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Saia justa: com ex-assessor entre cigarreiros, Reinaldo diz que maus policiais mancham PM

Sargento da PM nomeado na Governadoria enganou promotor e destruiu celular em operação contra 'Máfia dos Cigarreiros'

Em discurso para 191 cabos da Polícia Militar que se formavam nesta segunda-feira (16), o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) disse que uma minoria “mancha” o trabalho da maioria na PM de MS. Apesar de não fazer citação, a referência aos 29 policiais que foram parar atrás das grades suspeitos de integrarem uma quadrilha para facilitar o contrabando de cigarros causou constrangimento.

A saia justa foi provocada porque um sargento, que era nomeado ‘agente de segurança velada’ de Reinaldo, está entre os detidos suspeitos de integrarem quadrila que ajudava contrabandistas a operar livremente nas rodovias de MS, supostamente recebendo propina milionária para driblar os cofres públicos estaduais.

O 2º sargento Ricardo Campos Figueiredo exercia a função de ‘Agente de Segurança Velada da Casa Militar do Estado de Mato Grosso do Sul’ e recebia, segundo Portal de Transparência do governo, cerca de R$ 8 mil por sua nomeação na equipe da Segov (Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica), pasta onde a Casa Militar do governo do PSDB é vinculada.

“Infelizmente temos uma minoria que mancha o bom trabalho da maioria”, disse Reinaldo durante a formatura no Centro de Formação e Aperfeiçoamento da Policia Militar. “Não podemos deixar que uma minoria contamine o todo. Os bons policiais são a maioria”, insistiu. O ex-assessor dele só foi exonerado dias após a prisão em flagrante durante operação contra a ‘Máfia dos Cigarreiros’.

Apesar desse cenário, o chefe do Executivo estadual defendeu a corporação ao dizer que Mato Grosso do Sul tem os melhores policiais do país. Reafirmou que o Estado é o terceiro mais seguro nacionalmente, e tem o melhor índice de elucidação de crimes. E que o órgão fez frente à “explosão de violência no Brasil”.

Reinaldo discursa para os policiais promovidos. (Foto: Marcos Ermínio)

Cigarreiros em MS

Em maio deste ano, a ofensiva contra os “cigarreiros” ocorreu com a Operação Oiketikus, que contou com a participação de cerca 125 policiais militares e nove promotores de Justiça. Policiais militares suspeitos de participação no esquema entraram na mira com a prisão de mais de 20 agentes da corporação, só na primeira fase da ação.

No total, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Mato Grosso do Sul denunciou 28 dos 29 policiais presos durante as duas fases da operação Oiketicus, que investiga a atuação de policiais para garantir a livre movimentação da chamada “Máfia do Cigarro”. Ricardo Campos Figueiredo não entrou na lista pois está preso por obstrução de justiça, já que quebrou celulares que seriam levados como prova.

Os policiais denunciados pelo grupo são Admilson Cristaldo Barbosa, Alisson José Carvalho de Almeida, Anderson Gonçalves de Souza, Angelucio Recalde Paniagua, Aparecido Cristiano Fialho, Claudomiro de Goes Souza, Claiton de Azevedo, Clodoaldo Casanova Ajala, Elvio Barbosa Romeiro, Erick dos Santos Ossuna, Francisco Novaes, Ivan Edemilson Cabanhe, Jhondnei Aguilera, Kelson Augusto Brito Ujakov, Kleber da Costa Ferreira, Lindomar Espindola da Silva, Lisberto Sebastião de Lima, Luciano Espindola da Silva, Maira Aparecida Torres Martins, Marcelo de Souza Lopes, Nazário da Silva, Nestor Bogado Filho, Nilson Procedônio Espíndola, Oscar Leite Ribeiro, Roni Lima Rios, Salvador Soares Borges, Valdson Gomes de Pinho e Wagner Nunes Pereira.

A investigação teve início em abril do ano passado, quando a corregedoria da Polícia Militar repassou aos promotores denúncias sobre “rede de policiais militares, maioria da fronteira, envolvidos em crime de corrupção e organização criminosa”. Os promotores reforçam que militares de diferentes patentes e regiões do Estado se associaram para facilitar o contrabando.

Em troca, os militares recebiam propinas de até R$ 100 mil para fazer “vista grossa” e até repassar informações sigilosas aos contrabandistas.

Os mandados tiveram como alvo residências e locais de trabalhos dos investigados, distribuídos nos municípios de Campo Grande, Dourados, Jardim, Bela Vista, Bonito, Naviraí, Maracaju, Três Lagoas, Brasilândia, Mundo Novo, Nova Andradina, Boqueirão, Japorã, Guia Lopes, Ponta Porã e Corumbá.

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