Com dublagem campo-grandense, ‘Duas Coroas’ tem pré-estreia nesta quinta

Evento de estreia contará com a presença da presidente internacional da MI, Angela Morais, assim como dos freis da Ordem dos Frades Menores Conventuais, no anfiteatro do bloco A da UCDB

Entre as milhões de vítimas do Holocausto está o nome de Maximiliano Kolbe, um padre e um santo, cuja história é narrada no filme “Duas Coroas”, com estreia prevista para 28 de novembro no Brasil. Em Campo Grande, a pré-estreia acontece nesta quinta-feira (21) no auditório do bloco A da UCBD com presença da presidente internacional da MI, Angela Morais, assim como dos freis da Ordem dos Frades Menores Conventuais. A tradução foi adaptada pela Render Brasil Produções, daqui de Campo Grande.

O ano de 2019 marca os 80 anos de invasão da Polônia pela Alemanha. Em meio a Segunda Guerra Mundial mais 6 milhões de judeus poloneses foram mortos pelo regime nazista de Adolf Hitler. Foi o chamado Holocausto, uma página cruel da história da humanidade.

Pe. Kolbe morreu em 14 de agosto de 1941, após duas semanas de isolamento no bunker da fome, castigo que se ofereceu em receber para salvar a vida de um pai de família. O nome do homem salvo pelo santo era Franciszek Gajowniczek, católico, nascido no vilarejo polonês de Strachomin e que morava em Varsóvia desde 1921. Tinha mulher e dois filhos e, como soldado, defendera o seu país durante a invasão nazista de setembro de 1939.

Capturado pela Gestapo, Gajowniczek foi escolhido ao mero acaso para ser executado após a fuga de outro prisioneiro. Seu desespero ao pensar no futuro da família foi ouvido pelo padre polonês, que livremente se ofereceu para trocar de lugar com aquele homem. Foi solto depois de quase seis anos, recebendo a notícia de que seus filhos haviam morrido durante um bombardeio soviético sobre a Polônia, pouco tempo antes da sua libertação. Ainda consternado pelo fato, Gajowniczek decidiu dedicar-se a testemunhar e divulgar o que lhe havia acontecido: um santo homem dar a vida em seu lugar.

Franciszek Gajowniczek foi convidado pelo Papa Paulo VI ao Vaticano por ocasião da beatificação de Maximiliano Kolbe em outubro de 1971 e, em 10 de outubro de 1982 também esteve presente na cerimônia de canonização do santo polonês. Franciszek Gajowniczek morreu em Brzeg no dia 13 de março de 1995, aos 93 anos. Segue seu relato:

“No dia 30 de julho de 1941, no campo de concentração de Auschwitz, um oficial alemão mandou os homens de algumas barracas fazerem fila, porque um prisioneiro tinha escapado. Queriam dar uma lição a todos para que tivéssemos medo de fugir. Alguns homens iam ser escolhidos para morrer. O oficial parou na minha frente, apontou para mim e eu soube que tinha sido escolhido para a morte. ‘Eu perdi a minha mulher’, falei para o oficial, ‘e agora os meus filhos vão ficar órfãos’! Foi aí que o sacerdote prisioneiro saiu do grupo dos outros presos e disse: ‘Eu quero ir no lugar deste homem. Ele tem família. Eu não tenho ninguém. Sou um sacerdote católico’. (…) Os dez foram levados, despidos e trancados num porão para morrer de fome. No dia 14 de agosto de 1941, quatro deles ainda não tinham morrido, inclusive o padre. Então [os nazistas] injetaram veneno neles. Este sacerdote é o padroeiro de todos os necessitados! Ele é o padroeiro daqueles que precisam de ajuda!”.

Filme Duas Coroas, a história de São Maximiliano Kolbe

A biografia de Maximiliano Kolbe é apresentada no documentário polonês Duas Coroas com estreia programada para 28 de novembro nos cinemas brasileiros.

Em 2016 o Papa Francisco esteve na Polônia e, na ocasião, também visitou o campo de concentração de Auschwitz. Foi a partir desta visita que o diretor Michal Kondrat percebeu que a figura de Kolbe, sua mensagem e história precisavam repercutir mundo afora. E, em 2017, estreava o filme Duas Coroas. “Para além de mostrar como ele morreu, nós queríamos apresentar que ele viveu como um verdadeiro evangelizador”, contou Kondrat.

Desta forma, um intenso trabalho de pesquisa foi realizado para expor o contexto histórico e, sobretudo, retratar com fidelidade a forma como Maximiliano viveu e como cumpriu sua missão mesmo diante de tantas dificuldades.O roteiro de Duas Coroas é permeado por testemunhos de pessoas que conheceram São Maximiliano e pesquisadores de sua biografia. As filmagens foram feitas na Polônia, no Japão (onde foi missionário) e também na Itália. O filme conta com um elenco aclamado na Polônia. Adam Woronowicz, que interpreta Kolbe, tem uma lista com mais de 90 atuações em filmes, já foi reconhecido pela Academia Polonesa, além de premiações na área teatral. Duas Coroas teve sua estreia para o público do 70ᵒ Festival de Cinema de Cannes e também foi prestigiado no Vaticano.

O trabalho de tradução e dublagem para a língua portuguesa é realizado pela Render Brasil Produções, aqui de Campo Grande. A diretora da Render, Tânia Sozza, está confiante na boa audiência entre os brasileiros. “O público brasileiro é muito apegado à religião e à história de mártires cristãos, Duas Coroas é um filme sobre esperança, sobre perseverança, lições que São Maximiliano Kolbe mostra através de sua vida”, disse Sozza.

Duas Coroas chega ao Brasil pela Kolbe Arte Produções e o trabalho de adaptação e acessibilidade tem a assinatura da Render Brasil, uma produtora do Mato Grosso do Sul. No cenário atual, diante uma sociedade dividida, em que as pessoas brigam entre si por temas controversos, Kolbe nos fala sobre a construção do mundo através do diálogo, de atitudes verdadeiras e amor ao próximo.

Pode ser um assunto desafiador, mas falar de amor tem um poder de transformação humana e social .Estamos em fase de divulgação do projeto no Brasil e seria de grande valor contar com vocês para melhor promover este filme que alia conhecimento, cultura, fé e esperança, elementos tão necessários em nossos dias. O lançamento nacional será no dia 28, nas principais capitais brasileiras.

Serviço

As pré-estreias no Brasil acontecem de 20 a 27 de novembro e aqui em Campo Grande será nesta quinta-feira (21), às 19h no Anfiteatro do Bloco A da UCDB e a presidente internacional da MI, Angela Morais está disponível para entrevistas, assim como os freis da Ordem dos Frades Menores Conventuais, a mesma de Maximiliano Kolbe.

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