Não seja escravo dos dispositivos digitais!

Wilson Aquino*

Não seja escravo dos dispositivos digitais!
Wilson Aquino

Pesquisadores estão descobrindo que os crescentes relatos de depressão, ansiedade, bullying e suicídio estão ligados à epidemia de solidão provocada, em grande parte, pelo uso disseminado de dispositivos eletrônicos pessoais. Telefones celulares, tablets e outros aparelhos são ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição.

Tem sido cena comum casais e até famílias inteiras reunidas em casa ou em locais públicos sem que seus membros se interajam com boas conversas, num bom relacionamento. Isto porque a maioria está simplesmente “desligada” do mundo real, mergulhadas no digital onde se perdem por horas e horas. Não se dão conta do que ocorre ao redor com parentes e amigos.

O pior é que o mau uso desses aparelhos não ocorre somente pelas mãos de crianças e adolescentes. Pais e mães também se perdem neles, negligenciando preciosas oportunidades de interação com os filhos; de desenvolvimento de atividades físicas e recreativas saudáveis e necessárias para o crescimento e fortalecimento da família.

O lado positivo desses aparelhos é inquestionável. Eles nos conectam a um incrível mundo de informações e permitem falarmos com familiares e amigos que estão muito longe. Entretanto, quando não são devidamente gerenciados eles podem prejudicar o relacionamento conjugal, familiar e afetar a saúde mental, espiritual e física do indivíduo, quer adulto ou infantil.

Cabe aos adultos se auto avaliarem e se corrigirem para então impor limites nos filhos para que não sofram as consequências do mau uso desses instrumentos, tanto no que diz respeito ao tempo dispensado pela conexão como também pelo seu conteúdo.

O terapeuta conjugal e familiar licenciado Geoff Steurer, num artigo na Revista LIAHONA, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, intitulado “Como gerenciar os dispositivos digitais e ter sua família de volta” dá 7 dicas de como fazer isso. Dada a importância e pertinência do tema, seguem um resumo dessas dicas:

 

1 – SEJA COMO O SALVADOR: DEDIQUE ATENÇÃO INTEGRAL – O Salvador nos mostrou como é estar realmente com as pessoas, sem distrações. Ao longo de seu ministério, Ele sempre Se concentrou no indivíduo (ver Marcos 5:25-34, 35-42; Lucas 19:2-8). Cristo dedicou integralmente Sua atenção a todas essas pessoas.

Ao seguirmos esse exemplo, ensinamos a nossos filhos como é realmente estar em um lugar de cada vez, e não dividindo a atenção entre os dispositivos e as pessoas ao redor. Quando você estiver conversando com alguém, em especial seu filho ou cônjuge, dedique-lhe toda a sua atenção, deixando o celular de lado.

Infelizmente, tornou-se rotineiro ignorar as pessoas a quem amamos para responder a uma mensagem de texto e atender às necessidades de terceiros. Isso pode ter um efeito negativo em nossos relacionamentos e transmitir a mensagem não intencional de que a pessoa à nossa frente é menos importante.

Assuma o compromisso com as pessoas ao seu lado de que elas terão prioridade sobre as interrupções causadas por seu telefone celular ou outro dispositivo eletrônico. Olhe as pessoas nos olhos. Escute como o Salvador o faria. Concentre-se.

 

2 – NÃO FAÇA DAS MENSAGENS DE TEXTO SEU MODO PREFERENCIAL DE COMUNICAÇÃO – Ao externar sentimentos sinceros ou pensamentos importantes para outras pessoas, faça isso o mais próximo possível de uma experiência presencial conforme a situação permitir. Se a comunicação cara a cara não for possível, tente uma chamada de vídeo para poder ver e ouvir a outra pessoa. Se essa opção não for viável, telefone para a pessoa de modo a poder ouvir a voz dela.

 

3 – ADIE O MOMENTO DE DAR UM CELULAR E CONTAS NAS REDES SOCIAIS A SEUS FILHOS – Adie o momento de posse de um celular e da participação nas redes sociais até que as crianças e os adolescentes desenvolvam boas habilidades sociais interpessoais, como escutar, fazer contato visual, demonstras empatia e estar consciente das pessoas ao redor.  Antes que seus filhos entrem no mundo da cidadania digital, é importante que pratiquem a boa cidadania, respeitando os outros e tendo empatia por eles.

Um dos motivos pelos quais a idade média da exposição à pornografia é 11 anos (e em muitos casos, ainda mais cedo) é o fato de muitas crianças ganharem um celular quando ainda são bem jovens. Tenha isto em mente também: mesmo que seus filhos sejam suficientemente amadurecidos para ter uma conta nas redes sociais, muitas outras pessoas online que têm acesso à conta deles não são.

 

4 – DETERMINE AS REGRAS DA FAMÍLIA E ESTABELEÇA LIMITES – Crie limites claros em seu lar para os horários em que os celulares e os demais dispositivos serão usados e quando serão deixados de lado.

Uma recomendação enfática: convide todos da família a se disporem a fazer pausas regulares na utilização dos dispositivos. Você pode designar algum local específico para coloca-los, um lugar que esteja fora de alcance e seja de difícil acesso – uma cesta na cozinha, por exemplo.

Uma família decidiu que os dispositivos deveriam ser postos para carregar deixados de lado durante e após o jantar para que os membros da família se concentrassem no convívio, sem interrupções.

Quando intencionalmente estabelecemos limites para os dispositivos, a família começa a se entrosar mais.

 

5 – EVITE JOGUINHOS E VISUALIZAÇÕES SEM PROPÓSITO – É fácil ligar os dispositivos displicentemente para relaxar, distrair-se e se divertir. Resista a essa vontade. Em vez disso, guarde o dispositivo e faça algo que estimule seus sentidos, como dar um passeio ao ar livre.

 

6 – CONDICIONE-SE A NÃO RESPONDER DE IMEDIATO – Pense bem se precisa responder imediatamente a toda mensagem e alerta. Nossos dispositivos estão nos condicionando a acreditar que toda interrupção é urgente e de vital importância, o que pode desviar nossa atenção do que mais importa. Tente reduzir o ritmo e adiar a resposta às mensagens a fim de star mais presente e atendo às pessoas a seu redor.

 

7 – ESTABELEÇA ÁREAS LIVRES DE DISPOSITIVOS DIGITAIS – Designe espaços sagrados nos quais os dispositivos nunca são permitidos. Uma família, por exemplo, decidiu que, quando estiverem andando de carro pela cidade, os celulares e outros dispositivos não serão permitidos no veículo para que os membros da família conversem entre si. Esse tipo de limite permite que haja atenção e interação contínuas, o que pode prevenir a solidão na família.


*Jornalista e Professor

Não seja escravo dos dispositivos digitais!
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