Após 8 perícias, inquérito conclui que policial matou em cinema após ser agredido

No entanto, disparo ocorreu depois que a discussão acabou

Após oito perícias, análise de imagens de câmeras de segurança e provas testemunhais, o inquérito da Polícia Civil concluiu que o policial militar ambiental Dijavan Batista dos Santos matou o bioquímico Júlio César Cerveira Filho no último dia 8, depois de ser agredido em sala de cinema no shopping de Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande. No entanto, o disparo ocorreu depois que a discussão terminou.

O delegado Francis Flávio Tadando Araújo, responsável pelas investigações na 2ª Delegacia de Polícia, revelou que além das perícias, foram ouvidas 20 testemunhas e realizadas 13 diligências diversas. “Durante as investigações ficou provado que a morte da vítima se deu por traumatismo crânio encefálico produzido por projétil de arma de fogo. Ficou esclarecido que ocorreu um único disparo a curta distância”, diz o delegado na nota.

A sala onde o crime ocorreu tem capacidade máxima para 300 pessoas e foram vendidos 81 ingressos para a sessão do filme “Homem-Aranha: Longe de Casa”.  No cinema havia dezenas de crianças e adolescentes, inclusive algumas pessoas que viajaram de ônibus em excursão do município de Batayporã. A discussão entre o PMA e o bioquímico começou por conta da ocupação indevida de uma poltrona específica.

“As imagens disponibilizadas pelo cinema ratificaram as provas testemunhais de que, antes do disparo, a vítima teria agredido fisicamente o autor. O indiciamento inicial pelo crime de homicídio foi mantido ao final do inquérito, haja vista a existência da versão que o disparo da arma de fogo ocorreu quando a discussão tinha momentaneamente se encerrado”, afirma a nota. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário.

O crime

O PMA informou que estava na sala de cinema, acompanhado dos dois filhos, de 14 e 10 anos de idade. A família ocupava as poltronas 9, 10, 11 da fileira sete e um dos filhos do policial sentava ao lado de Júlio Cesar Cerveira Filho, 43 anos. Júlio, conforme relato, começou a abrir e fechar os braços, também as pernas, batendo contra o menino sentado na poltrona 11. Neste momento, o pai optou por trocar de lugar com o filho e pediu para que a vítima parasse com as provocações. A vítima teria saído do local e dado um tapa no rosto do filho do PMA.

Já nas escadarias de saída, Júlio teria puxado a camisa do PMA e dito para que resolvessem a situação ali mesmo. O homem se identificou como policial e sacou a arma que portava na cintura, uma pistola calibre .40. Júlio tentou tirar a arma do policial, quando houve um disparo que o atingiu.

 

 

 

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