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Vice-premiê da Áustria renuncia após escândalo de corrupção

O vice-chanceler austríaco Heinz-Christian Strache renunciou ao cargo, como consequência das revelações de prevaricação eleitoral por dois veículos de imprensa alemães. O anúncio foi feito numa coletiva de imprensa em Viena, neste sábado (18).

Aos jornalistas ele admitiu ter cometido “um erro” e que renunciava para evitar a queda do governo formado por seu ultradireitista Partido da Liberdade (FPÖ) e o conservador Partido Popular Austríaco (ÖVP): “Hoje tive uma reunião com o chanceler Sebastian Kurz e lhe ofereci minha demissão, que ele aceitou.” Strache também entregará o cargo de presidente do FPÖ a seu vice, Norbert Hofer.

O escândalo ocorre a uma semana das eleições para o Parlamento Europeu e agora, com Viena em meio a uma crise, não está claro se a coalizão entre conservadores e extremistas de direita será mantida ou dissolvida.

Vídeo

Ontem (17), o jornal alemão Süddeutsche Zeitung e a revista Der Spiegel divulgaram um vídeo feito com uma câmera escondida na ilha espanhola de Ibiza em julho de 2017, antes de Strache se tornar membro do atual governo austríaco, sob comando de Kurz, do ÖVP.

As imagens mostram um encontro entre o agora ex-vice premiê e uma mulher que se apresenta como sobrinha de um oligarca russo, dizendo-se interessada em investir grande volume de dinheiro na Áustria. Também participou do encontro um aliado próximo de Strache, o deputado Johann Gudenus, do FPÖ.

A russa, que não foi identificada, promete doar 250 milhões de euros e sugere várias vezes que o dinheiro teria sido obtido de maneira ilegal. “No entanto, Strache e Gudenus permaneceram na reunião por cerca de seis horas e discutiram sobre oportunidades de investimento na Áustria”, escreve a revista alemã.

Na reunião, Strache teria dito à mulher que ela obteria lucrativos contratos de construção na Áustria se comprasse um jornal austríaco e declarasse apoio ao FPÖ nas eleições parlamentares daquele ano. Ele também afirmou que, se a magnata russa ajudasse o partido a sair vitorioso, “poderia fundar uma empresa como a Strabag”, referindo-se a uma importante empreiteira austríaca. “Ela receberá todos os contratos governamentais que a Strabag recebe agora”, acrescentou.

Strache e Gudenus admitiram o encontro em Ibiza, mas alegaram ter se tratado de uma reunião “puramente privada” e envolvendo muito álcool. Além disso, ao longo da noite teriam lembrado repetidas vezes “as regulamentações legais relevantes e a necessidade de levar em conta a lei austríaca”.

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