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Tradição em MS, tereré é declarado patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco

O tereré, bebida típica do Paraguai e incorporado a cultura sul-mato-grossense, foi declarado patrimônio imaterial da humanidade nesta quinta-feira (17) pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). A candidatura das “Práticas e Saberes Tradicionais Tereré na cultura Pohã Ñana” foi feita em março de 2019 pelo Paraguai e aceito durante […]

Danielle Errobidarte Publicado em 17/12/2020, às 15h16 - Atualizado em 18/12/2020, às 07h29

Na Capital, a erva para preparo do tereré tem "casa fixa" no Mercadão Municipal (Foto: Marcos Ermínio | Midiamax)
Na Capital, a erva para preparo do tereré tem "casa fixa" no Mercadão Municipal (Foto: Marcos Ermínio | Midiamax) - Na Capital, a erva para preparo do tereré tem "casa fixa" no Mercadão Municipal (Foto: Marcos Ermínio | Midiamax)

O tereré, bebida típica do Paraguai e incorporado a cultura sul-mato-grossense, foi declarado patrimônio imaterial da humanidade nesta quinta-feira (17) pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

A candidatura das “Práticas e Saberes Tradicionais Tereré na cultura Pohã Ñana” foi feita em março de 2019 pelo Paraguai e aceito durante videoconferência de votação dos membros do Comitê de Patrimônio da Unesco. É a primeira vez que o país consegue incluir um item na lista de patrimônios imateriais.

Em Campo Grande, apesar de vendido na maioria dos supermercados da cidade, a erva para preparo da bebida tem como “casa” o Mercadão Municipal, com suas tradicionais bancas de erva de tereré.

O cuscuz também foi incluído na lista, pela aprovação de pedido feito por Argélia, Mauritânia, Marrocos e Tunísia, nesta quarta-feira (16). O prato, feito à base de farinha ou polvilho, é bastante consumido no nordeste do país. No mesmo dia, o chamamé, que tem origem argentina e se popularizou no sul do Brasil, também foi eleito patrimônio imaterial da humanidade.

Tradição em MS, tereré é declarado patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco
Monumento em homenagem ao tereré, tradição do sul-mato-grossense, instalado na Orla do Aeroporto (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

História entre dois países

Por meio da Resolução nº 219/2019, a Secretaria Nacional da Cultura (SNC) do Paraguai, declarou o Patrimônio Cultural Imaterial Nacional dos Saberes e Práticas Tradicionais Tereré, na Cultura Pohã Ñana.

Em março de 2019, a Comissão de Salvaguarda do PCI, chefiada pelo SNC, reuniu-se sob a presidência do Ministro Rubén Capdevila e aprovou a promoção da candidatura perante a Unesco, dando início ao processo de imediato, com o apoio de todos os setores envolvidos.

O ministro da cultura do país vizinho comemorou a conquista em sua conta no Twitter. “Nos enche de orgulho obter pela primeira vez este reconhecimento mundial, para uma manifestação cultura nacional que ultrapassa gerações e continua vigente até os dias atuais”, escreveu.

Assim como no Brasil, no Paraguai, a prática de consumir tereré, que em circunstâncias normais se faz em grupos, representa um ato de confiança e promove a inclusão, a equidade social e a diversidade cultural, sem distinção de crenças religiosas, classes sociais, idade ou sexo.

A indicação inclui não só a cultura de consumo, mas também enfatiza as pessoas que estão envolvidas na produção, comercialização, consumo e transmissão dessa tradição, de geração em geração.

O texto da candidatura indicava também que o Estado paraguaio adotou uma abordagem participativa, com o objetivo de completar o processo de candidatura, realizando workshops e consultorias com diferentes setores, garantindo um processo inclusivo ao longo da preparação da candidatura e salvaguardando-a do elemento, incluindo a participação da comunidade no processo de candidatura em diversas formas, como entrevistas, que foram realizadas nos campos de trabalho, bem como uma investigação sobre o tereré, com foco em ser uma bebida tradicional no Paraguai.

Jornal Midiamax