O que o fogo não destrói

Wilson Aquino*

O que o fogo não destrói

2020 entrará para a história do Brasil e do mundo como um ano excepcionalmente atípico, de profunda crise econômica, com precedente ocorrido há exatos 100 anos (Gripe Espanhola), por conta da pandemia do . Foram demitidos milhares de trabalhadores de todos os setores nos Estados brasileiros, desde o início do problema, no final do primeiro trimestre do ano. As demissões, infelizmente ainda ocorrem por conta disso.

Lamentável e triste ver jovens e adultos, pais de família, desempregados e enfrentando as maiores dificuldades para ganhar o pão de cada dia.

E foi com igual sentimento de tristeza e dor que assistimos dia 13 de setembro o incêndio que destruiu completamente as instalações físicas do da Duque de Caxias.

Do alto do terceiro andar de um condomínio vizinho onde moro, assisti com o coração apertado a grande nuvem de fumaça negra que se levantou desde os primeiros instantes da tragédia.

A dor era pelos donos do patrimônio – e não importa quantos recursos financeiras tenham, pois assim como todos nós também lutam e se esforçam pelo sucesso na vida – e pelas dezenas de novas famílias que ficariam desempregadas.

Esse pensamento invadiu a mente e pensei na tristeza daqueles que certamente estariam vendo as chamas tomarem conta de tudo, acabando com seus espaços de trabalho. Devem ter ficado atônitos, não acreditando nas imagens que seus olhos testemunhavam. Alguns, certamente se desesperaram com a ideia de não poderem mais voltar ao trabalho no dia seguinte e que entrariam na triste fila dos milhares e milhares de desempregados.

Me recusei a ver, mesmo dias depois, qualquer vídeo e fotografias referentes à tragédia. E por diversas vezes elevei o espírito em oração a Deus para que Ele colocasse as mãos sobre aquelas famílias e pessoas vitimadas direta ou indiretamente pela tragédia.

Por isso foi com grande alegria que ouvi, primeiramente na forma de “rumores” de uma decisão que seria tomada pelo grupo empresarial, de que os colaboradores não seriam dispensados. Seriam remanejados para outros estabelecimentos da rede na cidade.

Dias depois li com alegria a “Carta aberta à população de Campo Grande” onde o senhor Marco Oliveira, vice-presidente da empresa oficializou a grande notícia de que os 287 colaboradores teriam sido realocados aos outros três endereços do grupo na cidade. A outra boa notícia também veio junto, de que os trabalhos estão sendo realizados para reconstrução do prédio para entrar em funcionamento no início de 2021.

Louvável e digna de todo mérito a iniciativa da empresa de preservar o emprego de seus colaboradores nesse período crítico em que todos estamos atravessando. Não tenho dúvida de que cada um desses beneficiados desempenhará com mais alegria suas atividades por conta de tão nobre iniciativa em seu favor.

Ações recíprocas como essas, de empresários e trabalhadores é que tirarão o país da atual crise, retomando o desenvolvimento. A força de trabalho do povo desta Nação é mesmo incrível. O brasileiro é valente e trabalhador e saberá dar sua valiosa parcela de contribuição para que tenhamos, num futuro muito próximo, um país muito melhor para trabalhar e viver.

 

*Jornalista e Professor

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