Músicos lamentam a morte de Dino Rocha, o Rei do Chamamé

Sanfoneiro faleceu na noite do último domingo (17) após estar 27 dias internado no Hospital Regional de Campo Grande

“Vai gaivota pantaneira, revoando o Rio Taquarí
Vai mostrar pra quem nunca viu, passarinhos cantando lado a lado às margens do rio.
Vai gaivota pantaneira, cantando esse céu azul
convidar a gente brasileira para conhecer o nosso Mato Grosso do Sul”

 

Com esse verso, o Brasil sente a perda da Gaivota Pantaneira, o grande sanfoneiro Dino Rocha. Falecido na noite do último domingo (17), Dino entra para a memória do chamamé pantaneiro ao lado de ícones da música que nos deixaram nos últimos anos, como Délio, da dupla com Délinha, falecido em 2010, e Amambaí, dupla de Amambai, falecido em abril de 2018.

Músicos e pessoas que viveram com Dinho ressaltaram a importância da carreira musical do sanfoneiro filho de alemães e gaúchos, ícone da música fronteiriça de Mato Grosso do Sul e considerado o Rei do Chamamé, natural de Juti (MS), mas que passou por Ponta Porã e Campo Grande.

“Uma perda muito grande para a música tanto sul-mato-grossense quanto brasileira, já que o Dino Rocha fundou uma escola dentro do acordeom brasileiro com uma maneira de tocar nova, ligado ao chamamé e a música fronteiriça brasileira, colocando o mato grosso do sul no mapa ao lado de grandes nomes do nordeste e do sul. Tive o prazer, e a sorte, de tocar com ele e ter momentos inesquecíveis com esse fenômeno da sanfona que extrapolou o Mato Grosso do Sul e que não pode deixar de ser lembrado”, ressaltou o músico e também escritor Rodrigo Teixeira com quem Dino compartilhou os palcos em várias cidades do Mato Grosso do Sul em 2017 durante o projeto “Histórias e Músicas da Fronteira”.

A musicista e também sanfoneira Lenilde Ramos também falou em entrevista ao Jornal Midiamax sobre a notoriedade da carreira do músico e do seu legado para a música pantaneira. “Tive o privilégio de ter conhecido e acompanhado o trabalho dele de maneira bem próxima. Tudo que se fale a respeito dele sempre vai faltar algo. Quem o conheceu sabe da dimensão do talento dele, o que representa para a música do mato grosso do sul. Ele foi importante como ele próprio, por ser auto didata e era um gênio, alem de ser um grande instrumentista. Zezé di Camargo teve ele com um dos maiores sanfoneiros do Brasil”, relatou.

“Todos músicos do país inteiro tinha um respeito por ele, que levava o nome do estado com muita categoria. Ele inventou um estilo de tocar chamado de duetado, como se fossem duas vozes que cantando, um desafio para qualquer música. Sentimos por ele não ter tido um grande empresário. Sentimos muito a partida mas a herança que ele deixa é muito preciosa e devemos dar valor a essa história”, finalizou Lenilde.

Nas redes sociais, a também sanfoneira Jakeline, da dupla Jane e Jakeline, lamentou a morte do músico tido como referência no estado e no país. “Nosso chamamé está em luto perdemos uma “Lenda” Dino Rocha. Ele se foi mais deixou sua marca, marca essa que ninguém poderá apagar. Suas composições de maneira única,chamamés tocados de um jeito sentido que chamou a atenção de muitos famosos pelo nosso Brasil. Obrigada mestre pelos seus chamamés deixados para todos nós,que Deus te dê uma linda morada descanse em paz!”, escreveu Jakeline.

O cantor Falcão, da dupla com Guilherme, também homenageou Dino nas redes sociais. “Mato Grosso do Sul está de luto. Na noite de ontem, recebemos a triste notícia do falecimento de um dos maiores nomes da cultura sul-mato-grossense, o senhor Dino Rocha. Tive o prazer de estar algumas vezes com ele, e o melhor, admirando seu talento. Poucos sanfoneiros tinham a agilidade que ele tinha nas mãos. Esse último encontro mostra o carinho que tínhamos um pelo outro. Descanse em paz, Dino. Meus sentimentos a toda família e amigos.”, escreveu.

O Governo de Mato Grosso do Sul também se manifestou na manhã desta segunda-feira (18) com uma nota de pesar pelo falecimento do sanfoneiro Dino Rocha. “Ícone da música regional, um dos maiores nomes do chamamé – ritmo que transpôs fronteiras e se tornou a identidade cultural do povo sul-mato-grossense. A música de Mato Grosso do Sul está de luto”.

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