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Novo Cangaço: criminosos sitiaram e saquearam comércios em Chapadão do Sul

Quadrilha fortemente armada impediu ação da polícia enquanto bancos e lojas eram invadidas

Ação de criminosos que explodiram duas agências bancárias de Chapadão do Sul durante a madrugada desta quarta-feira (7), é considerada por agentes da polícia como práticas de grupo denominado ‘o novo cangaço’. Característicos no modo de agir, o bando é conhecido por ter armamento pesado e estudar detalhadamente a logística de suas ações.

O termo Novo Cangaço faz uma referência ao bando de Lampião, que aterrorizava o Nordeste e saqueava cidades no século 18. Segundo o delegado Fábio Peró, a diferença entre as ações é que, ao contrário dos criminosos que agiam no Nordeste, a quadrilha atira para o alto e não chega a fazer reféns.

Com grande número de integrantes, o bando fecha a entrada e saída da cidade e atira para o alto para impedir a ação da polícia enquanto o restante da quadrilha saqueia comércios. No caso de Chapadão do Sul, quatro comércios foram alvos dos bandidos.

Foto: Marcos Ermínio

“Eles são ousados e sitiam toda uma cidade para que a população fique a mercê deles. Além disso, são fortemente armados e têm todo um aparato de logística para cometer crimes e tentar cercear a ação das polícias Civil e Militar”, explica Giancarlo Miranda, presidente do Sinpol-MS (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul).

De acordo com Giancarlo, na maioria das vezes criminosos implicados neste tipo de crime são de fora do Estado, geralmente do norte do País, onde explosões a bancos acontecem com mais frequência.

Lojas Saqueadas

Além das agências explodidas, uma loja de roupas e uma ótica foram saqueadas pelos ‘novo cangaço’ que atacou Chapadão do Sul. De acordo com a funcionária da boutique de roupas, depois de sair do banco os suspeitos os suspeitos deram um tiro na porta de vidro do estabelecimento e de lá, levaram cerca de R$ 7 mil em produtos.

“Aqui é uma cidade tranquila, tanto que nossas câmeras de segurança ficavam ligadas apenas durante o dia e à noite desligávamos. Essa foi a primeira vez em três anos que fomos assaltadas”, conta a trabalhadora.

Como o circuito de segurança da loja estava desligado, a funcionária da loja disse que teve acesso às imagens feitas pelas câmeras instaladas na agência bancária. Ela conta que a ação dos bandidos durou cerca de 18 minutos e começou horas antes de o prédio ser invadido.

“Eles entraram na agência por volta das 2 horas, mas antes, cerca de 23 horas, uma das assaltantes ficou vigiando o local. Ela parou em um container de lanche que fica ao lado e, para disfarçar, pediu um refrigerante e ficou circulando, olhando câmeras. Era como se estivesse mapeando”, relata.

Da ótica, os autores não conseguiram levar nenhum produto porque os óculos estavam presos na vitrine. Apenas a porta de vidro foi danificada.

Vigilância

Ainda segundo a funcionária da loja saqueada, há 20 dias, comerciantes da região notaram a presença de homens em atitudes suspeitas na região. “Algumas funcionárias estranharam e reclamaram para a dona da loja. Eles ficavam em um carro branco olhando para as lojas e para as agências. Ficaram por cerca de duas semanas e depois sumiram”, conta.

As explosões

As agências bancárias ficam 250 metros de distância uma da outra e a primeira a ser a arrombada foi a do Banco do Brasil, em seguida a da Caixa Econômica Federal. Os bandidos ainda fecharam uma saída da cidade.

Parte da quadrilha foi para frente do quartel da Polícia Militar e outra parte para o prédio da Policia Civil. Eles efetuaram disparos contra os prédios para impedir que os policiais saíssem do local.

Os valores levados pelos bandidos não foram revelados. Mas, informações são de que os caixas estavam cheios, já que nesta quarta (7) seria pagamento de quem trabalha em usinas e fazendas próximas.

 

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