Opinião

Baixo nível da política

A radicalização ideológica se tornou o câncer das sociedades modernas. Os valores da dignidade, da verdade, da ética, dos resultados práticos em favor da sociedade parecem coisas do passado. A pauta nacional tem andado muito distante do interesse público e a renovação das mesas da Câmara e do Senado faz acender uma luz no fim […]

Produção Publicado em 10/02/2021, às 11h02

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Aristóteles Drummond
Baixo nível da política
Aristóteles Drummond

A radicalização ideológica se tornou o câncer das sociedades modernas. Os valores da dignidade, da verdade, da ética, dos resultados práticos em favor da sociedade parecem coisas do passado. A pauta nacional tem andado muito distante do interesse público e a renovação das mesas da Câmara e do Senado faz acender uma luz no fim do túnel. O desgaste da classe política, que é o pilar de uma democracia, estava chegando ao fundo do poço.

Surge uma esperança com a pauta proposta pelo Presidente da República e que, mesmo que parcialmente atendida, pode melhorar as condições para a retomada da economia, com mais justiça, credibilidade e produtividade. O Brasil vai mal em termos de mão de obra qualificada, o que impede melhores salários, e está ainda mal no sistema jurídico, que favorece poderosos que podem pagar bons advogados. Nossos códigos foram feitos para alongar ações, garantindo impunidade. Além de gerar uma casta de servidores públicos remunerados direta e indiretamente acima da realidade nacional. Basta um olhar comparativo das instalações dos tribunais com as existentes nos hospitais e universidades. Os liberais pregam no deserto.

O discurso melhorou, mas, talvez, a percepção da urgência das reformas não tenha sido percebida. Dar prazo de outubro para as duas principais, administrativa e tributária, é alongar a agonia da economia. O ritmo deve ser emergencial, o impulso modernizador e moralizador; não pode cair nos debates demagógicos, no jogo de interesses. Neste momento, a prioridade é crescer, crescer e crescer, empregar e empregar, enxugar gastos públicos e diminuir privilégios que contrastam com o número de excluídos na população.

O deputado Rodrigo Maia, talvez sem perceber, atrasou o país ao trancar a pauta no Congresso, ficando no exercício da política menor. O STF se tornou centro de vaidades, decisões incoerentes, divórcio com a aspiração da sociedade pelo fim da impunidade. E mostra uma face cruel do privilégio. Dependendo da mera simpatia ou da antipatia pessoal, os envolvidos em malfeitos são liberados ou permanecem presos. Para alguns, muda-se o entendimento do início do cumprimento de penas, dando tempo aos intermináveis recursos e manobras escusas; para outros, a imediata condenação, como é evidente o caso do ex-governador do Rio Sérgio Cabral, escolhido para pagar sozinho por todos que cometeram os mesmos e até maiores  crimes. Sem falar nos que são levemente incomodados, sem apuração que os faça pagar, nem que seja pela via fiscal. A Lava-Jato está sem concluir processos em Curitiba e foi abolida.

Vergonhoso comportamento da oposição quando da visita do Presidente da República ao Congresso. Parlamentares feriram o decoro insultando-o. Comportamento de taberneiros de quinta. E nem uma palavra de censura, a começar pela Mesa da Camara  que acabava de ser empossada. Falta de ética, de respeito, coisa de gente desclassificada.  E fica por isso mesmo.

A implicância e a crítica inspirada no ressentimento, no ódio, no egoísmo afrontam o país, que reconhece vivermos um bom momento de baixa corrupção, muito trabalho em terminar obras abandonadas e de diminuir a burocracia. É preciso mais patriotismo, solidariedade aos que sofrem e menos ódio nos corações.

Muita gente sofre!

Jornal Midiamax