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No Dia Mundial da Obesidade, nutricionista dá dicas de tratamento e prevenção em Campo Grande

No Dia Mundial da Obesidade, nutricionista de Campo Grande explica sobre a doença e dá dicas para tratamento e prevenção.

Nathália Rabelo Publicado em 04/03/2021, às 08h00 - Atualizado às 11h38

Obesidade é uma doença (Foto:ilustração/Reprodução/Agência Brasil)
Obesidade é uma doença (Foto:ilustração/Reprodução/Agência Brasil) - Obesidade é uma doença (Foto:ilustração/Reprodução/Agência Brasil)

Nesta quinta-feira (4), todos os holofotes estão voltados para o Dia Mundial da Obesidade, um problema de saúde pública que acomete pessoas do mundo inteiro. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) apontou aumento na prevalência da obesidade em adultos brasileiros em 2019. Além disso, Campo Grande já chegou a atingir o maior índice de sobrepeso entre as capitais brasileiras em 2018. Atualmente, ainda ocupa espaço nesse ranking. Frente a esse problema, o MidiaMais convidou uma nutricionista para dar dicas de tratamento e prevenção da obesidade.

Fernanda Molina é nutricionista há 15 anos. Formada pela Universidade Católica Dom Bosco, tem especialização em Nutrição Clínica e Estética, e em Nutrição Esportiva Funcional. Ao longo de todos esses anos, já atendeu inúmeros pacientes que tinham obesidade. Ela conhece de perto a realidade dessa doença e mostra como os números são alarmantes.

“Quase dois terços dos brasileiros são obesos. Isso representa 60% da população. Se não me engano, Campo Grande ocupa a 4ª posição, com 58% da população obesa”, explica a profissional.

Dessa forma, é de extrema necessidade abordar sobre o assunto para que, cada vez mais, as pessoas tenham consciência sobre ele. A obesidade é um fator de risco para várias outras doenças. Câncer, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares e cerebrovasculares, apneia do sono e diabetes são apenas alguns exemplos dessa extensa lista.

Quando é obesidade?

Uma pessoa é considerada obesa quando o IMC (índice de Massa Corporal) está acima de 30. É necessário comparar peso e altura para analisar a massa corporal gorda em relação a massa muscular. Então, uma porcentagem alta indica obesidade.

“A obesidade é uma doença multifatorial. Devemos, portanto, ter uma equipe multidisciplinar para olhar pelo paciente. Afinal, ninguém chega a essa condição porque quer e existe tratamento”, afirma a nutricionista.

Nutricionista Fernanda Molina fala sobre obesidade
Nutricionista Fernanda Molina fala sobre obesidade (Foto: Ed Ádan Ribeiro)

Fernanda ainda explica que não existem obesos saudáveis, uma vez que a complicação já é uma doença. “Existem os que ainda não desenvolveram problemas significativos de saúde, que possuem os exames bioquímicos dentro da normalidade. Mas ter ausência de doença, não quer necessariamente dizer que temos saúde”, comenta.

Outro número que também assusta é o da obesidade infantil. “Já se tornou uma epidemia entre crianças. Campo Grande estava entre as capitais com maior prevalência, e existem muitos projetos de apoio com relação a isso, tanto na rede privada quanto pública de saúde”, diz a profissional. Em vista disso, é necessário que pais e familiares reforcem hábitos saudável na alimentação desde cedo.

Já que as crianças não tem autonomia para escolher o que comer, familiares devem oferecer, frutas, legumes, pães, grão integrais e limitar o consumo de embutidos. É interessante, também, escolher um dia da semana para fazer uma refeição ao ar livre e trocar refrigerante por suco natural.

Tratamento e prevenção

Quando falamos em obesidade, o principal tratamento é a reeducação alimentar e prática regular de exercícios físicos. Por isso, Fernanda dá dicas para quem deseja mudar de vida e, ainda, prevenir o desenvolvimento do excesso de peso.

Para ela, é fundamental que o paciente adote um planejamento alimentar adequado e individualizado. Além do mais, ela reforça que essa ajuda deve ser acompanhada por profissionais especializados e reprova “receitas milagrosas” da Internet. O uso de medicamentos para emagrecer deve ser feito apenas com prescrição médica. Fora isso, não é recomendável.

Além do mais, o paciente deve adotar hábitos saudáveis em várias vertentes da sua vida. Praticar atividades físicas regularmente, alimentação correta, sono adequado e, se possível, acompanhamento psicológico. “ O paciente precisa de apoio, e mais do que isso, entender porque chegou nesse lugar”.

Obesidade na Pandemia

A nutricionista ainda explica que muitas pessoas adotaram péssimos hábitos no início da pandemia do Covid-19. Por estarem em lockdown dentro de casa, deixaram os exercícios e alimentação saudável de lado. No seu consultório, a mudança foi perceptível.

“Pacientes que ficaram em lockdown, lá no início da pandemia, pioraram muito os hábitos alimentares. Não praticaram exercícios físicos, mas ao mesmo tempo, muitos se voltaram ao lar. Com as descobertas do impacto de uma vida saudável no combate ao novo coronavírus, muitos outros, se abriram para um novo estilo de vida em que a alimentação saudável pode ser uma grande aliada”, explicou Fernanda.

Sendo assim, muitas pessoas optaram por se exercitarem em casa, praças e parques, enquanto outras voltaram para as academias seguindo as regras de biossegurança. A nutricionista ainda destaca que o importante é você praticar atividades em um ambiente que te faça sentir segurança e, com isso, melhorar a imunidade, tratar e prevenir a obesidade.

Obesidade está além do peso

A obesidade não é pautada apenas no número da balança, mas sim na qualidade de vida pessoal. Por isso, o processo de reeducação alimentar e adoção de hábitos saudáveis demanda tempo, mas proporciona resultado duradouros.

Fernanda Molina ainda comenta que o paciente interessado em perder peso deve focar na caminhada e não no resultado. E que, emagrecer, é apenas uma consequência de toda uma transformação de vida.

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