Corte em conexão segura com SGI causou ‘apagão’ na Sejusp, diz empresa

Policiais e delegacias estão sem acesso aos Boletins de Ocorrências e servidores até orientam vítimas a registrar casos 'simples', como extravios e furtos, depois

O ‘apagão’ digital que atinge toda a segurança pública estadual de Mato Grosso do Sul, deixando policiais e delegacias sem acesso ao SIGO (Sistema Integrado de Gestão Operacional), ou seja, sem acesso aos boletins de ocorrências, seria consequência de um ‘corte’ na conexão segura entre a SGI (Superintendência de Gestão da Informação) e a empresa CompNet, que recebe R$ 505 mil mensais pela manutenção do sistema.

Segundo Adriano Chiapara, diretor da empresa que desenvolveu o SIGO e fornece o produto e a manutenção dos dados para o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, desde 28 de junho ocorrem problemas no sistema que estariam impedido a atualização das informações.

Em 2018, o sistema também ficou fora do ar por aproximadamente cinco dias, causando transtornos para quem procurava a delegacia para o registro de ocorrências. Em 2016, o sistema também ficou fora do ar por vários dias por falta de pagamento do Governo do Estado para a empresa.

A CompNet detém o contrato milionário de desenvolvimento e manutenção do sistema desde 2001, e tem ainda mais dois anos de contratação fechada com o Governo Estadual.

Servidores ligados à Sejusp entraram em contato com a reportagem, denunciando que o problema seria fruto de suposto ‘desacordo’ comercial entre empresários e gestores públicos.

O empresário revelou ainda que já notificou o Governo com ofícios sobre a quebra da conexão segura que inviabiliza a continuidade dos serviços.

“O sistema é atualizado de cinco a seis vezes por dia. Sem essa conexão segura, não tenho como manter o Sigo, com a possibilidade de vazamento de informações”, explicou Adriano.

Segundo Chiapara, a empresa teria enfrentado dificuldades até para notificar o superintendente da SGI, Alessandro Menezes. O servidor, teria supostamente se recusado a receber a notificação dos problemas no sistema.

A reportagem esteve na manhã desta quinta-feira (11) na sede da SGI para falar com o superintendente da SGI, mas a informação foi de que o assunto seria tratado diretamente pela Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda). O órgão foi acionado pela assessoria, e prometeu se posicionar por email.

 

Notificação foi enviada ao Governo, que não teria respondido.

O sistema de registros de ocorrências está fora do ar desde a última quarta-feira (10), e com isso, a população não consegue fazer o registro nas delegacias, que estão apenas, fazendo registro de flagrantes e crimes como, estupros e homicídios.

Extraoficialmente, servidores admitem que em casos mais simples, como extravios, roubos ou  furtos, a população está sendo orientada a voltar depois para fazer o registro do crime.

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