Manuel Secco Thomé: o autor de construções que marcam a história de Campo Grande

Por quantas construções você passa diariamente em Campo Grande e não faz nem ideia de quem é o autor? Das obras que já foram demolidas às que ainda estão em destaque pela cidade, muitas são de Manuel Secco Thomé, um português que se radicou na Capital Morena em 1912 e fez história por aqui. Ou melhor, fez muitos monumentos e até prédios.

Vamos começar por um que está bem na região central e talvez seja o mais conhecido: o Obelisco. Localizado no cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua José Antônio Pereira, o monumento é um projeto do Engenheiro Newton Cavalcante e foi construído pela empresa de Secco Thomé em 1933. E em 1975, foi tombado como Patrimônio Histórico de Campo Grande.

Atual Relógio é uma réplica do original, construído por Secco Thomé na década de 1930 | Foto: Marcos Ermínio

Outra obra de Secco Thomé é o famoso Relógio da 14 de Julho. Ele foi construído pela empresa do português na década de 1930 e instalado no cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua 14 de Julho. Na década de 1970, o monumento foi demolido e ganhou a réplica, em 1999, que atualmente ocupa o canteiro na avenida Calógeras com a Afonso Pena.

Foi ele também o autor da construção do coreto da Praça Cuiabá, localizada na avenida Duque de Caxias com a rua Dom Aquino.

Também pertenceu ao currículo do construtor o prédio da Empresa de Correios e Telégrafos, localizado no cruzamento da avenida Calógeras com a rua Dom Aquino, no Centro da Capital Morena. A construção é datada também na década de 1930.

Prédio da Empresa de Correios e Telégrafos | Foto: Marcos Ermínio

Embora não exista mais, o Canal da Maracajú, construído por Secco Thomé nos anos 1930, era bastante conhecido por quem viveu em Campo Grande naquela época. A obra fazia parte do projeto de drenagem e canalização da cidade.

Cinemas e hotéis

A construtora de Manuel Secco Thomé também assinou as obras de alguns cinemas famosos de Campo Grande, como o Rialto, cuja construção ainda existe na rua Antônio Maria Coelho, entre a Calógeras e a 14 de Julho, onde hoje é a sede da Seicho No Ie. Também tiveram os cinemas Alhambra, que ficava na avenida Afonso Penas, e o Santa Helena, de 1936, que era localizado na rua Dom Aquino, próximo às lojas Americanas. Estes dois já não existem mais.

Também entram para a lista alguns hotéis, entre eles os mais famosos são o Americano, localizado na rua 14 de Julho, e o Gaspar, que fica entre as avenidas Mato Grosso e Calógeras. Ambas as obras permanecem erguidas e foram construídas nos anos 1930.

Fachada do Hotel Americano, na rua 14 de Julho | Foto: Marcos Ermínio

O construtor

Mas afinal, quem foi o construtor Manuel Secco Thomé? Quem contou sobre ele foi uma das netas, a artista Miska Thomé, que preserva a história e memória do avô.

Manuel Maria Secco Thomé era um português que veio para o Brasil em 1912, aos 20 anos, junto do pai e um irmão. Em Campo Grande, ele ganhou destaque na construção civil, por volta dos anos 1930, por assinar diversas obras que fazem parte da história da cidade.

Junto com os irmãos e os filhos, Secco Thomé estava à frente de uma das maiores construtoras daquela época.

Manuel Secco Thomé faleceu em 28 de julho de 1962, no Rio de Janeiro, por complicações na saúde.