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Ex-guarda nazista de 93 anos é condenado na Alemanha

Um tribunal alemão condenou um homem de 93 anos nesta quinta-feira, 23, por ajudar os nazistas a matarem milhares de pessoas enquanto trabalhava como guarda em um campo de concentração na Polônia, há mais de 75 anos. O julgamento pode ser um dos últimos a serem proferidos contra um participante vivo do Holocausto. O tribunal […]

Agência Estado Publicado em 23/07/2020, às 12h56 - Atualizado às 14h58

O ex-guarda nazista, Bruno Dey. (Reprodução/France 24)
O ex-guarda nazista, Bruno Dey. (Reprodução/France 24) - O ex-guarda nazista, Bruno Dey. (Reprodução/France 24)

Um tribunal alemão condenou um homem de 93 anos nesta quinta-feira, 23, por ajudar os nazistas a matarem milhares de pessoas enquanto trabalhava como guarda em um campo de concentração na Polônia, há mais de 75 anos. O julgamento pode ser um dos últimos a serem proferidos contra um participante vivo do Holocausto.

O tribunal estadual de Hamburgo considerou Bruno Dey cúmplice de 5.230 assassinatos – número de pessoas que acredita-se que tenham morrido campo de concentração de Stutthof.

Dey atuou como guarda de agosto de 1944 até abril de 1945. Ele chegou ao tribunal estadual de Hamburgo sentado em uma cadeira de rodas e usando uma máscara cirúrgica azul por causa do surto do novo coronavírus. Durante a maior parte do julgamento, colocou uma pasta na frente do rosto para evitar ser identificado nas fotografias.

Bruno Dey trabalhou no campo de concentração nos meses finais da Segunda Guerra Mundial. “Como você pode se acostumar com o horror?”, perguntou a juíza Anne Meier-Goering ao anunciar o veredicto.

Ele foi julgado em um tribunal juvenil por ter apenas 17 anos de idade na época dos crimes e recebeu uma sentença suspensa de dois anos – ele não precisará ir para uma penitenciária. A avaliação dos promotores levou em conta a idade e a vontade de cooperar com as autoridades.

Mas os sobreviventes e aqueles que os representam criticaram a sentença. “É insatisfatório e tarde demais”, disse Christoph Heubner, do Comitê Internacional de Auschwitz, que acompanhou o julgamento. “O que é tão perturbador para os sobreviventes é que esse réu não usou os muitos anos do pós-guerra de sua vida para refletir sobre o que viu e ouviu”. (Com agências internacionais)

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