No Camelódromo, caixinhas ‘JBL’ viram febre e sugerem réveillon ‘em casa’

Procura por itens de festa aumentou nas últimas semanas

“Caixinha JBL, pra fazer aquela social do réveillon”, grita o vendedor de um dos formigueiros-humanos de Campo Grande, o Camelódromo, bem no centro da cidade. No pontos de maior densidade populacional da Capital, o assédio é grande: mesmo com vendas em baixa, a procura por produtos do Camelódromo continua significativa. Porém, a oferta é muito grande, sendo necessário ‘conquistar’ o cliente. No grito, mesmo. “Aqui, amigo. Caixinha JBL a partir de R$ 90”, brada o mesmo vendedor, pouco antes de oferecer descontos sedutores.

As ‘caixinhas JBL’, no caso, são a bola da vez. Com preço variando de R$ 90,00 até R$ 180,00, mais compactas e potentes que os modelos ‘transformers‘ que se popularizaram em 2016, as caixinhas ‘JBL’ paralelas vindo do Paraguai (e provavelmente made in China) podem até não ter o mesmo som límpido das originais, mas garantem aquele som pauleira para as festinhas feitas na varanda de casa – as sociais a que o vendedor se referiu. “São de primeira linha. Aqui a gente também tem o modelo original, que é mais cara, a partir de R$ 400,00. Mas, sinceramente, essas não deixam a desejar, não”, conta a vendedora Kleidiane Martins, 36.

Kleidiane afirma que caixinhas foram "febre de dezembro" (Cleber Gellio/Midiamax)

Segundo ela, a procura pelas tais caixinhas fizeram delas a ‘febre de dezembro’. “Elas são menores, mais bonitas, e conectam por bluetooth com o celular e aceitam pendrive. Dá pra levar para qualquer lugar e dependendo do volume que você ouvir, a bateria delas dura bastante”, comenta Kleidiane. “Nesse mês vendi entre 30 ou 40 unidades, de modelos diferentes. As pequenas saem mais, mas também tem quem procure essas grandes, que aqui saem a R$ 180,00”, comenta o vendedor de outro box, Jhonny Martins, de 31 anos.

Além das caixinhas, a procura por acessórios que ‘transformam’ a casa em boate também aumentou, como luzes estroboscópicas portáteis, globos, jogos de luzes, lasers e até máquina de fumaça. “Não tem jeito, época de festa o pessoal cola aqui atrás de lâmpada de LED pras sociais, é normal”, conta Erick Marques, de 21 anos.

Jhonny vendeu entre 30 e 40 unidades das caixinhas em dezembro (Cleber Gellio/Midiamax)

Mas afinal, quem compra?

No perfil de quem adquire os produtos para festa, idade, grupo social e gênero podem até variar, mas parece bem sugestivo dizer que quem saiu do Camelódromo com as caixinhas de som e jogos de luzes nesta última semana de dezembro trocou a noitada em clubes e bares no dia 31 por uma festa de réveillon ‘social’ em casa. Como a estudante de enfermagem Marina Sales, de 19 anos, que levou uma caixinha de som e uma lâmpada de LED que muda de cor e projeta imagens no chão.

Clientes relatam que ano novo será 'em casa' em 2018 (Cleber Gellio/Midiamax)

“Sai mais barato e mais seguro se a gente reunir o pessoal em casa em vez de sair, né? Pessoal do curso combinou de ir pra casa de um amigo e eu fiquei de levar a JBL”, afirma a estudante, que gastou cerca de R$ 150,00 em um dos boxes do local.

A versatilidade do produto, a propósito, parece ser um grande atrativo, como relata o universitário Josias Maldonado, de 24 anos. “É bom porque a gente leva pra todo lugar. Eu não tenho som automotivo, então além da social dá pra sair com a sonzera no carro. Depois desce, leva a caixinha junto pra tomar um ‘teras’ na calçada. É top!”.

Em tempo: para quem já tem estrutura de som para a ‘social de ano novo’, do lado de fora do Camelódromo, uma das figuras mais icônicas do espaço, o ‘Rapadura’,vende seu peixe também em alto e bom som: dezenas de pendrives de 8 gigas carregados com um repertório de cerca de 1500 músicas, custando R$ 35,00.

“Só ontem vendi uns 20. o que mais sai é sertanejo novo, chamamé e moda de viola, mas tenho música pra todo tipo de festa. São 16 tipos, música de macumba, de evangélico. Tem até música pra corno”, brinca o vendedor. “Me procura aqui que a gente encontra um ideal pra você”, finaliza.

para quem já tem o som, o pendrive com a 'festa completa' sai a R$ 35 (Cleber Gellio/Midiamax)

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