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Psicóloga sexual aponta situações que destroem lentamente relacionamentos

Estresse, intolerância e falta de diálogo são alguns dos motivos que somam em rompimentos

Karina Campos Publicado em 05/04/2021, às 10h35 - Atualizado às 10h50

Profissional aponta que existe uma necessidade de avaliar os pontos nocivos
Profissional aponta que existe uma necessidade de avaliar os pontos nocivos - (Foto: Ilustrativa, Arquivo Midiamax)

Durante a pandemia de Covid-19, casais ficaram mais juntos no isolamento, porém, a rotina compartilhada pode somar para desgastes nos relacionamentos, que vão de estresse, intolerância e falta de diálogo.

A psicóloga especialista em sexualidade humana, terapia cognitivo-comportamental pelo Centro Psicológico de Controle do Stress (CPCS) e pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade, Adriane Branco, conta que a maior parte dos casais estão mais instáveis do que os relacionamentos de antigamente.

 “Lógico que o sentimento não é o mesmo do início, até porque, se chegou ao ponto de terminar, a relação já está cheia de feridas não curadas, de mágoas e conflitos não resolvidos. E não é fácil decidir quando acabou. Muitas vezes, a correria da vida nos impede de enxergar o que está dando errado. Pior: às vezes temos a consciência do que não está funcionando, mas acabamos ‘empurrando com a barriga’”, disse.

A profissional aponta que existe uma necessidade de avaliar os pontos nocivos, juntos, para intervir antes do fim do relacionamento. Confira situações típicas que vão acontecendo silenciosamente entre o casal e podem terminar na separação:

Expectativa x realidade

Como todo começo, a paixão alta faz com que defeitos e comportamentos passem despercebidos ou até jogados de lado, porém, quando a paixão inicial vai passando, os opostos passam a ser discussão.

 “A paixão é uma fase em que idealizamos o outro. Perdemos o senso crítico em função do sentimento e enxergamos uma imagem que nem sempre corresponde à realidade. Quando a fase da paixão vai passando, essa distorção costuma desaparecer. A grande cilada é insistir em mudar o outro, ao invés de aceitar a pessoa que está ao seu lado. A dica é colocar na balança os defeitos e as qualidades. Se as qualidades se superarem e houver um sentimento genuíno, não pense duas vezes. Siga em frente neste relacionamento e sempre trabalhem em conjunto as atitudes que incomodam um ao outro”, explica.

Na defensiva

A especialista explica que o comportamento defensivo durante um desentendimento, o famoso ‘jogar na cara’, deixa conflitos mal resolvidos, ou seja, deixar a tona em todas as discussões.

“Em vez de se apoiarem, se tornam duas pessoas que passam a competir o tempo todo sobre quem tem mais razão. Desconfiam e se protegem um do outro, transformando amor em rivalidade. Antes que chegue a esse ponto, é essencial que todo e qualquer problema seja conversado entre o casal. De preferência, com um desfecho pacífico e bem resolvido. Vale lembrar que este exercício deve ser feito toda vez que houver um desentendimento. Assim, não haverá mágoas guardadas, uma bomba-relógio que, hora ou outra, acaba explodindo”.

Falha de comunicação

A falta de diálogo é um dos principais motivos de descarte no relacionamento. Uma comunicação cheia de ruídos é pior do que o silêncio. Mentir, guardar algo para si ou ofender o outro pressupõe uma relação fadada ao fracasso.

 “Para que a relação seja saudável, deve sempre haver lealdade, cumplicidade e uma parceria em que um possa contar com o outro em qualquer situação. Que ambos sejam transparentes e se sintam totalmente à vontade para falar o que quiserem, sem medo ou vergonha, porque sabe que o outro vai te ouvir sem julgar. Se o casal conseguir cultivar uma intimidade bem além da cama, o relacionamento cria laços estáveis e se fortalece cada vez mais ao longo do tempo”, finaliza.

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