Notre-Dame: A história e influência da catedral engolida pelas chamas

Incêndio destruiu a catedral histórica de Paris na noite da última segunda-feira (15)

A catedral de Notre-Dame, uma das mais famosas representações da Igreja Católica no mundo e um dos cartões postais de Paris, na França, foi engolida pelas chamas durante a noite da última segunda-feira (15). Uma das torres e o telhado da igreja histórica foram atingidos durante o incêndio, que até o momento é dado como “acidente” pelas autoridades francesas.

Apesar da triste tragédia, semelhante ao incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, ocorrido em setembro de 2018, o monumento histórico parisiense já foi palco e inspiração para muitos acontecimentos da Europa ocidental. A catedral de estilo gótico teve sua construção iniciada no ano de 1163, foi dedicada a Maria, Mãe de Jesus Cristo, e situa-se na praça Paris, na pequena ilha Île de la Cité em Paris, França, rodeada pelas águas do Rio Sena.

A arquitetura gótica substituiu as paredes grossas das igrejas românicas por colunas altas e arcos capazes de sustentar o peso dos telhados. Como consequência, os edifícios góticos ganharam um aspecto mais leve, e as janelas, mais amplas e altas, foram decoradas com belos vitrais coloridos que filtravam a luz natural, e com isso, criavam um “clima” de misticismo em seu interior.

Este misticismo foi inspiração para Victor Hugo, durante o Romantismo, escrever em 1831, a obra “Notre-Dame de Paris”, O Corcunda de Notre-Dame. Situando os acontecimentos na catedral durante a Idade Média, a história trata de Quasímodo que se apaixona por uma cigana de nome Esmeralda.

A ilustração poética do monumento abre portas a uma nova vontade de conhecimento da arquitetura do passado e, principalmente, da Catedral de Notre-Dame de Paris. Em sua origem, constituía-se em um romance histórico, voltado para o público adulto, com o intuito de conscientizá-lo para a necessidade de se conservar a Catedral de Notre-Dame.

Na obra, posteriormente adaptada pela Disney em animação, Victor Hugo não se limita a descrever apenas a antiga Catedral, mas ilustra historicamente a sociedade da Paris medieval, e os contrastes dos seus personagens, desde os pedintes e ciganos ao rei e à nobreza. Existem capítulos inteiros que, ao invés de abordarem a vida de Esmeralda ou Quasimodo, falam da Catedral ou do rei Luís XI.

O último grão mestre templário, Jacques de Molay, após sete anos na prisão, juntamente com outros templários, foram executados queimados vivos na fogueira em 1314 na ilha circundada pelo rio Siena. O julgamento ocorreu na praça Paris em frente à catedral. Foram condenados pela igreja católica com ordem direta do Papa Clemente V, influenciado e pressionado pelo rei Filipe IV de França, que acusaram os templários de serem hereges, culpados de adoração ao demônio, homossexualidade, desrespeito à Santa Cruz, sodomia e outros comportamentos de blasfêmia.

Em 1431, o rei Henrique VI, da Inglaterra, foi coroado aos 10 anos de idade na catedral durante a Guerra dos Cem Anos, marcada por conflitos travados de 1337 a 1453 pela Casa Plantageneta, governantes do Reino da Inglaterra, contra a Casa de Valois, governantes do Reino da França, a fim de decidir a sucessão do trono francês.

Durante 1804, deu-se a coroação a 2 de Dezembro de Napoleão Bonaparte, líder político e militar durante os últimos estágios da Revolução Francesa, a imperador da França e sua mulher Josefina de Beauharnais a imperatriz, na presença do Papa Pio VII.

Um dos momentos mais notórios da História ocorreu nesta noite, onde, com um ato surpreendente, Napoleão I retirou a coroa das mãos do Papa Pio VII, que viajara especialmente para a cerimônia, e ele mesmo se coroou, numa postura para deixar claro que não toleraria autoridade alguma superior à dele. Logo após também coroou sua esposa, a imperatriz Josefina.

Joana d’Arc também faz parte da história da catedral francesa. No século XVI ela foi usada como símbolo pela Liga Católica contra os protestantes e, em 1803, Joana foi oficialmente declarada como um símbolo nacional da França por decisão do imperador Napoleão Bonaparte. A condenada à morte na fogueira aos 19 anos, foi beatificada em Notre-Dame em 1909 e canonizada em 1920 pelo Vaticano, se tornando Santa.

Ao fim da tarde dia 15 de Abril de 2019, um incêndio se alastrou no telhado do edifício, causando danos consideráveis ao edifício. A agulha da catedral e o telhado colapsaram, e o interior e os artefactos que albergava foram gravemente danificados.

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Entre as estruturas icônicas de Notre-Dame, estão os sinos trovejantes que compõem o patrimônio histórico da catedral e entre eles, encontram se os denominados: Angelique-Françoise, Antoinette-Charlotte, Hyacinthe-Jeanne, Denise-David (na torre do norte) e o Bourdon Emmanuel (na torre do sul). Os sinos da torre norte, instalados desde 1856, badalam a cada 15 minutos ou em eventos históricos, como no fim da Primeira Guerra Mundial ou na libertação de Paris em 1944.

Da torre norte, após uma subida de 386 degraus, se pode vislumbrar a cidade de Paris, os pináculos e os gárgulas da catedral que povoaram o romance de Victor Hugo. Segundo Mgr Patrick Chauvet, reitor da catedral, a coroa de espinhos e a túnica de São Luís, dois dos artefactos mais valiosos albergados pela catedral, foram salvos das chamas. As doações para a reconstrução já chegam a mais de 2 bilhões de reais, segundo o UOL.

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