Atirar em pneu de carro é coisa de filme, diz PRF que matou em briga de trânsito

Falou que regulamento da PRF proíbe atirar em motor e pneu de carro

Durante seu depoimento na manhã desta quinta-feira (11), Ricardo Hyun Soo Moon acusado da morte do empresário Adriano Correa, em uma briga de trânsito, disse quando questionado sobre os motivos pelos quais não atirou no pneu da camionete e sim em Adriano, afirmou que atirar em pneu de carro é coisa de filme.

Ricardo ainda falou que se sentiu ameaçado pelo empresário, e por isso, teria feito os disparos depois de quase ser atropelado por ele. O policial ainda contou que regulamentos da PRF (Polícia Rodoviária Federal) proíbem de atirar contra pneus e motores de veículos, mas não explicou o porquê deste tipo de regulamento.

Segundo o policial rodoviário federal, ele seria a vítima de uma tentativa de homicídio por parte de Adriano, que tentou atropelá-lo, e que a camionete nas mãos do empresário seria uma arma, e como em outras vezes já havia sido ameaçado de morte, inclusive pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) achou que era uma ação criminosa contra ele.

Moon ainda teria dito que “Eles tiveram a oportunidade de esperarem a polícia, mas Adriano o forçou a agir daquela maneira”. Ainda segundo o policial, ele não podia deixar os três irem embora, já que estavam embriagados. Os tiros dados contra o peito de Adriano seriam do momento em que Ricardo foi quase atropelado pela camionete caindo sobre o capô do carro.

Uma das vítimas, que estava no carro com Adriano, contou que o empresário pediu por três vezes desculpa ao policial por causa da ‘fechada’ no trânsito, e que em nenhum momento Ricardo mostrou a funcional ou levantou a camiseta para mostrar que era da PRF. Ele ainda disse que Moon ficou na lateral do carro e não na frente como o policial contou.

Ainda de acordo com a testemunha, o policial chegou xingando os três, “Cala boca seus vagabundos, ainda por cima tudo bêbado”. O empresário, então, teria pedido para ir embora, já que não havia acontecido nada. Durante o depoimento das vítimas que sobreviveram foi confirmado que no dia do crime, eles haviam ingerido bebidas alcoólicas.

Durante o julgamento foi permitido pelo juiz Carlos Alberto Garcete o uso de camisetas em apoio ao policial pelos amigos e familiares, o que em outros julgamentos foi proibido, como no caso do júri de Luis Bastos acusado da morte de Mayara Amaral.

Relembre o caso

No dia 31 de dezembro de 2016, por volta das 5h40 da manhã, na Avenida Ernesto Geisel, esquina com a Rua 26 de Agosto, o policial atirou no empresário e tentou matar outras duas pessoas.

Ricardo Moon se deslocava para o trabalho em Corumbá, conduzindo o veículo Pajero TR4, enquanto a vítima dirigia a camionete Toyota Hilux, acompanhada das vítimas, no banco traseiro, e também no banco ao lado do motorista.

Conforme a denúncia, ao fazer conversão à direita, Adriano não percebeu a proximidade com o veículo do acusado e quase provocou um acidente de trânsito. Ato contínuo, o acusado abordou as vítimas, descendo do veículo, identificando-se como policial e chamou reforço.

As vítimas chegaram a descer do carro e solicitaram que o acusado mostrasse sua identificação visto que, pela vestimenta que trajava, não era possível saber se era mesmo policial rodoviário federal. Diante da recusa do acusado, eles retornaram ao carro e Adriano ligou a camionete iniciando manobra para desviar do veículo do réu, que estava impedindo sua passagem.

Quando iniciou o deslocamento, o policial efetuou disparos na direção do carro, que se chocou com um poste de iluminação. Após o choque, uma das vítimas saltou do carro e viu que fraturou alguns membros, enquanto a outra vítima foi atingida por disparos. O motorista foi atingido e faleceu no local. O réu foi pronunciado em agosto de 2017.

 

 

 

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