e aproximadamente R$ 30

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