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Sobrevivi à Fantasy, a maior festa a fantasia do Centro-Oeste

Com milhares de participantes, a festa ajuda a quase dobrar a população da cidade.

No último domingo (8), a cidade de São Gabriel do Oeste, a cerca de 130 km de Campo Grande, amanheceu de ressaca. Nas ruas da cidade, brevemente após o nascer do sol, pedestres com roupas espalhafatosas deslocavam-se a pé do Clube de Laço Liberato Maffissoni e atravessavam a BR-163 rumos às casas, hoteis e acampamentos da cidade. Eram pessoas fantasiadas, que dançaram, beberam e se divertiram das 23h até saírem do local, onde era realizada a 10ª edição da Fantasy, a tradicional festa a fantasia que atrai gente de todo o Estado ao município.

Foi a minha primeira vez na Fantasy, certamente a maior festa a fantasia de Mato Grosso do Sul, com grandes indícios de que seja a maior da região Centro-Oeste. Convidado por amigos, compareci a São Gabriel na sexta-feira (6), de ônibus intermunicipal. A festa integra a programação da tradicional Leitão do Rolete, que alcançou este ano a 25ª edição. A promessa era diversão garantida até amanhecer. É claro que eu fui.

A Fantasy tem música eletrônica, ingressos com modalidade open bar e gente fantasiada de todos os tipos e estilos. Não é a toa que a cidade fica em função do evento, bem como do Leitão no Rolete. O impacto na economia do município merece atenção, é sintomático e percebido até fora de São Gabriel do Oeste. Não é incomum, inclusive, que a possibilidade de trabalho temporário também atraia gente, inclusive ambulantes.

Em Campo Grande, uma das mais conhecidas lojas de aluguel de fantasias seguiu na contramão do país e nem fechou para ver a derrota no Brasil na Copa na última sexta (6). “Pessoal estamos com problemas no telefone, mas estamos atendendo normalmente, não vamos fechar para o jogo e a loja tá bombando”, traz, com muita sinceridade, aviso no Facebook da Pierro Fantasias, na região central. Nas hashtags, “#fantasy2018” encabeça a lista, óbvio. Foi lá onde, há duas semanas, providenciei uma fantasia de pirata.

Festa sem concorrência

DJ Mayara Leme anima a multidão na Fantasy 2018 (Reprodução | Instagram)

Os momentos que antecedem ao evento também são dedicados à finalização das roupas. Quem não tem fantasia, trata de providenciar uma, pois o traje é obrigatório. Por isso, há uma espécie de corrida entre as pessoas, de casa em casa ou pelo WhatsApp, na busca pelas caracterizações mais baratas e fáceis de montar – como “médico” – para quem decide ir à festa de última hora. As fantasias, no entanto, claramente contrastam com as que são pensadas há semanas. Neste ano, um casal trajado de “As Branquelas”, uma turma vestida de “La Casa de Papel” e um herói caracterizado de “Cabeça de Pirâmide de Silent Hill” foram as vencedores do 3º, 2 e 1º lugares, respectivamente, conforme anuncio dos organizadores.

“O pessoal leva sério, mesmo. Imagina uma cidade inteira, além do pessoal que vem de fora, se dedicando a uma fantasia na festa que esperada o ano inteiro”, comenta o farmacêutico-bioquímico Fabiano Grison, que combinava com os amigos há cerca de dois meses os detalhes. “A ideia era a gente vir combinando, mas acabou não dando certo”, comenta o jornalista Alexandro Barboza, a “múmia” que demorou cerca de quatro horas para ficar pronta e foi assediada para selfies durante o evento.

Das fantasia mais comuns, dezenas de bruxas, freiras, Mario Brothers, princesas, piratas, arlequinas, templários, monges franciscanos, burlescas e, principalmente, militares, policiais federais e bombeiros – estas fazem coro às fantasias baratas e fáceis de fazer, ou, simplesmente, umas das preferidas do público, possivelmente.

No início da noite de sábado, também tem o esquenta: como a festa começa às 23h, é comum que as pessoas curtam parte do evento principal, o Leitão no Rolete, na avenida principal da cidade, e aproveitem o fim da tarde para descansar e poder… ãhn, digamos… recomeçar os trabalhos.

A “Múmia” começou a se fantasiar por volta das 20h. Na festa, foi assediada para selfies (Foto: Guilherme Cavalcante | Midiamax)

Este ano, São Gabriel ficou particularmente mais lotada, já que não houve concorrência, por assim dizer: até ano passado, a programação coincidia com o Festival de Inverno de Bonito, realizado na última semana de julho. O desencontro das programações foi como um “vale night” para quem se dividia entre os eventos. A tendência é permanecer assim.

Com isso, a estimativa é que a população da cidade, com estimados 25 mil habitantes, tenha dobrado – os números oficiais ainda não foram divulgados. Chega gente de todo lugar e os ônibus que partem de Campo Grande – alguns com viagens extras – chegam lotados. Nas malas, há até barracas para quem não conseguiu pouso nos hotéis, mas conquistou uma “vaga” no quintal de amigos.

É Open Bar!

Pista, VIP, Camarote Open Bar e Bangalô dividiam as modalidades dos ingressos, do mais barato para o mais caro. Quem optava pelo camarote, por exemplo, ficava numa área especialmente montada, à direita do palco, com banheiros exclusivos e open bar de cerveja, vodka, água e refrigerante. Os portões do clube de laço foram aberto às 23h do sábado. Por volta da meia noite, cheguei com a turma. O pico, porém, ocorre mesmo por volta de 1h do domingo. E volta a cair por volta das 5h30.

Open bar, papai! Por conta do frio, cerca de 18° C, troco a cerveja pela bebida destilada, intercalada com copos d’água, a fim de evitar a ressaca. Mas quem aguardava a festa desde 2017 não se importou muito com os efeitos do álcool. A movimentação do bar é surreal, atendentes trabalhavam sem parar, substituindo garrafas vazias por cheias todo o tempo.

“Não tem descanso, não. Tem que ter braço. Mas, tô acostumada, todo ano é assim”, brinca uma atendente, enquanto prepara um drink de vodka com guaraná a uma “unicórnia” bem ao meu lado.

A festa também não registrou confusões. Todo mundo precisava passar por detector de metais e havia seguranças em diversos quadrantes. Jogo de luzes, som alto, chuva de papel picado e fogos de artifício. No palco, a DJ Mayara Leme, Manimal (projeto com participação de Junior Lima, ex-dupla com Sandy), Ricci, Hippocoon e Ellie Klotz. Nada parecido com o funk proibidão que toca na avenida principal da cidade, no quadrante onde centenas de carros estacionam e a via é fechada. Porém, seja numa ou na outra, todo mundo desce até o chão.

E assim amanhecemos! RICCI, que vibe foi essa? Não poderíamos ter encerrado de forma melhor nossa FANTASY 10 ANOS 👏🏻👏🏻

Posted by Festa Fantasy SGO on Sunday, July 8, 2018

Eram cerca de 6h quando os vencedores do concurso informal de fantasias foram anunciado. O céu já estava claro e minha fantasia de pirata, embora resistisse intacta, pediu um par de botas que não foram legais com meus pés. Cheguei a meu limite, era hora de vazar.

Enquanto me despedia dos amigos e caminhava à pé até onde estava hospedado, ouvi o último dj ser anunciado. “Sobrevivi à Fantasy”, pensei, ainda impressionado que haveria mais uma atração e tanta gente disposta a se divertir. No Clube de Laço, no entanto, as milhares de pessoas que ainda permaneceram só queriam que o tempo parasse para sempre. Ou, pelo menos, enquanto ainda durasse o open bar.