Após flagrante na Omertà, Justiça manda voltar para cadeia pistoleiro que matou Paulo Magalhães e Matheus

Freire estava solto com tornozeleira por HC no TJMS quando teria executado Matheus Xavier

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou que José Moreira Freires, acusado de assassinar o delegado Paulo Magalhães, em junho de 2013 em frente à escola da filha. Freires foi a julgamento em agosto deste ano e condenado a 18 anos e prisão, mas estava em liberdade por força de habeas corpus e era monitorado por tornozeleira eletrônica.

A defesa de José havia entrado com recurso, mas no dia 14 deste mês foi publicado, no Diário da Justiça, a decisão que obriga a Freires a cumprir a pena a qual foi condenado em regime fechado. Na decisão é relatada a frieza e a crueldade do modos operandi de Freires na execução do delegado Magalhães, e a necessidade de sua retirada do convívio social.

Também no despacho é colocado o descumprimento das medidas cautelares, que foram impostas a José que estava em liberdade, mesmo após sua condenação. Freires era um dos alvos da Operação Omertà junto de Juanil Miranda Lima. Os dois são considerados foragidos.

Tanto José como Juanil atuavam como pistoleiros da organização criminosa de execuções na Capital. A fuga dos dois aconteceu após executarem ‘por engano’ o jovem Matheus Coutinho Xavier, filho do ex-policial militar Paulo Xavier, em 9 de abril deste ano.

Segundo as investigações, Freires e Juanil teriam sido contratados por Marcelo Rios para matar Paulo Xavier, após ordem do empresário Jamil Name por causa da proximidade do militar com o advogado Antônio Augusto de Souza Coelho. A ordem seria por causa de um desacordo comercial da venda de propriedades rurais.

Juanil, dias antes da execução, estaria monitorando a residência de Paulo. Em um desses monitoramentos, ele estaria acompanhado de uma mulher, que tinha saído com ele para levar um celular ao conserto. Em depoimento no Garras (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), logo após a prisão de Marcelo, a jovem conta que estava com Juanil em um Chevrolet Corsa branco quando ele teria desviado o trajeto e passado duas vezes em frente à casa do militar, fazendo vídeos da movimentação.

O pistoleiro ainda teria contratado um hacker para monitorar em tempo real a movimentação de Paulo Xavier. A mulher confirmou o fato em depoimento no Garras. Ela disse ter visto pelo menos duas vezes o suposto hacker na companhia de seu pai.

No dia do assassinato de Matheus Coutinho, em abril, Freires ainda usava tornozeleira eletrônica depois da condenação pela execução do delegado Paulo Magalhães. Ele estava na companhia de Juanil em um Chevrolet Ônix branco. No entanto, por engano, os pistoleiros executaram o rapaz no lugar do pai dele, com tiros de fuzil. Matheus estava manobrando a camionete do pai na noite em que foi fuzilado pelos pistoleiros.

Após a execução errada, Marcelo teria ficado receoso de avisar Jamil Name sobre o erro, já que tinha medo de ser ‘empurrado’ – gíria para assassinado. Após divulgação na mídia, o ‘Velho’ como é chamado Jamil, teria dado ordem para Rios ‘arrumar a bagunça’.

Omertà

O Garras e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), com apoio dos Batalhões de Choque e o Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar, deflagraram na sexta-feira (27), a Operação Omertà, com a finalidade de dar cumprimento à 13 mandados de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Campo Grande e Bonito.

A Operação Omertà tem como foco uma organização criminosa voltada à prática dos crimes de milícia armada, porte ilegal de armas de fogos de uso restrito, homicídio, corrupção ativa e passiva, entre outros crimes.

As investigações do Gaeco tiveram início em abril deste ano, com o objetivo de apoiar as investigações dos homicídios de Ilson Martins Figueiredo, Orlando da Silva Fernandes e Matheus Coutinho Xavier, conduzidas pelo Garras desde 26 de abril de 2019.

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