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Como Juliette fez Brasil voltar a torcer pela “mocinha” e odiar os “vilões”?

No âmbito do entretenimento, é comum a figura do vilão se sobressair, ofuscando os “mocinhos” da história. Por vezes, os malvados apresentam perfis mais complexos, humanos, enquanto os ditos mocinhos caem na apatia e se tornam desinteressantes por suas fraquezas. É por isso que nos últimos tempos nos habituamos a ver as pessoas torcendo para […]

João Ramos Publicado em 30/03/2021, às 14h50 - Atualizado às 14h56

Divulgação da participante do BBB 21 (Reprodução, TV Globo)
Divulgação da participante do BBB 21 (Reprodução, TV Globo) - Divulgação da participante do BBB 21 (Reprodução, TV Globo)

No âmbito do entretenimento, é comum a figura do vilão se sobressair, ofuscando os “mocinhos” da história. Por vezes, os malvados apresentam perfis mais complexos, humanos, enquanto os ditos mocinhos caem na apatia e se tornam desinteressantes por suas fraquezas.

É por isso que nos últimos tempos nos habituamos a ver as pessoas torcendo para os vilões das histórias, preferindo os tipos mais incorretos e torcendo contra os “bonzinhos”. Como, por exemplo, a predileção por Carminha em “Avenida Brasil”, Nazaré em “Senhora do Destino”, Laureta e Carola em “Segundo Sol”, Fabiana em “A Dona do Pedaço” e tantos outros perfis, mencionando apenas produções nacionais, sem contar os filmes e séries.

Essa inversão de valores vem sendo desfeita pelo BBB 21, que apresentou uma heroína forte, injustiçada, de postura e atitudes firmes, que não abaixa a cabeça para ninguém e continua sendo atacada por quem se sente ameaçado diante de sua fortaleza.

Desde a primeira semana do reality, o país se uniu por uma causa: a advogada e maquiadora paraibana Juliette Freire, que foi discriminada, debochada, excluída e permanece sendo alvo da casa.

A força de Juliette conseguiu reverter os valores de uma forma mais justa, fazendo os brasileiros voltarem a torcer pela “mocinha” e odiarem os “vilões”. Os arquétipos no BBB 21 são muito bem definidos e isso não é comum na vida real, só na ficção.

Karol Conká tinha sua postura, Nego Di, Lumena e Projota também. Mesmo fortes, imponentes e provocadores como uma Paola Bracho, o país não comprou o comportamento do “gabinete do ódio” e ficou do lado de quem era “do bem”.

Onde está a diferença entre Paola Bracho ou Soraya Montenegro e Karol Conká e companhia? As primeiras são fictícias e o grupinho era real? Pode ser. Mas o maior peso está na figura da “mocinha” e toda sua personalidade apresentada.

Juliette não é fraca, não é boba, ela conversa, se impõe, não abaixa a cabeça, tem firmeza e tantas outras qualidades que a tornam uma protagonista forte, exemplo para as pessoas e digna de inspiração. Quando o telespectador se depara com mocinhos insossos, ingênuos, sem atitude, a tendência é que o público passe a preferir quem o combata.

O tipo forte de Juliette quase não abre brechas para uma torcida contrária, embora ela exista. Após a eliminação do grupo de Conká, os próprios amigos da advogada, Sarah e Gilberto, viraram seus algozes. Isso fundamenta ainda mais a argumentação. Também queridos pelo Brasil, Sarah e Gil se tornaram novos vilões quando passar a diminuir Juliette. O Brasil amava os dois, mas passou a odiá-los pelas vilanias que fizeram.

O perfil da paraibana pode e deve ser levado em conta pelos escritores da dramaturgia se inspirarem na criação de seus protagonistas, aprendendo a construir tipos que provocam empatia e torcida, que são bonzinhos e corretos mas que não são bobos. A garantia é o sucesso.

Enxergar a vida buscando mocinhos e vilões não é a melhor forma de encarar a realidade. As pessoas são humanas, falhas, cometem erros. Mas o entretenimento, de forma geral, sempre acaba conduzindo seu público para esse olhar. Os tipos, na maioria das vezes, não são tão identificáveis. É difícil acontecer de um ser humano real ter esses aspectos bem definidos, mas o BBB 21 mostrou que, sim, é possível, e eles existem.

Jornal Midiamax