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Esposa agredida com socos e tijoladas não representa contra o marido

Disse que ama o companheiro

Após ser espancada com socos e tijoladas na cabeça, na noite desta segunda-feira (12), na cidade de Inocência, a 321 quilômetros de Campo Grande, uma mulher acabou não denunciando o companheiro na delegacia. “Eu gosto de apanhar. Amo muito ele”, teria declarado, de acordo com o boletim de ocorrência registrado pelos policiais. 

Vizinhos acionaram a polícia por volta das 23 horas depois de verem a jovem ser espancada pelo marido com socos no rosto, sendo também agredida com tijoladas na cabeça, causando cortes.

Quando a polícia chegou a residência, a mulher negou que teria apanhado do marido mesmo com o rosto todo ensanguentado. Já o autor confirmou que bateu na mulher, afirmando ter sido ‘por ciúmes’ e também tentou se justificar dizendo ter ingerido bebidas alcoólicas.

Os militares tentaram levar a mulher para atendimento médico, mas com medo do companheiro ela se recusou e também teria afirmado não fazer exame de corpo de delito para não produzir provas contra o marido.

Na delegacia, a vítima se recusou a registrar a ocorrência afirmando amar o companheiro, “gosto de apanhar, amo muito ele”. Ela ainda teria dito que sempre apanhou do autor.

Ocorrência registrada

Mesmo assim, a ocorrência foi registrada. É importante também frisar que na Lei Maria da Penha, é desnecessária a representação da mulher contra o marido. Isso porque a Lei leva em consideração o estado crítico e desesperador das milhares de mulheres já atendidas na mesma situação.

Desde 2012, o Ministério Público pode abrir a ação após a apresentação da queixa, o que garante sua continuidade, mesmo que a mulher agredida não tenha sido a pessoa a representar contra o companheiro.

 Na ocasião, o ministro Marco Aurélio relatou que o fato garante que a justiça seja feita. “A Lei Maria da Penha retirou da invisibilidade e do silêncio a vítima de hostilidade ocorrida na privacidade do lar e representou movimento legislativo claro no sentido de garantir a mulheres agredidas o acesso efetivo à reparação e justiça”.

Promotora que atua no projeto Paralelas – Traçando Novos Caminhos, Fernanda Proença de Azambuja relatou ao Jornal Midiamax que abordagens como “o que você fez desta vez para apanhar de novo?”, por parte da polícia, a fez promover campanhas e cursos com as pessoas que realizam o atendimento a essas mulheres para que elas se sintam acolhidas e não expostas quando denunciam o agressor. 

MS: campeão em violência contra mulher

Segundo o Mapa da Violência, Mato Grosso do Sul é o estado com maior taxa de mulheres vítimas de violência sexual, física ou psicológica que buscam atendimento em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). A cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas. Um estupro ocorre a cada 11 minutos. A cada 1h30 ocorre um feminicídio. A cada hora, 503 mulheres sofrem violência. 

Denúncia

Para  denunciar violências ou buscar ajuda, a Casa da Mulher Brasileira fica na Rua Brasília, s/nº, Jardim Imá, em frente ao Aeroporto Internacional de Campo Grande. Para informações ligue (67) 3304-7559 ou o disque-denúncia é pelo número 180, com ligação gratuita e garantia de anonimato.

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