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Das lentes de Roberto Higa, documentário conta o impacto da pandemia de coronavírus em Campo Grande

Documentário produzido por Dalila Saldanha será lançado na terça-feira em ambiente virtual e retrata impactos da Covid-19 na nossa sociedade.

Humberto Marques Publicado em 14/03/2021, às 10h10 - Atualizado às 10h21

Enterros, uma rotina em tempos de pandemia - Foto Roberto Higa
Enterros, uma rotina em tempos de pandemia - Foto Roberto Higa - Enterros, uma rotina em tempos de pandemia - Foto Roberto Higa

O documentário “Retratos da Pandemia em Campo Grande, por Roberto Higa” será lançado nesta terça-feira (16) na internet, trazendo o olhar de um dos mais conceituados repórteres fotográficos de Mato Grosso do Sul. Durante um ano, Higa trabalhou na coleta de material que revela o impacto da pandemia de coronavírus na população campo-grandense.

O lançamento do documentário acontecerá na internet, por meio do site http://www.robertohigafotografo.com.br. O projeto contou com suporte da Lei Aldir Blanc e apoio do Ministério do Turismo e da Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. O trabalho é assinado pela Quiquiho Produções.

Documentário produzido por Dalila Saldanha será lançado na terça-feira em ambiente virtual e retrata impactos da Covid-19 na nossa sociedade
O fotógrafo e documentarista Roberto Higa, em março de 2021

Higa, conforme divulgado pela produtora, traz um “instigante e revelador” documentário sobre a presença do coronavírus na Capital sul-mato-grossense. A abordagem visual teve início logo depois de a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar estado de calamidade pública, oficializando que a Covid-19 se tornou uma pandemia –que, até a manhã deste domingo, havia matado mais de 2,6 milhões de pessoas em todo o mundo.

Roberto Higa percorreu diferentes locais de Campo Grande para “ver, sentir a registrar as reações do povo à chegada do coronavírus”. Foram dias e noite de caminhadas que, garante ele, trouxeram uma nova experiência em seus 53 anos de profissão, graças ao contato com angústias e tragédias.

Produtora destaca ‘apurada sensibilidade contemporânea’ de Higa

Dalila Saldanha, produtora do documentário, disse identificar uma “apurada sensibilidade contemporânea” no trabalho de Higa. Para ela, o fotógrafo “retratou a dor, flagrou a perplexidade, retratou a indiferença e registrou a pressão do medo e das dúvidas em diferentes rostos e expressões” de uma Campo Grande tomada de assalto pela Covid-19.

Roberto Higa, por sua vez, destacou que o susto, a perplexidade, o medo, a sensação de importância e até a improvável indiferença se espalharam nos rostos da pessoa desde o início de 2020, com a decretação da pandemia. As nuances da adaptação da sociedade às mudanças, algumas radicais, foram flagradas pelas lentes do profissional.

“O pranto do filho que não pôde velar o corpo da mãe e o desespero da mãe sem notícias do filho internado numa UTI foram tão marcantes quanto a alegre emoção de quem tomava a primeira dose da vacina. Ou da família fazendo a festiva recepção ao pai voltando para casa, após a alta hospitalar e comemorando a vitória sobre a Covid”, destacou nota da produção do documentário.

A peregrinação pela cidade registrou máscaras e luvas, ônibus, igrejas e ruas, ambientes vazios ou superlotados que, em meio à controvérsia, permitiram múltiplas histórias e crenças diferentes, que agora integram a galeria retratada por Higa, que fez um registro cru, sem interferências ou pedidos para enquadramentos ou “falsos flagrantes”.

“É um registro cru –e, portanto, íntegro– de sentimentos e reações comportamentais. São histórias dentro de histórias que se contam sozinhas logo que o obturador é disparado e faz nascer o milagre da fotografia”.

A expectativa é que o documentário de Dalina Saldanha se converta em um registro profissional da cidade em que vive em meio ao caos gerado pela Covid-19.

Jornal Midiamax