Bandidos se contradizem sobre abuso sexual durante roubo a chácara

Caseiro diz que corte no pé o impediu de estuprar vítima

Os três presos por envolvimento no assassinato do ex-vereador Cristóvão Silveira e de sua esposa Fátima Silveira entraram em conflito em seus depoimentos à Polícia Civil. Rogério Nunes Mangelo, 19 anos, filho do caseiro, afirma que Diogo André dos Santos Almeida, 19 anos, estuprou a vítima, mas nega ter visto o pai cometer o abuso. Já Rivelino Mangelo, 45 anos, relatou que após lesionar o próprio pé, não conseguiu ter ereção e, por isso, só passou a mão na vítima.

Apesar dos depoimentos contraditórios e a incerteza da autoria do crime, a Polícia Civil só terá a confirmação do crime sexual após resultados de exames periciais.

Na versão de Rogério, depois de crime ele entrou com o pai para roubar a casa, momento que Diogo ficou sozinho com o corpo da Fátima, no galpão onde tudo aconteceu, e a estuprou mesmo sem saber se ela ainda estava viva.

Por outro lado, Rivelino relatou em depoimento que após se auto ferir com um machado tentando cortar a cerca para fugir teria voltado à residência para fazer um curativo. Neste momento viu o corpo de Fátima e passou a mão em seu corpo. O caseiro disse que não concluiu o estupro por não ter tido ereção, por conta da dor no pé.

Antes de fugir, lembrou da gasolina que tinha no local e ateou fogo no corpo da mulher para tentar apagar os vestígios dos abusos.

O caso

De acordo com Fabio Peró, Rivelino planejava a morte do patrão há uma semana e para isso, entrou em contato com o filho Rogério Nunes e com o sobrinho Diogo, que teriam demonstrado resistência em participar do crime. Em conversas no aplicativo WhatsApp, o caseiro teria dado o ultimato aos dois alegando que se não o ajudassem ele faria sozinho.

Peró explicou, que por volta das 13h da terça-feira (18), Rogério e Diogo chegaram na chácara e ficaram escondidos. Às 15h o casal, Cristóvão e Fátima chegaram ao local e foram conduzidos por Rivelino até o galpão onde começaram as agressões. O caseiro atacou a esposa e o ex-vereador ficou por conta de Diogo.

O ex-vereador foi morto com golpes de facão o que deixou o rosto dele desfigurado. Fátima também foi esfaqueada e teve parte do corpo queimado. A polícia suspeita que a ação seja uma tentativa de cobrir possíveis rastros do crime de estupro. Laudos periciais devem apontar se houve ou não abuso sexual contra a vítima.

Em depoimento, o caseiro, que morava e trabalhava na chácara há quatro meses, afirmou que matou o patrão por vingança. Ele alegou que era maltratado, humilhado e ameaçado pelo ex-vereador por saber do relacionamento dele com uma amante. Ele ainda confessou que matou a mulher para não ficar de testemunha. “Ela morreu porque tinha que morrer”.

As denúncias feitas pelo assassino foram rebatidas pela família, que chegaram a relatar o convívio harmônico entre as duas famílias e até ajudas financeiras para a mulher do caseiro, que possui problemas de saúde.

As prisões

O caseiro foi preso quando recebia alta do hospital Santa Casa, após ser atendido por causa de um corte profundo no pé. Ele foi socorrido depois de pedir ajuda a dona de um bar, que fica a 800 metros da chácara. Ele teria contado que sete homens invadiram a propriedade para roubar. Mas, após ser levado para depoimento acabou confessando a autoria dos assassinatos.

Assim que mataram o casal, Rogério e Diogo fugiram com a caminhonete até Anastácio e, então, até uma chácara localizada a 30 km de Aquidauana, onde estava Alberto. O rapaz teria ficado com uma TV roubada do casal. Para a polícia, o suspeito confessou que o primo e o irmão chegaram em sua casa no veículo roubado com as roupas ensanguentadas e teriam queimado as peças.

Diogo então seguiu com um outro comparsa, já que não sabia dirigir, para a Bolívia. Ele acabou morto em uma troca de tiros com a polícia durante sua fuga, no município a 444 quilômetros de Campo Grande. Rogério e Alberto foram presos ainda em Anastácio assim que os policiais tiveram conhecimento da localização dos suspeitos.

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