Justiça nega transferência para cafetina que matou ex-servidor da Sefaz

Ex-superintendente da Sefaz foi assassinado a facadas e pauladas em 2018

A Justiça negou o pedido da defesa de Fernanda Aparecida da Silva Sylvério, 28 anos, acusada de matar o ex-superintendente da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), Daniel Nantes Abuchain, de transferência de presídio. Atualmente, a cafetina está presa na penitenciária de Corumbá, a 444 quilômetros de Campo Grande.

O pedido da defesa foi feito no dia 7 de novembro deste ano para que Fernanda pudesse voltar a ficar detida na penitenciária feminina de Campo Grande. Foi feito o encaminhamento da solicitação para a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) que em resposta teria afirmado que as unidades prisionais estariam em seus limites estruturais para cumprimento de suas finalidades.

Na última terça-feira (26), o juiz de direito Mário José Esbalqueiro indeferiu o pedido da defesa da cafetina de transferência para uma unidade prisional de Campo Grande.

O júri de Fernanda que estava marcado para agosto deste ano foi adiado e uma nova data ainda não foi marcada. Segundo a defesa de Fernanda não há indícios suficientes que comprovem que ela teria assassinado Daniel, já que existe a possibilidade de que uma terceira pessoa estaria no quarto do motel no dia do crime, 18 de novembro de 2018. Fernanda foi presa no dia 20 de novembro. Ao ser interrogada em juízo, ela negou as acusações, imputando o crime a uma terceira pessoa que teria obrigado ela atrair a vítima para o motel.

Para a acusação, Fernanda agiu por motivo torpe, para se vingar da vítima que teria assediado a convivente dela e também porque Daniel teria assediado outras ex-namoradas da cafetina. Ainda conforme a acusação, ela usou de dissimulação, pois teria convidado a vítima para fazer sexo e, de posse de uma faca escondida, desferiu os golpes.

A emboscada

O crime aconteceu em Campo Grande, no dia 18 de novembro de 2018. Conforme relatos de funcionários do motel, localizado no bairro Noroeste, em Campo Grande, Fernanda chegou ao local conduzindo o veículo Pajero, acompanhada por Daniel, no banco do passageiro. “Ela estava nervosa e ele parecia estar tranquilo”, informaram.

A mulher seguiu para o quarto, mas demorou menos de 30 minutos para pedir a conta. Ao ver que Fernanda saiu, a recepcionista afirmou que ligou para a camareira e questionou se estava tudo bem, já que não viu Daniel no banco do passageiro. A camareira relatou que o quarto estava cheirando sangue e que Fernanda pagou com três notas de R$ 50 com algumas manchas de sangue.

O corpo de Daniel foi localizado em meio a um matagal próximo a Uniderp Agrárias, enrolado em uma toalha, com a pele muito branca e pés enrugados. O carro foi localizado em Bonito e Fernanda foi presa no dia 20 de novembro após ser expedido mandado de prisão contra ela.

A Polícia Civil trabalhou com apoio de imagens de câmeras de segurança, em momentos que mostram Fernanda na casa de Daniel e depois os dois saindo na Pajero, sentido ao motel, onde aconteceu o crime. Também foram localizadas mensagens trocadas por eles via WhatsApp.

A polícia afirma que Fernanda entra em contradição muitas vezes em relação ao crime. Primeiro, afirmando que matou ele sozinha no carro por ser assediada por Daniel várias vezes. Depois, a mulher diz que estava sendo ameaçada por um homem e foi forçada a cometer o crime. Na época dos fatos, a polícia informou que Fernanda não teria força suficiente para matar Daniel, que pesava 80 quilos e carregá-lo até o porta-malas, cogitando a possibilidade de um comparsa.

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