Covid-19: número de infectados passa dos 800 mil e Banco Mundial alerta para aumento da pobreza

Instituição recomenda a contenção rápida e decisiva do contágio e defende que mais vulneráveis devem ser protegidos economicamente

Com o aumento do contágio de coronavírus em grandes países, como os Estados Unidos, o número de infectados pelo novo Covid-19 ultrapassou a barreira dos 800 mil em todo o planeta, nesta terça-feira (31).  Do total, 39,7 mil estão mortas. As informações são do site WorldoMeter, que usa fontes oficiais dos governos para atualizar os números.

Ontem, o Banco Mundial alertou que a pandemia está longe de acabar na Ásia e que o continente pode ver 11 milhões de seus habitantes serem arrastados para a pobreza, à medida que os impactos econômicos representados pelo coronavírus podem levar o continente à recessão.

A instituição financeira com sede em Washington, nos Estados Unidos, ponderou, no entanto, que o impacto financeiro “parece inevitável em todos os países” e que o risco de instabilidade é alto, principalmente em países com altas dívidas privadas. “Várias economias devem contrair em 2020, o que levará a um aumento da pobreza”, diz o comunicado.

O Banco Mundial ainda alerta que, para lidar com a crise, “os países precisam agir rápido e decisivamente na contenção da contaminação, enquanto expandem a capacidade de tratamento, testes e rastreio dos infectados”. O comunicado acrescenta que “medidas fiscais devem fornecer proteção social como colchão contra os impactos, especialmente entre os economicamente mais vulneráveis”.

As recomendações para proteger a economia dos impactos do Covid-19 divergem do discurso do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (sem partido), que se engajou numa campanha anti-quarentena de que “o Brasil não pode parar”. Bolsonaro defendeu que as escolas devem voltar a funcionar e que a população economicamente ativa tem de retomar o trabalho, contrariando recomendações de órgãos de saúde nacionais e internacionais.

A insistência de Bolsonaro em não colaborar com a campanha pelo isolamento levou a especulações de que o cargo do ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) estava a perigo. Ontem, lideranças da esquerda assinaram um manifesto pedindo a renúncia do presidente, por atentar contra a saúde pública. O documento foi repercutido por grandes jornais internacionais, como o britânico The Guardian; o argentino, Clarín; e o alemão Deutsche Welle. 

A Justiça Federal do Rio de Janeiro ainda ordenou a suspensão da campanha anti-quarentena de Bolsonaro, que visava usar recursos públicos para estimular a população a sair de suas casas. No último domingo, Bolsonaro passeou nas ruas de Brasília, causando aglomerações por onde passava, numa clara afronta às recomendações do ministro Mandetta.

 

 

Covid-19: número de infectados passa dos 800 mil e Banco Mundial alerta para aumento da pobreza
Mais notícias