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Como motorista, professora descobriu que a vida vai além do ofício

Mesmo com ótimo currículo, Lauane não se prendeu ao óbvio

Aos 27 anos, Lauane Ferraz tem uma carreira estável, é professora de artes em uma escola municipal em Campo Grande. Formada em Música pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), ela também já deu aulas de teatro e de música.

E mesmo com um currículo que lhe abre espaço para alçar voos mais altos, Lauane é daquelas pessoas que não se prendem ao óbvio e gostam de experimentar a vida. E assim, no mês de janeiro deste ano, ela resolveu se aventurar e assumiu o papel de motorista de Uber.

“Às vezes a gente se acostuma, se acomoda em uma rotina, e fazer algo diferente faz bem pra mente. Apesar de estar de férias, ao invés de ficar em casa à toa, estou  trabalhando em um ofício leve e divertido”, reflete Lauane.

A primeira barreira que ela rompeu foi a do preconceito. Aquele velho e retrógrado julgamento de que mulher não dirije bem. Mas Lauane sambou na cara da sociedade ao exibir nas redes sociais uma avaliação dos passageiros dando a ela colocam como “motorista 5 estrelas”.

Entre os comentários dos passageiros, muitos destacam a boa conversa e a boa direção no volante.

“Nunca consegui uma motorista tão boa quanto ela, simpática e boa de conversa. Além do carro ser confortável. Você nem sente a viagem”, comentou na avaliação uma pessoa que pegou corrida com a professora. 

Outro comentário descreve que Lauane: “simpática, educada e dirige muito bem”.

O feedback entusiasmou Lauane, que deixou de se importar com qualquer retorno negativo relacionado ao seu talento na direção e a cada dia está ainda mais aberta às experiências que o caminho proporciona.

Claro que o trabalho rendeu uma grana extra, que por sinal está sendo muito bem vinda com as contas de todo início de ano. Mas Lauane garante que se desprender da rotina é um exercício ainda mais vantajoso. “Nesta experiência de “férias”, ouvi histórias, conheci pessoas e lugares na minha própria cidade que eu nem fazia ideia que existiam”, relata.

E o mais incrível, na visão da professora, é saber que esses personagens da vida real estão presentes na simplicidade do cotidiano. “É gente simples, que pega a corrida pra ir ao médico, por exemplo. Tenho  carregado também muita gente que está indo para entrevista de emprego. Ou seja, gente que faz coisas do dia a dia. Mas é cada história!”, conta.

Para quem vive a rotina de sala de aula, visitar um mundo tão expansivo superou as expectativas da professora que, a princípio, queria ganhar uma grana extra. “A maior lição é que a vida é sempre cheia de possibilidades, basta se abrir para o novo e se jogar”, aconselha a professora.

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