Polícia

Laudo pago por ex-sargento preso em operação contra ‘Máfia dos Cigarreiros’ é inconclusivo

A perícia técnica contratada pelo ex-sargento da Polícia Militar, Ricardo Campos Figueiredo, para analisar se os celulares apreendidos no dia da deflagração da Operação Oiketicus, no dia 16 de maio, teriam sido quebrados no dia de sua prisão ou no dia anterior foi inconclusiva. Segundo o laudo feito pelo IPC (Instituto de Perícias Científicas) a […]

Thatiana Melo Publicado em 31/07/2018, às 12h08 - Atualizado em 01/08/2018, às 12h49

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A perícia técnica contratada pelo ex-sargento da Polícia Militar, Ricardo Campos Figueiredo, para analisar se os celulares apreendidos no dia da deflagração da Operação Oiketicus, no dia 16 de maio, teriam sido quebrados no dia de sua prisão ou no dia anterior foi inconclusiva.

Segundo o laudo feito pelo IPC (Instituto de Perícias Científicas) a quebra dos telefones que resultou em um superaquecimento pode ter ocorrido tanto no dia da operação como em data anterior, “ Resta possível afirmar que um aquecimento de um Smartphone danificado pode ser tanto de uma ação momentânea- contemporânea a sua quebra- como de uma ação anterior, haja vista que pequenos manuseios ou movimentações em aparelhos que sofreram rupturas em suas estruturas internas pode acarretar um novo rompimento de suas conexões, e causar, curtos-circuitos, que por sua vez, liberam calor e aquecem o aparelho”.

Ainda de acordo com o laudo, o superaquecimento pode ter sido ocasionado de uma quebra de uma ação anterior. Na última sexta-feira (27), O juiz Alexandre Antunes da Silva, da Auditoria Militar, negou o pedido da defesa do sargento da Polícia Militar Ricardo Campos Figueiredo para perícia nos dois aparelhos celulares encontrados com ele no dia da prisão.

A defesa do ex-sargento havia solicitado uma outra perícia após a mulher de Ricardo em depoimento dizer que seria a responsável pela quebra dos aparelhos. Segundo o depoimento da mulher do militar, os celulares teriam sido quebrados por ela na madrugada anterior a operação, e por motivos particulares do casal. A defesa ainda havia alegado que a suspeita da quebra dos aparelhos no dia da deflagração da operação surgiu porque os celulares danificados “estariam muito quentes”, e para afastar dúvidas foi feito o pedido de perícia por um assistente técnico “na busca da verdade”.

Quebra de celulares e prisão

O ex-agente de segurança velada do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) teria, segundo relatório do MP-MS e depoimento prestado na polícia por testemunhas, enganado o promotor para se trancar no banheiro de casa durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão e quebrar os dois aparelhos.

O sargento conseguiu eliminar provas ao destruir dois aparelhos que deviam ser apreendidos na operação. Pelo menos um dos celulares teria a linha que o sargento usaria para conversar com Reinaldo Azambuja (PSDB), segundo policiais que conhecem a rotina da segurança pessoal do governador.

Segundo os membros do MP-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), após perícia no que restou dos celulares, o laudo aponta que provas que poderiam estar nos aparelhos foram destruídas, já que as placas e processadores foram totalmente danificados.

Duas fases da operação

A Oiketicus teve mais uma fase no dia 13 de junho, quando oito policiais militares, entre eles um tenente da reserva e sete praças, foram presos.

Cinco praças foram presos em cidades do interior do Estado e três na Capital. Todos foram levados para a Corregedoria da PM, onde passaram por procedimentos administrativos e, em seguida, foram levados para o Presídio Militar de Campo Grande. Ao todo 29 policiais militares foram presos durante a deflagração da operação.

Jornal Midiamax