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Brô MCs traz rap de denúncias carregado de propriedade ao Fasp

Apresentação antecedeu show do raper Criolo

Propriedade! É o que define a música do Brô MCs, primeiro grupo indígena de rap que leva as denúncias e questões dos povos para o Brasil e para o mundo através da música. Autoridade! Dá o tom das letras cheias da realidade dos povos indígenas.

(Foto: Marcos Ermínio)

Apesar dos 10 anos de carreira e de terem recentemente voltado de uma turnê na Alemanha, o palco do 14º Festival América do Sul Pantanal deu lugar à primeira grande apresentação do Brô MCs em seu Estado natal. Para o grupo de Dourados, foi um grande feito e a emoção regeu a fala dos integrantes após o show.

(Foto: Marcos Ermínio)

“Foi mais uma conquista, acredito que a gente sumiu mais um degrau”, explica Bruno Veron, um dos integrantes do grupo. Enquanto fala, é possível perceber a honra e a emoção ao “representar o povo Guarani Kaiowá”. E faz a ressalva “não só nosso povo, mas como o povo de várias etnias existente no Brasil. É um festival grande, a gente nunca pensou em tocar num festival grande assim”, declara Bruno com lágrimas nos olhos.

Público reagiu em apoio às denúncias das composições do Brô MCs. (Foto: Marcos Ermínio)
Público reagiu em apoio às denúncias das composições do Brô MCs. (Foto: Marcos Ermínio)

Mas a emoção não foi somente dos artistas. Quem assistiu vibrou a cada verso, sendo em Guarani ou em Português.

Durante a execução das canções, o público reagia às denúncias. O público recebia com entusiasmo e palmas os versos de enfrentamento às ameaças e desmandos dos fazendeiros. Nunca a discriminação e a indiferença das quais os indígenas são alvo tocaram tão fundo em espectadores.

Carreira do Brô MCs

Bruno conta que a passagem pela Alemanha “levou um pouco da realidade pra lá, pra mostrar como o indígena é visto no Brasil. Foi uma experiência bem interessante, logo de cara eles gostaram do rap; o que a gente não via no Brasil, viu lá. Somos mais valorizados lá fora”, conta.

(Foto: Marcos Ermínio)

Após serem inspirados por um programa de rádio em Dourados, os amigos iniciaram os próprios raps há 10 anos. De início os próprios indígenas relutaram em aceitar o estilo da música, mas após apresentarem as faixas para as lideranças e caciques mais antigos, obtiveram apoio.

“Quando eles viram que as letras falavam da nossa realidade, eles nos apoiaram. Agora até crianças e jovens nos apoiam”, relata Bruno.

Segundo ele, após a trajetória, outros grupos de rap surgiram, na própria comunidade e em outros estados do Brasil.

A visibilidade do Brô MCs é incipiente e eles reconhecem tal notoriedade, mas o que declaradamente os motiva a continuar levar a mensagem e a causa indígena.

O 14º Festival da América do Sul Pantanal começou nesta quinta-feira (24) e segue até o próximo domingo (27), com programação em Corumbá, Ladário, e nas cidades bolivianas Puerto Quijarro e Puerto Suarez.

A repórter Tatiana Marin cobre o Fasp 2018 a convite da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

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