Após separação, artista campo-grandense encontrou na arte novos horizontes para a vida

Meire Arruda casou cedo, aos 16 anos, parou de estudar, mas continuou pintando

Casar muito cedo foi a realidade de muitas brasileiras nos anos 80, até mesmo antes de chegar a maioridade, interrompendo os estudos. Meire Arruda foi uma dessas jovens e por 17 anos viveu como dona de casa e artista reclusa até encontrar na educação um novo horizonte para viver.

Dentre seus trabalhos de artesanato, Meire faz pinturas em telhas, vasos, telas e também costura bandanas, toucas e o que mais precisar. As telhas são seu principal chamativo e se destacam pela riqueza de detalhes, mas a cerâmica nem sempre esteve em seus planos.

“Foi algo inusitado… nunca tinha pintado em cerâmica, até que uma amiga me pediu para que eu fizesse um trio em três telhas que tinham sobrado da obra da casa dela. As primeiras não saíram muito boas, pois fiz com tinta óleo, mas fui aprimorando com a tinta acrílica com cores alegres e deu muito certo”, conta a artista.

Autodidata, a pintora conta que na infância humilde só pôde estudar até os 11 anos antes de começar a trabalhar com os avós para ajudar na renda da casa. Desde pequena, gostava de desenhar e pintar, e a arte sempre esteve presente na vida.

A alegria era ganhar lápis de cor e tintas, quando já percebia ter um dom. A dedicação aos trabalhos e o empreendedorismo começaram depois da separação e com os filhos já adultos.

“Não tive muita oportunidade de estudar, casei muito cedo. Fui dona de casa… depois de algum tempo me separei e terminei de criar meu filho caçula sozinha, trabalhando de babá e diarista. Não me envergonho disso. Mas eu sempre tive o sonho de fazer o que eu sempre gostei que é a minha arte, o meu verdadeiro dom”, ressalta a artesã.

Logo que se separou do ex-marido, em 2002, o tio de Meire, Natalio Malaquias, a matriculou um em curso de artes plásticas com Pedro Guilherme Góes, conhecido por suas pinturas de peixes baseadas na arte Terena e Kadiwéu. E assim o talento voltou a florescer.

Para a produção das obras em cerâmica, a artista começa limpando a peça com lixa e depois impermeabilizando. O próximo passo, segundo ela, é “dar asas pra imaginação”. Meire não faz rascunhos, pinta tudo ‘de cabeça’ ou a partir de fotos. Uma de suas inspirações é a artista mexicana Frida Kahlo, ícone feminista.

Em 2017, voltou a fazer aulas com Pedro Goés e através dele conheceu pessoas do meio artístico que a instruíram a expor trabalhos na Tradicional Feira da Bolívia e no Armazém Cultural. Hoje, aos 51 anos, Meire terminou o Ensino Médio através do EJA (Educação de Jovens e Adultos) e o novo sonho é cursar Artes Visuais.

“Meu filho Jean Lucas sempre foi meu incentivador. Ele dizia: ‘Mãe, você tem potencial, vai estudar’! Até que um dia ele descobriu o EJA e me matriculou. Foi a melhor fase da minha vida! Descobri novos horizontes”, conta a artista.

Para entrar em contato com a artista e saber mais sobre o seu trabalho com pintura ou artesanato, basta segui-la em seu perfil (@art.meire_arruda) no Instagram ou pelo telefone (67) 9262-7998.


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