Arte Fluida: Sexo e gênero não definem obras da artista Francis de Oliveira

Desenhos incríveis são extensão da artista que se identifica com gênero "não-binário".

Ela nasceu com uma criatividade especial, cresceu, se desenvolveu e escolheu o caminho das artes para seguir. Hoje, aos 21 anos, mesmo ainda muito jovem, ela tem uma boa maturidade para saber quem ela é, o que quer e como fazer. Há cinco anos, ela adotou o nome social Francis para viver sua realidade.  Apesar deste texto se referir a ela no feminino, a artista se considera “não-binária“, ela não se entende como sendo do gênero masculino ou feminino, ela flui entre os dois de acordo com o que sente em cada momento. Temática nova para muita gente, mas que é super importante para a compreensão do trabalho da artista. Para se informar melhor sobre o tema, clique aqui.

Alguns de seus desenhos viraram adesivos (foto: Leandro Marques)

Ainda muito nova, Francis teve a forte presença artística da mãe, Ylka, que desde de criança a presenciou fazendo seus trabalhos artesanais e também é uma de suas maiores referências e incentivadora a também produzir as suas próprias artes. O trabalho da artista é impactante, com traços fortes e identidade marcante, seus desenhos estampam telas, camisetas, adesivos, imãs de geladeira, tatuagens e tudo mais. “Desenhar, pra mim, é algo libertador, é a minha maneira de expressar tudo que não consigo colocar em palavras, me permite transformar os sentimentos mais confusos e abstratos em algo concreto e, como pessoa não-binárie, representar quem eu sou e quem são esses indivíduos que existem na nossa sociedade porém não são percebidos”, conta.

Suas técnicas vivem em atualização frequente, comum de todo artista que imprime seus sentimentos nas criações artísticas. Desde quando começou a desenhar, Francis testou possibilidades, técnicas e formas até chegar no resultado atual, ela conta que está sempre incorporando novos elementos às suas criações. “Isso acontece de forma bem fluida, quase que subconscientemente”.

Francis expondo no Sarau de Segunda, na Praça dos Imigrantes (foto: Leandro Marques)

Sobre como sua não-binariedade influencia em seus desenhos, Francis busca retratar corpos sem características de gêneros, como se todos vivessem numa realidade em que o sexo ou gênero não definissem ninguém. Seus personagens são a extensão de si, do que sente e acredita. A arte é usada como ferramenta para expor seu lado mais pessoal e trazer a reflexão, seja na interpretação de seus desenhos ou debatendo sobre o assunto.


Punk Marinho

A artista pinta à mão as camisetas, o resultado é único (foto: Leandro Marques)

A marca que assina todas as criações da artista é Punk Marinho. Suas obras podem ser encontradas em feiras, rIolês e eventos artísticos da cidade. “Atualmente eu vendo adesivos e camisetas pintadas a mão no Sarau de Segunda, toda segunda-feira na praça do artesão e também através do meu perfil no instagram, @punkmarinho“, conta Francis.

Outro talento que está desenvolvendo são as tatuagens autorais, que imprimem a mesma linguagem de todas suas obras. “Em maio desse ano, um primo me presenteou com uma máquina de tatuagem, algo que eu queria há muito tempo. Minha amiga Maria Maria, que é tatuadora, me auxiliou com o funcionamento e sempre me da uma força quando eu preciso”, diz.

Muito mais que ilustração e a arte em si, Francis também traz em suas criações muito de suas vivências, o que sente e o que gosta… Suas obras têm profundidade, conceito, uma forte identidade e também promove a reflexão.

Outra camiseta ilustrada por Francis de Oliveira (foto: Leandro Marques)

Siga a Punk Marinho no Instagram: @punkmarinho