Crise na Coreia do Sul: autoridades fazem buscas na Samsung

Um porta-voz da confirmou a ação, sem dar mais detalhes

A procuradoria sul-coreana realizou nesta quarta-feira (23) uma operação de busca no grupo e no Fundo de Pensão Nacional, como parte da investigação sobre o escândalo de tráfico de influência na presidência do país.

O Group é suspeito de ter subornado Choi Soon-Sil, amiga e confidente há 40 anos da presidente Park Geun-Hye, para obter a aprovação do governo para uma fusão controversa em 2015.

Os investigadores da procuradoria realizaram buscas nas instalações do Departamento de Estratégia da , que supervisiona todas as decisões importantes do conglomerado, de acordo com a agência Yonhap.

Um porta-voz da confirmou a ação, sem dar mais detalhes.

A fusão contestada foi vista como um passo crucial para assegurar uma transferência de poder no topo do grupo, em favor do herdeiro Lee Jae-Yong.

Aqueles contra a fusão perderam a batalha, mas sua campanha virulenta representou uma revolução na Coreia do Sul, onde as grandes empresas familiares, os famosos "chaebol", são acostumados a realizar manobras sem qualquer consideração para com os acionistas menores.

A operação havia sido votada, entre outros, pelo Serviço Nacional das Pensões e Aposentadorias (NPS) de Seul, um dos principais acionistas da .

A procuradoria realizou operações em várias instalações do fundo de pensão, de acordo com um porta-voz do serviço que administra fundos de 543 trilhões de won (434 bilhões de euros), o terceiro maior fundo de pensão do mundo.

O NPS é supervisionado pelo Ministério dos Assuntos Sociais e seu ministro de então era visto como sendo muito próximo da presidente Park.

Novas manifestações programadas

Choi foi presa no início de novembro por abuso de poder e extorsão. Ela é acusada de ter usado sua amizade com Park para forçar grupos da indústria a pagar dinheiro para duas fundações questionáveis para fins pessoais.

A procuradoria suspeita que a presidente agiu em "conluio" nas atividades ilícitas de Choi e pede para interrogá-la.

A presidente nega as acusações, chamando-as de "fantasias" fundadas na "imaginação".

Park havia inicialmente manifestado a sua vontade de ser ouvida pela justiça, mas seu advogado afirmou no domingo que ela só responderia a uma equipe de investigadores independentes que deve ser criada em breve.

O ministro da Justiça Kim Hyun-Woong e um colaborador da presidente, que já ocupou o cargo de procurador, apresentaram sua renúncia nesta quarta-feira, refletindo as tensões entre a presidência e a procuradoria.

A popularidade da presidente Park não para de diminuir por causa do escândalo, enquanto centenas de milhares de manifestações protestam regularmente para exigir a sua renúncia.

Os opositores anunciaram uma nova manifestação para sábado, prevendo a participação de mais de 1,5 milhão de pessoas.

, o primeiro grupo industrial da Coreia do Sul, teria pago 20 bilhões de wons (15,8 milhões de euros) às fundações de Choi.

A também é suspeita de ter financiado com 2,8 milhões de euros a formação equestre da filha de Choi na Alemanha.

O departamento de publicidade da é suspeito, por sua vez, de ter dado dinheiro para uma fundação esportiva dirigida por uma sobrinha de Choi.

Vários executivos da , incluindo Lee, foram ouvidos no contexto do escândalo, que revela as ligações, por vezes, pouco saudáveis entre os conglomerados sul-coreanos e o poder político.

O escândalo tomou outro rumo incomum quarta-feira quando o presidente foi forçado a explicar compras maciças de Viagra e outras drogas úteis no tratamento da disfunção eréctil, reveladas por um membro da oposição. Um porta-voz presidencial assegurou que essas pílulas eram para ser usado se necessário para afastar a montanha mal durante uma viagem presidencial maio 2015 Africano alta altitude.

O escândalo ganhou um novo capítulo nesta quarta quando a presidência da Coreia do Sul teve que apresentar explicações sobre a compra de Viagra e de outros remédios similares para tratamento da disfunção erétil.

Um porta-voz de Park afirmou que os comprimidos foram comprados para evitar possível mal-estar durante uma visita da presidente em maio a vários países africanos com áreas de altitude elevada, como a Etiópia.

"Nós compramos para a viagem, mas não os usamos", disse Jung Youn-Kuk à imprensa, antes de destacar que o medicamento é conhecido por sua eficácia contra o mal-estar em altitudes.

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