Rinite alérgica: como lidar com o problema durante a estiagem

Especialista e pessoas com a doença inflamatória mostram como lidar com os espirros e coceiras no tempo seco

Espirros recorrentes, coceiras nos olhos e no nariz, além da dificuldade para respirar são alguns dos sintomas que surgem durante o período de estiagem, quando a falta de chuvas diminui a umidade do ar. Para agravar ainda mais a temida rinite alérgica, o Mato Grosso do Sul passa por um dos períodos mais quentes do ano com máximas que chegam a 40ºC. Conversamos com um especialista e com pessoas que passam pelo problema diariamente para desmistificar os problemas respiratórios de uma vez por todas.

Caracterizada principalmente pela irritação do nariz e dos olhos, a rinite alérgica é a capacidade da pessoa de tornar-se sensível a um determinado fator ambiental, ou seja, quando o corpo da pessoa passa a identificar certos agentes como nocivos ao corpo, mesmo que algum dia eles tenham sido tolerados.

“As estatísticas mostram que a população brasileira tem até 50% de pacientes com rinite alérgica. Coriza, espirros em salva, obstrução nasal e alterações no olfato são as queixas mais comuns. Se alguém tiver esses sintomas de maneira recorrente deve procurar um médico”, explica o otorrinolaringologista Dr. Antônio E. Bortoleto Jr.

Principais causas

A doença é causada por uma reação exagerada do nosso sistema imune a fatores habituais do ambiente. Para ter uma rinite, basta que a pessoa apresente uma tendência genética ou familiar, oportunidade de contato com os alérgenos e que esses alérgenos sejam bons sensibilizantes.

A maior urbanização da população e o consumo de alimentos e diversos produtos industrializados, cheios de substâncias não naturais são alguns dos fatores que podem ser gatilhos para os sintomas. Bons hábitos são o começo de qualquer promoção de saúde.

“O calor força os brasileiros para dentro de ambientes com ar condicionado, e ainda que os choques térmicos ao sair e entrar dessas salas seja inevitável e prejudicial, a manutenção adequada dos filtros pode contribuir muito para minimizar os efeitos negativos do ar condicionado. No ambiente doméstico evitar o acúmulo de poeira, arejar bem os ambientes. Trocar os travesseiros antigos, acumulam muito ácaro com o tempo”, reitera o otorrinolaringologista.

“Eu sofro bastante em tempos secos. E não precisa ser época de estiagem. Basta alguns dias sem chover que já me ataca. Eu não sei afirmar se todo mundo que tem rinite tem bronquite, mas esse é o meu caso. Que no fim das contas acaba agravando mais. Lugares empoeirados eu sei sem ter q passar a mão nas coisas pq os espirros, congestão nasal e olhos coçando já começa a atacar.

– Anderson Miguel (26), consultor de vendas.

A estiagem e as alergias

(Marcos Ermínio, Jornal Midiamax)

Mudanças climáticas afetam muito o nariz, porque esse órgão é o nosso filtro com o ambiente, e qualquer alteração pode desencadear uma resposta da mucosa nasal, que entende aquilo como uma ameaça, provocando aquela “coceirinha” dentro do nariz. Apesar de ser mais comum na infância, a rinite pode se manifestar em qualquer fase da vida.

“O tempo seco aumenta muito a poeira além de diminuir a umidade e aumentar o ressecamento da mucosa nasal. Manter-se sempre bem hidratado e fazer a lavagem nasal com soro fisiológico 4 vezes ao dia”, explica o médico Antônio E. Bortoleto Jr..

Desde criança tenho rinite, principalmente com poeira ou quando a temperatura muda muito rápido. A minha imunidade é baixa e isso influencia muito. Hoje o tempo ta mais seco, acredito que seja por causa das queimadas, e da pra sentir. Além de espirrar muito, acabo tendo dificuldade em respirar. Remédio, água, sempre ajuda, e lavar o rosto sempre também, mas na maioria das vezes nem isso.

– Alex Nantes (19), universitário

Remédios e tratamentos

Quando se trata de rinite medicamentosa e irritativa, pode-se dizer que elas têm cura: basta remover o fator que esteja causando esses tipos de rinite. Já a rinite alérgica não tem cura, mas apresenta controle através do tratamento. O protocolo do tratamento é baseado em quatro pontos: controle ambiental para reduzir o contato com os alérgenos, medicação profilática (corticoides, tópicos nasais e higiene nasal com soro fisiológico), medicação de crises (anti-histamínicos) e imunoterapia (vacinas), mas tudo deve ser acompanhado por um profissional.

(Reprodução, Twitter)

“O remédio que acaba por viciar as pessoas e fazê-las andarem com ele na bolsa NÃO É UM REMÉDIO PARA RINITE ALÉRGICA. Normalmente são drogas com efeito vasoconstritor, não tem nenhuma propriedade anti alérgica e consequentemente vai piorar o quadro com o uso prolongado. Acaba por desenvolver uma doença chamada rinite medicamentosa”, explica Dr Antônio Bortoleto Jr..

O acompanhamento adequado é necessário para que o diagnóstico correto seja dado e o problema tratado da melhor forma possível. O advogado Johnny Mike (25) descobriu que a rinite que o irritava e era motivo de espirro e coceira na garganta, era causa por um desvio de septo. Logo após a cirurgia, os sintomas desapareceram.

Só na fase adulta consegui solucionar o problema. Em resumo, fui consultar um otorrino para ver uma suspeita de problema na amígdala quando ele resolveu fazer um check-up e descobriu que eu tinha desvio de septo com uma respiração em um dos lados do nariz de cerca de 35% só. Aí decidimos fazer a cirurgia de tudo, retirada da amígdala e desvio de septo. Nesta, retirou uma espécie de mucosa e “carne esponjosa” que causava a rinite e também sinusite.

– Johnny Mike (25), advogado

“Há diversos tratamentos para a rinite e um médico otorrinolaringologista é o profissional adequado para, além de orientar o tratamento, diagnosticar outras causas, desvio septal e sinusite por exemplo, que podem acentuar os sintomas da rinite, que causa obstrução da passagem de ar. O tratamento da rinite depende do controle alérgico. Entretanto, se a rinite causar muita dificuldade respiratória associada ao desvio septo, a cirurgia melhora muito a passagem de ar e melhora o principal sintoma da rinite”, finaliza o médico Antônio E. Bortoleto Jr..

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