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PM afasta e substitui oficiais presos em operação contra o contrabando

PMs são suspeito de cobrar propina para facilitar contrabando

O Comando da Polícia Militar informou que afastou e substituiu os 21 policiais alvo da Operação Oiketikus, que teve como alvo militares que supostamente cobravam propina para facilitar e entrada de produtos contrabandeados em Mato Grosso do Sul. A Oiketikus foi desencadeada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público Estadual e pela Corregedoria Geral da PM.

“Quanto aos oficiais que ocupavam funções de comando ou subcomando de Unidade Policial Militar, todos foram afastados dos cargos e substituídos”,informa nota divulgada nesta quinta-feira (17).

De acordo com Comando, as denúncias já eram investigadas pelas corregedorias da Polícia Militar, Civil e Federal. Concluídas, as investigações serão enviadas para o Ministério Público Estadual, Auditoria Militar Estadual ou Ministério Público Federal.

‘Rota cigarreira’

A megaoperação contou com a participação de cerca 125 policiais militares e nove promotores de Justiça.

Os mandados tiveram como alvo residências e locais de trabalhos dos investigados, distribuídos nos municípios de Campo Grande, Dourados, Jardim, Bela Vista, Bonito, Naviraí, Maracaju, Três Lagoas, Brasilândia, Mundo Novo, Nova Andradina, Boqueirão, Japorã, Guia Lopes, Ponta Porã e Corumbá.

Todas as cidades fazem parte da chamada ‘rota cigarreira’, que integra rodovias, estradas e cabriteiras usadas para transportar cigarros produzidos no Paraguai e vendidos ilegalmente nas ruas de cidades brasileiras a preços bem menores que os oficiais, por não pagar impostos.

Dentre os policiais militares presos, estão praças e oficiais. Após a realização dos procedimentos de praxe e eventuais lavraturas de autos de prisão em flagrante pela Corregedoria da Polícia Militar, serão encaminhados ao presídio militar de Campo Grande.

Todos os mandados de busca foram cumpridos, mas um mandado de prisão preventiva permanecia em aberto até a publicação deste texto.

A operação faz alusão ao bicho cigarreiro, que são as lagartas que constroem uma estrutura com seda com o formato semelhante a um cigarro.

Máfia dos cigarreiros

Em abril deste ano, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra o contrabando de cigarros. A ação foi batizada de “Homônimo”, e ocorreu nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Em Mato Grosso do Sul foram cumpridos mandados em Naviraí e Iguatemi.

Foram expedidos pela Justiça 35 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, 45 mandados de busca e apreensão, 32 de bloqueios de bens.

A investigação teve início em agosto de 2017, e apontou que a quadrilha sonegava mais de R$ 14 milhões em impostos e faturava R$ 2 milhões com a venda da mercadoria ilegal.

Mas a rota nunca foi abandonada. Em fevereiro deste ano, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) apreendeu carga com 700 mil maços de cigarros contrabandeados em Coxim, a 260 quilômetros de Campo Grande. A carga foi avaliada em R$ 3,5 milhões. O motorista informou que pegou o carregamento no Paraguai e levaria para a cidade de Goiânia (GO), onde receberia o pagamento pelo transporte.

Propinas para policiais

Em dezembro de 2017 no Estado, sete policiais militares foram presos por envolvimento na chamada “Máfia do Cigarro”. O esquema envolvia suposta cobrança de propina por policiais de Mato Grosso do Sul para permitir a ação contrabandistas de cigarros. Na data, o grupo era suspeito da cobrança de R$ 150 mil para a “liberação” de um caminhão com carga de cigarros contrabandeados do Paraguai.

Conforme informações extraoficiais, dão conta que os oficiais presos durante a operação seriam comandantes da PM nas cidade de Jardim e Bonito, além de um major que trabalha na cidade de Maracaju. Mais policiais suspeitos de integrarem a máfia estariam vindo de Nova Andradina.

 

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