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Justiça eleitoral da Turquia anula eleição em Istambul

Órgão atende a pedido do partido de Erdogan, que, após sofrer uma contundente derrota, denunciou irregularidades no pleito municipal. Oposição diz que decisão "escancara ditadura" no país

A instância máxima da Justiça Eleitoral da Turquia anulou na segunda-feira, 06, a eleição municipal de Istambul, que em março marcou a derrota para o presidente Recep Tayyip Erdogan e encerrou um ciclo de mais de 20 anos de hegemonia do grupo político do mandatário na administração da cidade.

Segundo a agência de notícias estatal Anadolu, a Justiça Eleitoral determinou ainda a realização de um novo pleito na cidade, a maior da Turquia. A decisão atendeu a um pedido da legenda de Erdogan, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que havia apontado supostas irregularidades no pleito vencido pelo oposicionista Ekrem Imamoglu.

A eleição municipal ocorreu em 31 de março. Na ocasião, o opositor Partido Republicano do Povo (CHP) conseguiu desbancar o candidato de Erdogan por uma diferença de 0,16% – menos de 14 mil votos.
O partido de Erdogan também perdeu em Ancara, a capital do país, e falhou em desbancar a oposição do controle de Izmir, a terceira maior cidade da Turquia.

Segundo a Anadolu, 7 dos 11 membros do Conselho Superior Eleitoral da Turquia votaram a favor de uma nova eleição em Istambul. Em seu pedido, o AKP apontou problemas na contagem de votos, discrepâncias entre o número de votos e o de eleitores registrados, entre outras suspeitas.

A decisão da corte deve aumentar a tensão na Turquia, que tem sido palco de conflitos sociais por causa da má situação econômica do país e o crescente autoritarismo de Erdogan. A nova eleição está prevista para ocorrer em 23 de junho.

O oposicionista Imamoglu já tomou posse como prefeito de Istambul, em uma cerimônia no dia 17 de abril. Após o anúncio que anulou o pleito, o CHP disse que a decisão “escancara a ditadura” no país. O vice-líder do CHP, Onursal Adiguzel, também protestou contra a decisão em sua conta no Twitter. “É ilegal ganhar do AKP. Um sistema que anula vontade do povo e desconsidera a lei não é nem democrático nem legítimo”, disse.

Durante as eleições municipais, Erdogan qualificou seus adversários de inimigos do Estado, acusando-os de manter relações com milícias curdas ou com o banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que o governo considera terrorista.

O presidente ainda exibiu durante comícios o vídeo registrado pelo autor do recente massacre de muçulmanos na Nova Zelândia, como parte de uma tentativa para agitar o eleitorado religioso do seu país. O uso do vídeo provocou protestos do governo neozelandês.

Organizações de defesa dos direitos humanos e até países aliados da Turquia no Ocidente vêm alertando para as ameaças à democracia sob a liderança de Erdogan, em particular após o fracassado golpe de Estado em 2016, ao qual o governo reagiu com medidas repressivas e com a prisão de dezenas de milhares de pessoas.

O apoio ao AKP, que advém em grande parte do progresso econômico do país, foi abalado pela queda abrupta da lira turca, que gerou temores de uma nova crise. A inflação já chega aos dois dígitos, enquanto aumentam os preços dos alimentos e os índices de desemprego.

Com informações da Deutsche Welle

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