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Trans, advogada e negra: Alanys Matheusa morre aos 22 anos

A jovem advogada Alanys Matheusa, um ponto fora da curva, mulher trans, negra e periférica moradora do Bairro Guanandi teve uma parada cardiorrespiratória.

Carlos Yukio Publicado em 14/04/2020, às 11h54 - Atualizado às 14h48

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Trans, advogada e negra: Alanys Matheusa morre aos 22 anos

Morreu na manhã desta terça-feira (14), a jovem advogada Alanys Matheusa. Um ponto fora da curva, a mulher trans, negra e periférica moradora do Bairro Guanandi teve uma parada cardiorrespiratória. De acordo com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Alanys deu entrada na Upa Leblon às 7h e a morte foi constatada às 7h20.

A jovem ganhou notoriedade nacional no último ano após ser destaque na revista Intercept Brasil como a primeira mulher trans negra a se tornar advogada em Mato Grosso do Sul.

Alanys conquistou uma bolsa de 100% do Prouni em uma universidade da capital Campo Grande e passou na prova da OAB ainda enquanto estudava. A formatura da jovem aconteceu no fim do ano passado. A jovem já estava além de outras mulheres trans e travestis, que já tem como desafio a conclusão do Ensino Fundamental e Médio.

Trans, advogada e negra: Alanys Matheusa morre aos 22 anos
A advogada em sua formatura em março deste ano Reprodução, Facebook)

“Minha mãe me disse que eu tinha que me manter firme, porque haveria muitos momentos difíceis na vida. Ouvir seu conselho me levou à universidade. Estou terminando na condição de única negra da turma”, disse em entrevista na ocasião a jovem que ainda sonhava em ser juíza.

Segundo familiares e amigos próximos da advogada, Alanys já sofria com problemas cardiorrespiratórios. Em postagem nas redes sociais, muitos não acreditaram na notícia e prestaram homenagem à jovem inspiração. “Eu sempre vou lembrar dela como a pessoa maravilhosa que ela foi e a luz dela vai continuar a iluminar nossa caminhada”, escreveu uma colega.

O Fórum Estadual LGBT divulgou uma nota de pesar em homenagem à jovem:

É compesar que comunicamos o falecimento hoje pela manhã da nossa companheira de luta e advogada Alanys Matheusa.Ela foi a primeira mulher negra e transexual a se formar em direito em Mato Grosso do Sul. Essa conquista já nos dá a dimensão da sua trajetória de luta, militância e resistência. Ela definia-se como funkeira marxista, anti-capitalista e juíza em formação. Nesse momento de dor e despedida, manifestamos nosso pesar e solidariedade aos familiares e amigos.

Fórum Estadual LGBT

Jornal Midiamax