K-Pop: o gênero que popularizou a cultura sul-coreana em Campo Grande

Grupos ensaiam coreografias de nível difícil para competições e até aprendem a falar a língua asiática

O K-pop, abreviação de korean pop (pop coreano), é um dos gêneros musicais e estilos de vida que mais cresceram no Brasil durante os últimos anos com a globalização, e Campo Grande não é uma exceção à onda asiática que começou ainda nos anos 90 e se tornou o gênero mundialmente famoso que bate de frente com a cultura ocidental.

Mesmo com raízes asiáticas, o K-pop abrange os estilos e gêneros incorporados do ocidente como pop, rock, R&B, hip hop, folk, country e reggae. A Coreia do Sul é lar de vários grupos, cujos integrantes têm suas vidas compartilhadas – quase que ao vivo – com fãs por meio das redes sociais e são submetidos a regras rígidas.

D.I.P é o primeiro boygroup de k-pop que vem ao Brasil e passa por Campo Grande. (Divulgação)
D.I.P é o primeiro boygroup de k-pop que veio ao Brasil e passou por Campo Grande. (Divulgação)

No ano de 2018, o boygroup D.I.P (Diplomat), um dos grupos com projeção internacional, veio para o Brasil pela primeira vez e fez show em Campo Grande, no dia 25 de julho, no Teatro Glauce Rocha.

O grupo, composto por seis membros, sendo eles SeungHo, Soomin, B.Nish, Uhyeong, TaeHa e Jiwon, escolheu o Brasiç como destino depois de inúmeras mensagens de fãs brasileiros. O show doi promovido pela Parada Nerd, um dos eventos de maior projeção geek do Mato Grosso do Sul.

Competições e prêmios

Na Cidade Morena, jovens ensaiam coreografias para competições de dança e dublagem, como o K-pop Day MS e o K-pop Challenge, embasados em grupos de estrelas da música sul-coreana: BTS, Blackpink, mamamoo, got7, super Junior, Shinee, girls generation, 2ne1 são as principais inspirações.

O grupo campo-grandense Sixty One, dono de 2 vitórias consecutivas de primeiro lugar no maior evento pop do Centro Oeste, o “Parada Nerd”, e do 1° Lugar no evento “Fly”, chegou a participar de um concurso cover do girl group “Lovelyz” e se classificaram em Terceiro Lugar competindo com o mundo todo.

“É um pouco competitivo sim, principalmente os de evento de cultura pop. Tem coreografias que são mais difíceis e demandam mais tempo pra aprender. Um dos motivos de eu gostar de k-pop é que eu sempre dancei e sempre tive facilidade pra aprender só olhando as coreografias”, conta Matheus Violino do grupo Ceedancegee sobre o preparo para as competições que tem em CD/DVD de k-pop, camisetas e bottons.

Por serem covers, os critérios de avaliação são mais rigorosos, como a limpeza do movimento, a originalidade e qual se aproxima mais da coreografia original. É mais difícil de que avaliar um grupo com coreografia própria.

O grupo Dream, composto pelas estudantes Júlia Rodrigues, Geovanna Bortolli e Alícia Valério, participou pela primeira vez de um concurso durante o K-pop Challenge em 2018.

“Estávamos ensaiando faz muito tempo e já dançamos juntas faz um ano. A preparação é demorada, porque não são só questão de passos, tem a interpretação. É o que eu acho mais difícil: fazer o carão além da coreografia”, diz Júlia.

A modalidade ajudou as meninas a se enturmarem na escola e a se tornarem mais confiantes. “O K-pop mudou minha personalidade, eu era muito nova e quieta, não tinha muitos amigos. Nós estudamos juntas, mas só fomos conversar por causa do K-pop. Muitas músicas falam pela gente o que a gente sente”, relembra Geovanna.

Na Ponta da Língua

K-Pop: o gênero musical que popularizou a cultura coreana em Campo Grande

Além das coreografias, outro aspecto que se tornou mais popular perante o sucesso dos grupos sul-coreanos foi a busca pelo aprendizado da língua asiática. A professora Yana Jamila Ribeiro, que leciona na única escola de coreano de Campo Grande, a Escola de Coreano Nova Esperança, afirma que a língua coreana é considerada uma língua única, isolada.

“Um ponto relevante que deve ser citado é uma semelhança: a questão do alfabeto. Muitas pessoas não sabem, mas o coreano, diferente do japonês e do chinês, utiliza um alfabeto único, que como o alfabeto romano, contém consoantes e vogais. As sílabas básicas são formadas pela combinação c + v”, reitera a professora.

A professora também destaca a facilidade de aprendizado dos fonemas e a parte científica da língua, do alfabeto, que foi criado e desenhado baseado nos sons que o corpo humano é capaz de reproduzir, tornado-a mais atrativa não só no k-pop, mas também nas k-dramas, novelas sul coreanas.

“É possível escrever em coreano quase todas as palavras e sons do mundo. Nomes, por exemplo, podem ser escritos em coreano. O som não fica realmente idêntico, mas bem similar”, explica Jamila Ribeiro em entrevista ao Jornal Midiamax.

Com o advento da globalização, a facilidade de acesso à internet, o vínculo com a cultura da Coréia do Sul só aumentou. O gênero que surgiu nos anos 90, apenas no final dos anos 2000, cresceu de um gênero musical comum entre adolescentes e jovens adultos pertencentes ao Oriente e Sudeste da Ásia, para uma subcultura mundial.

Normalmente são os jovens que têm interesse no kpop e nos kdramas. Mas outras faixas etárias estão sendo igualmente influenciadas pela cultura oriental. Alguns utilizam das aulas da língua para complementar o currículo, mas a grande maioria adentra o curso através do interesse pela cultura.

“Temos alunos com mais de 30 anos, que também tem interesse na cultura. Temos mães de alunos fazendo aula ou que tiveram interesse, e são mães entre 40 a uns 70, talvez 80 anos”, conclui a professora.

Identificação com o gênero

Um dos alunos, Eduardo Rafael de 27 anos, afirma que 99% dos alunos são fãs de kpop e que uma das coisas que mais atrai as pessoas para o gênero, é o alto nível das performances dos artistas, algo que hoje em dia deixa muito a desejar no pop ocidental.

Eduardo até viajou para São Paulo em maio deste ano para um show do grupo BTS, vencedor de vários prêmios internacionais como American Music Awards, Billboard Music Awards e MTV Awards.

“No show que eu fui, tinha gente de todas as idades, de todos os lugares do Brasil, inclusive uma idosa e uma mulher de uns 30 anos ficaram ao meu lado. O Allianz Parque estava lotado para ver um artista coreano cantando músicas em coreano, é surreal se vc parar pra pensar”, relembra Eduardo Rafael.

(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Segundo o jovem, a experiência deu uma maior magnitude das proporções que o korean pop alcançou entre os fãs brasileiros. Mesmo com a barreira do idioma, o estádio inteiro, cerca de 40 mil pessoas, cantaram todas as músicas.

“Mesmo estudando coreano, eu tenho muita dificuldade de pronunciar e cantar as músicas, mas todo mundo ali sabia todas as letras decoradas, o que emocionou até o grupo, um dos integrantes chorou durante uma performance”, contou Eduardo em entrevista ao Jornal Midiamax.

A modernidade visual, a música muito mais arriscada e experimental que o pop do ocidente e as temáticas das letras são os fatores que mais atraem os fãs para os grupos de K-pop, abrangendo temas desde os conflitos adolescentes sobre identidade, autoestima etc… até sobre desigualdade social.

“Muita gente achava que K-pop era apenas uma moda passageira, coisa de adolescente que chega e vai embora na mesma velocidade, e acho que nesses últimos anos essa percepção já mudou completamente. Acho que isso explica o apelo atual do k-pop, o fato de eles escreverem e até produzirem as próprias músicas. Se não fosse isso ninguém iria acreditar no que eles estão transmitindo”, conclui.

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