Prioridade politica é na economia

Aristóteles Drummond

Prioridade politica é na economia

A volta do “coronavoucher” vai ser um tiro no pé do presidente. A oposição está feliz da vida com esta possibilidade, a mídia só é respeitosa com o presidente quando toca no assunto. Veneno na veia. Tem de melhorar o Bolsa Família, agregar mais uns poucos milhões e lutar pela retomada do emprego, do investimento, da normalidade no comércio, indústria e serviços, pela via da vacinação acelerada e desburocratizada.

O mundo todo corre atrás da mesma coisa: atrair investimentos num mercado altamente líquido, portanto, com dinheiro para alocar em bons projetos. Mas o Brasil só pode entrar nesta disputa com as reformas, que são mais profundas do que as colocadas na pauta pelo Congresso. Mas  mesmo sim sem uma divida impagável e de difícil rolagem com estes juros.

Como pode atrair algum investimento na produção, um país em que o Judiciário, no caso Trabalhista, pela decisão monocrática de um juiz exigir que uma fábrica desativada mantenha seus funcionários, não podendo os despedir com todos os direitos garantidos, é claro. Foi o caso da Ford, de naturais repercussões externas. A insegurança jurídica está ainda sendo restabelecida com as mudanças que procuram anular a inquestionável diminuição da corrupção no país. Primeiro, a questão da , agora aceitando provas ilegais, colocando em risco todo e qualquer cidadão ou empresa pela via da violação de seus e-mails e telefones. Foi-se o tempo em que a violação de mensagens era crime grave. Pela Constituição de 1946, a correspondência era inviolável.

O presidente tem sido um desastrado nessa área. A começar pelo convite ao juiz Moro para seu ministério, sem perceber que ele, apesar das qualidades de magistrado, não passaria de um provinciano, deslumbrado com a notoriedade e o aplauso nacional. Agora já se percebe que errou na escolha do ministro do , quando poderia ter recrutado um jovem valor nas bancas de advogados de nossas principais capitais, ricas em talentos.

O ministro é nota dez, na teoria, e cinco, na prática. Não sabe fazer política e exerce cargo político, não luta pelas boas causas que abraça e acabou se tornando vulnerável, pouco popular na equipe ministerial. O Presidente deveria ter indicado um bom assessor parlamentar e de imprensa para ele.

Prioridade para o futuro político do presidente, para a confiabilidade no país, é concentrar todas as atenções na pauta econômica, com velocidade. Não estamos sozinhos na caça ao capital. E somos vulneráveis no endividamento público, na fragilidade dos ativos decorrentes do endividamento de estados e municípios. As ideias são boas, a execução, no entanto, é lenta e divide espaço com a política menor. O Congresso está em boas mãos. O presidente deve observar que seus ministros de reconhecido sucesso, como Tarcísio Freitas e , não se envolvem em disputas, em atritos, concentrados na eficiência no cumprimento da missão recebida. Assim como o saudoso Ibrahim Sued, alvo de críticas, que não respondia e terminava suas colunas com fina ironia, com a seguinte frase: “Os cães ladram e a caravana passa”. Quando estava fazendo esportes de inverno na Suíça, substituía o “passa”, pelo “esquia”.

Bolsonaro deve cuidar da obra que vem realizando e do futuro, dele e do país. Chega de breguice! E responder aos cães que ladram…

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