Após “doar” 2 milhões de comprimidos ao Brasil, EUA suspendem uso de cloroquina

Medicamento só será incluso nas recomendações do governo para tratamento da covid caso sua eficácia seja cientificamente comprovada

Autoridades sanitárias dos Estados Unidos anunciaram nessa segunda-feira (15) a decisão de revogar “a autorização de uso emergencial que permitia que o fosfato de e o sulfato de hidroxi fossem utilizados para tratar certos pacientes hospitalizados com COVID-19”. Agora, a recomendação só será incluída em um protocolo do governo caso haja comprovação científica de sua eficácia contra a covid e seu uso emergencial foi rejeitado.

A notícia vem poucas semanas depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciar que os americanos estavam doando 2 milhões de comprimidos do medicamento para malária ao Brasil. 

Tanto Bolsonaro como o presidente americano, , defenderam entusiasmadamente o uso do medicamento para pacientes com covid, mesmo que sua eficácia contra o novo vírus não tenha embasamento científico, com estudos preliminares indicando, inclusive, que a pode aumentar a mortalidade de pacientes infectados pelo coronavírus.

Nos EUA, a imprensa americana levantou suspeitas sobre as intenções de Trump ao recomendar o uso da , uma vez que alguns de seus assessores são acionistas da Sandofi, farmacêutica francesa que produz medicamentos à base do princípio ativo.

“Deixamos claro em toda a emergência de saúde pública que nossas ações serão orientadas pela ciência e que nossas decisões podem evoluir à medida que aprendermos mais sobre o vírus SARS-CoV-2, revisarmos os dados mais recentes e considerarmos o equilíbrio entre riscos e benefícios dos tratamentos para a COVID-19”, disse Anand Shah, Comissário Adjunto para Assuntos Médicos e Científicos da Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (FDA, na sigla em inglês).

“A FDA sempre sustenta suas decisões com as evidências mais confiáveis, de alta qualidade e atualizadas disponíveis. Continuaremos a examinar todas as autorizações de uso emergencial que a FDA emitiu e faremos mudanças, conforme apropriado, com base em evidências emergentes”, afirmou.

“Enquanto estudos clínicos adicionais continuam a avaliar o benefício potencial desses medicamentos no tratamento ou prevenção da COVID-19, nós determinamos que a autorização de uso emergencial não era mais apropriada. Esta ação foi tomada após uma avaliação rigorosa por cientistas em nosso Centro de Avaliação e Pesquisa de Medicamentos”, disse Patrizia Cavazzoni, diretora interina do Centro de Avaliação de Medicamentos do FDA.

OMS

Também nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que deverá tomar uma decisão sobre a manutenção ou não dos testes sobre o remédio.

No mês passado, a organização informou que o uso da hidroxi estava suspenso no ensaio clínico internacional (“Solidarity”). A decisão foi baseada em um estudo publicado na revista científica The Lancet. 

O estudo concluiu que o uso da ou da hidroxi em pacientes com coronavírus, mesmo quando associadas a outros antibióticos, aumenta o risco de morte e de arritmia cardíaca.

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