Aos 22 anos, ele viajou pela América Latina com economia e coragem

Murilo Borges agora planeja se mudar para Espanha e também dá dicas para quem quer começar a mochilar gastando pouco

Viver nas engrenagens da vida é algo que pode passar despercebido até que o desânimo e a fadiga começam a ser correntes no dia a dia. Se libertar dessas frustrações recorrentes requer coragem e audácia. Foi o que fez o jovem Murilo Borges, que aos 22 anos já visitou mais de 30 cidades do Brasil e 3 países da América Latina. Tudo isso com um patins, uma mochila nas costas e bandeira do Brasil.

Nascido em Belém do Pará, Sérgio Murilo Ferreira Borges Prestes teve experiências com a liberdade financeira desde cedo. Tradicionais, os pais sempre reiteraram que a educação era primordial e o ensino superior era um sonho para o filho. Para visitar a namorada na cidade vizinha, aos 15 anos, pegava a mercadoria dos pais e ia ao comércio vender até que tivesse R$1000 para pagar hospedagem e transporte para se verem.

Após passar no vestibular, se mudou para uma cidade próxima e estudava em uma faculdade particular sendo tendo auxílio dos pais. Segundo ele, a pressão indireta o fez passar por um período de depressão que o colocou num estado de não conseguir se concentrar nas atividades do dia a dia.

Em 2017, o otimismo retornou e com ele, novas metas. Mudou-se para Campo Grande, onde começou a estudar Engenharia na Universidade Federal levando a paixão pela matemática que vinha da infância e adolescência. Entre as novas metas também surgiu a vontade de viajar e conhecer novos lugares.

Mochilões

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Inexperiente, o primeiro mochilão que fez foi para o Rio de Janeiro, cidade que sempre achou perigosa. Depois de pouco mais de 1 dia de viagem de ônibus, Murilo ficou por 3 semanas em um hostel, o popular albergue, onde haviam muitos estrangeiros que se comunicavam apenas espanhol.

Já na segunda viagem, “mochilou” durante 3 meses por 11 cidades do Brasil alternando entre ônibus e caronas com motoristas de caminhões. Depois perdeu os receios, viajou pelo centro-oeste, sul, sudeste e norte do país alcançando mais de 30 cidades, encontros registrados em sua página do Instagram @loucoserei.

“Tem todo um processo para você pegar carona. Antes do cara parar, você olha pela janela do caminhão e vê como ele te olha. Quando para muito a frente você percebe pelo retrovisor se tem alguma malícia no olhar, algum movimento errado durante a viagem. Mas se for alguém altruísta, pode ter certeza que não acontecerá nada de errado entre ambas as partes”, contou Murilo Borges ao Jornal Midiamax sobre os perigos da prática.

Viagem Internacional

As viagens internacionais pela América Latina começaram no fim de 2018. O jovem passou pelo Chile, Bolívia e Peru, e retornou para Campo Grande passando pelo Acre, Rondônia e Mato Grosso.

“Fui até o sul do Chile, depois subi para o norte, Bolívia e Peru. São mais 6.000 km em 6 semanas. Todo o trajeto foi feito de carona e ônibus que tive que pagar por estar no meio do deserto. No começo não sabia o espanhol, mas depois, pela proximidade da língua, consegui me enturmar mais”, conta o jovem que também lembra que era mais difícil pedir caronas no outro país.

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Durante essa viagem, surgiu a oportunidade de conhecer o Vale do Colca, cânion formado pelo rio Colca, no sul do Peru, localizado a cerca de 160 quilômetros a noroeste da cidade de Arequipa. Com uma profundidade de 4 160 metros, é mais de duas vezes mais profundo que o Grand Canyon, nos Estados Unidos.

A experiência do amanhecer do sol entre as montanhas inspirou Murilo a escrever um poema sobre o local que mantém suas tradições ancestrais e continua a cultivar os terraços agrícolas construídos pelas civilizações antigas.

A viagem mais longa até hoje foi de Campo Grande até São Luís, no Maranhão, encarando 4 dias de estrada para conhecer os lençóis maranhenses. O estudante relembra que não há um completo planejamento prévio antes das jornadas e que tudo surge de forma natural.

“O meu lema, que está no meu Instagram é: ‘Viajar sem plano e sem medo’. Então o máximo que eu faço… Sou o tipo de pessoa que não planeja nada pra além de 1 ano, até lá eu materializo o que eu quero, em até 6 meses eu corro atrás. Quando chegam minhas férias da aulas, eu já me programava para a ida. Via passagens aéreas, de ônibus ou o trajeto e o restante ia acontecendo”, conta.

Agora, em outubro de 2019, Murilo Borges planeja deixar a faculdade e ir morar em Andorra, na Espanha, em busca de uma nova vida e conseguir renda extra durante a alta temporada. O novo sonho é fazer Gastronomia e continuar viajando.

“Acho que qualquer pessoa que sai do ensino médio tem que fazer uma viagem para conhecer outras realidades, comece a se articular. Uma viagem de uma semana já te levar a pensar, ter contato com outros idiomas, outras pessoas, outras visões. O maior erro é os pais não se colocarem no lugar dos jovens que estão sendo colocados na engrenagem da vida monótona”, completa.

Como começar a mochilar?

Mochilão com pouco dinheiro é possível? Na verdade, sim. Muita gente acredita que uma viagem ou um mochilão é coisa para quem tem muito dinheiro. O vínculos com as pessoas que você encontra durante a trajetória também são valiosos.

Murilo, agora já experiente, reitera que para “mochilar” não é necessário ter uma grande quantia de dinheiro, mas sim utilizar das ferramentas corretas para facilitar o trajeto da jornada. Conheça algumas delas:

  • Bablacar

Criado em 2006 na França, é um mediador de caronas rodoviárias pagas, combinadas previamente entre motoristas e caroneiros pelo app ou pelo site da BlaBlaCar. Tem 25 milhões de usuários em 22 países.

A ferramenta permite configurar as suas rotas diárias – como o trajeto de casa para o trabalho, por exemplo – ou viagens programadas para dividir as despesas com outras pessoas. Dessa forma, o serviço pode ser mais acessível do que outros aplicativos de transporte, como o Uber.

Motoristas e passageiros devem confirmar o telefone, vincular perfis em redes sociais e enviar documentos – o que promete dar mais segurança aos usuários. Todas as pessoas recebem uma pontuação que varia de 0 a 5 estrelas.

  • ID Jovem

A Identidade Jovem, ou simplesmente ID Jovem, é o documento que possibilita acesso aos benefícios de meia-entrada em eventos artístico-culturais e esportivos e também a vagas gratuitas ou com desconto no sistema de transporte coletivo interestadual, conforme disposto no Decreto 8.537/2015 .

A emissão da Identidade Jovem (ID Jovem) é permitida para pessoas de 15 a 29 anos, de renda familiar de até dois salários mínimos. Conheça o programa e como se cadastrar AQUI.

  • World Packers

A Worldpackers é uma empresa que possibilita que viajantes encontrem um local de hospedagem e que troquem a estadia por trabalho, ou seja, você trabalha por hospedagem e pode conhecer cidades e países.

No site da empresa é possível fazer um cadastro como viajante ou como anfitrião e, segundo eles, viajar é um direito universal e que todos deveriam ter a oportunidade de fazer por pelo menos uma vez na vida.

Enquanto viajante você pode optar por trabalhar em albergues e pousadas, ONGs, pequenos negócios, acomodação em casa de família ou em projetos relacionados com a natureza e bem estar.

  • Couch Surfing

O Projecto CouchSurfing (CS) é um serviço de hospitalidade com base na Internet. Em 2012 atingiu a marca de 1 milhão de membros em mais 180 países e territórios. A partir de vários indicadores estima-se que muitos membros usavam o site de uma forma muito ativa, com 47% a oferecerem os seus sofás a viajantes (enquanto outros 23% dizia “talvez” e outros encontravam-se a viajar).

Os membros usam o site, desenhado e criado por Casey Fenton, para coordenar as acomodações. São disponibilizadas numerosas funcionalidades como perfis pessoais ou coletivos detalhados, usa um sistema opcional de verificação de identidade por cartão de crédito, um sistema de certificação pessoal e sistema de referências pessoais para aumentar a segurança e a confiança entre membros. Existem muito mais funcionalidades à disposição dos membros como grupos de discussão, reuniões e encontros, salas de conversa e muito mais.

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