Vocalista da Blastfemme, Daniele Vallejo faz som furioso com mulheres avassaladoras

Esqueça a relação de feminilidade e sexo frágil, o som dessas minas vai explodir suas expectativas.

De Anastácio, MS, para os palcos undergrounds do Rio de Janeiro, São Paulo e adjacências. Daniele Vallejo bateu asas e voou para novos ares, trocou a água doce pela salgada e hoje vive na capital carioca, desde 2012, trabalhando e fazendo um som com pegada forte e voraz.

Cantora desde os tempos de escola, ainda criança, ela já participava do coral da escola de sua cidade natal. Aos 6 anos de idade, ela aprendeu teclado e canto com a professora Keila e, aos 14, já tocava violão e formava, segundo ela, uma “pseudo-dupla” com a amiga Cecília Frazão e se apresentavam em barzinhos de farra e afins. Aos 17 anos, mudou-se para Campo Grande, onde fez faculdade de Comunicação Social, formou-se no saudoso curso de Rádio e TV, na UCDB, e atuou como Editora de vídeos na TV Morena por um bom tempo.

A música não deixou de se fazer presente na vida da artista, que fez parte da banda Idis, formada apenas por mulheres, onde conquistou a vaga de vocalista após passar por um teste. Muitos shows rolaram em Campão e a popularidade da banda marcou época e ainda hoje é lembrada.

Em formação com mais 3 minas, ela faz parte da banda Blastfemme, concebida no Rio de janeiro, com um trabalho autoral com identidade forte e pegada nada sutil. O som que fazem foi batizado de “Discopunk”, baguncinha musical, que mistura Punk, Rock e Disco Music, elevados à máxima potência.

Vladya Mendes + Dani Vallejo + Iara Bertolaccini + Jhou Rocha = Blastfemme (foto: divulgação)


Em entrevista via Whatsapp, Vallejo nos mandou respostas super elaboradas, com revelações importantes sobre sua caminhada, que merece ser lida na íntegra. Faz assim ó, põe Blastfemme pra tocar e confira a entrevista, que está muito interessante. Voilà!

 

Sobre a transição MS-RJ, o que motivou a ida praí, já “carioquizou” nesses anos todos?

Em 2012 eu trabalhava na TV Morena fazia uns anos, já havia me formado e era muito elogiada na empresa, até que surgiu o setor de entretenimento. Na emissora, que só trabalhava com jornalismo e esporte até então. Fui escalada para ser editora do programa Meu MS que estrearia naquele ano, porém os pilotos do programa eram reprovados pela Globo, a gente estava aprendendo ainda como lidar com esse novo desafio. Mandaram um consultor daqui do Rio pra nos guiar na produção do novo programa, e eu ficava o tempo todo trabalhando com ele pra aprender a fazer direito o tal entretenimento.

Marcus Vinicius Cézar é o nome do culpado, trabalhamos juntos até aprovar o piloto, eu seguia ele do estúdio até a ilha de edição e em todos os processos do programa, eu precisava aprender e ele ficou interessado no meu trabalho e esforço técnico. Ele voltou pro Rio mas antes de vi perguntou se eu me interessaria em me mudar e trabalhar com ele no futuro. Eu disse que sim mas jamais pensei que aquele papo era sério… Uns 3 meses se passaram e ele me mandou um e-mail com um número de ramal dizendo: _ Entre em contato assim que puder. Eu liguei e era a proposta pra eu vir trabalhar na TV Brasil. Fiquei lá por quase três anos e hoje, depois de passar por outras empresas, voltei pra Globo aqui no Rio faz uns 4 anos. Trabalhei com o Marquinhos durante os dois primeiros anos de Rio depois eu voei e ele também, somos amigos até hoje.

Quando me mudei eu não fazia ideia do que era essa cidade, eu nunca tinha vindo nem visitar, vim pra conhecer um mês antes de começar a trabalhar, a cidade é linda mas é caótica também, os primeiros anos não foram fáceis, sentia mta falta da família e de certa forma eu não me entendia mto bem com o tal jeitinho carioca, achava de alguma forma agressivo o tratar das pessoas, ao mesmo tempo tudo era mto frágil, volátil, as pessoas, sei lá, mas fui me acostumando… Hoje já fazem oito anos que estou aqui, não sei se passarei o resto da vida aqui mas o Rio realmente me deu muita coisa boa e posso dizer que tenho uma família aqui, na música e no trabalho audiovisual.


Sua relação com a música, de onde vem?

Não sei ao certo, desde que me entendi por gente eu sabia que queria música, mesmo quando eu mal sabia cantar eu tinha certeza que aquilo era meu, que algo relacionado a música eu precisava fazer. Meu pai sempre cantava e colocava sons pra eu ouvir, Almir Sater, Raul Seixas, Tião Carreiro e Pardinho, Délio e Delinha, Helena Meireles… Até hoje eu acho que minha mãe tem uma voz linda pra cantar…

Dani Vallejo em apresentação na Paulista (foto: reprodução)


Sobre a Blastfemme, como surtiu a reunião de vocês?

Quando me mudei pro Rio, logo o Jean Albernaz, meu namorado, veio também. Ele é músico e a gente formou um duo chamado “A Batida que o seu Coração Pulou”, tocávamos pelas noites da Lapa e ensaiávamos no antigo Coletivo Machina, também na Lapa. Através dos shows e ensaios começamos a conhecer um pouco mais da galera da música aqui do Rio.

Eu já tinha visto a Jhou tocando com a Sex Noise em um evento que fizemos juntos. Lembro que me encantei com ela no baixo e assustei a bichinha também, quando vi ela fiquei doida (e eu realmente estava um tanto naquele dia, rs). Cheguei chegando nela, claro que ela não me deu muita moral, lembro que já cheguei falando, que eu precisava ter uma banda com ela, que ela era maravilhosa que isso e aquilo, nossa… Até hoje a gente ri disso…

A Vladya tinha acabado de chegar no Rio também, isso era por volta de 2015. Ela veio com a banda “Verónica Decidi Morrer”, a banda toda morou no Rio três meses e depois seguiu pra São Paulo, mas Vladya acabou ficando no Rio.  Já tinha visto ela tocar com a Verónica num show que também fizemos juntas, meu duo e a banda dela, nesse dia foi tudo ok, mas ela não deixa escapar a história que estávamos numa festinha no estúdio e eu tava louca pra ir embora e ela veio puxar assunto (porque eu estava com meu dog) e eu fico um tanto chata mesmo às vezes, kkkkkk, mas no fim deu tudo certo, ela sempre diz que eu só tratei ela bem quando percebi que ela era ‘ela’, ‘a baterista foda da Verónica’.

A base da Blastfemme é essa, Vladya, eu e Jhou. Um certo dia eu tomei coragem e um litro de conhaque e resolvi mandar um inbox no Facebook pra Vladya, chamando pra tomar uma cervejinha qualquer dia e trocar uma ideia sobre sons, eu tinha vontade de ter uma banda com mulheres e elas também, nesse dia da cerveja, só estava Vladya e eu mas Jhou já estava escalada pra trupe. Começamos a ensaiar nós três, eu toquei guitarra no começo, mas muito a contragosto, a gente precisava de uma guitarrista.

No estúdio que ensaiávamos, o coletivo Machina, Paulo Igor era técnico de som e participava dos ensaios ajudando a gente a montar e equalizar as coisas até que um dia convidamos ele pra participar do ensaio e aí a banda saiu do papel por assim dizer. Hoje o Igor já não faz mais parte da banda, está com seus projetos solo, entre outras bandas também.

Aí, nós encontramos nossa guitarrista, a Iara, que a gente conheceu em um festival em Aldeia Velha. Ela virou fã da banda e a gente dela. Iara sempre estava nos shows e veio de Minas Gerais, quando decidimos ser uma banda formada exclusivamente por mulheres ela já era nosso desejo e ainda bem que deu tudo certo e ela também tinha essa vontade de tocar com a gente.

Mas não posso falar da Blastfemme sem falar da Brisa, nossa produtora, está com a gente desde o primeiro ano da banda, conhecemos ela na gravação do programa Reverbera, da Tv Brasil, e desde que ela se apaixonou por nós nosso caminho ficou mais fácil e, posso dizer, que aprendemos realmente a trabalhar com música com a ajuda dela.


Me fala sobre o som de vocês? Qual é a pegada, conceito, quem cria as músicas?

Na banda todas compõem, a gente gosta de dizer que somos “Discopunk”. Um certo dia me disseram que não existia Discopunk, achei melhor ainda se não existisse seríamos precursoras, hahahahaha. Mas no geral cada uma tem suas referências e quando misturamos tudo, vira Blastfemme. Mas acredito que a maioria das músicas em essência vem do punk. No processo em si, tem música que eu chego e canto e elas arranjam ou alguma delas traz a música e fazemos juntas no estúdio, mas tem música que sai na hora mesmo, quando estamos tocando juntas.

Blastfemme primeira formação, com Paulo Igor (foto: divulgação)


Sobre suas performances, são fortes e avassaladoras, como trabalha seu corpo, já fez aulas de dança, interpretação?

Não. Aprendi tudo com o palco, a estrada ensina e o que é nosso em essência passa a transbordar. Mas quando preciso ganhar alguma resistência física vou pra academia, mas odeio ter que ir.


O que sente quando canta? Quais são os sentimentos?

É difícil dizer assim, cada música me traz um sentimento diferente, cada momento do show é sempre muito delicado. Gosto de estar sempre, totalmente ali, cada pedacinho de mim. Acho que a resposta se resume na entrega, o que eu sinto ali é a minha entrega total pra uma coisa que eu acredito mais que tudo e que tento fazer as pessoas acreditarem também. Cantar é a coisa que eu mais amo fazer na vida.


Tem previsão de passar por MS com a banda?

A gente tem esse sonho de fazer uma tour centro-oeste, ainda não sei se vamos conseguir esse ano… Existe uma pequena especulação de passarmos por aí em agosto, estamos na torcida pra que dê certo.

Agora que você conheceu a essência da Blastfemme e o som energético e contagiante da banda, siga nas redes sociais. As músicas e clipes estão nas plataformas musicais, é só clicar:

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