Pega essa batida: Geld Mob traz beats diferentes ao som produzido em CG

Com pegada envolvente e batidas viciantes, grupo de Campo Grande surpreende por qualidade musical e repertório diferente de tudo que você já escutou.

Lá de um dos bairros mais populares de Campo Grande, o Aero Rancho, vem uma turma de amigos que tem a música como proposta de vida. Ainda muito jovens e apenas um ano de formação, eles estão dando os primeiros passos no mundo artístico e já entregam um trabalho maduro, bem produzido e conectado às tendências do mercado musical.

Com sonoridade urbana, que misturam beats de Rap, Trap, Hip Hop, com outros diversos estilos, a Geld Mob destaca-se na cena musical de Campão, com músicas originais e eletrizantes, produzidas totalmente por eles: desde as letras, as batidas, os arranjos, as ideias…

“Antes, a Geld Mob era a “Geld Records”, o estúdio do Gustavo (Guss). No final de 2018, a gente pensou em fazer um som e lançar apenas uma música, mais pra mostrar o trabalho dele e divulgar pra galera. No início, a primeira formação tinha mais dois integrantes, que acabaram saindo. O Rhege era da mesma sala do Guss, na escola, aí os outros caras vimos na internet e resolvemos chamar”, conta B-Kof.

A primeira música lançada pelos caras foi ‘Trap Filosofal’, lançada em um videoclipe publicado em 9 de janeiro de 2019, no YouTube, e já conta com mais de 11 mil visualizações. “Quando a gente lançou o clpe, sei lá, umas duas, três horas depois, já tinha mais de três mil views e todo mundo comentando, ‘nossa tá muito bom!’. A galera gostou muito e quando a gente viu o resultado, nos animamos e decidimos produzir mais uma. Fizemos a música ‘Benz’ e foi a mesma coisa, o pessoal abraçou e decidimos fazer issopra sempre”

CLIPES


O CREW

O coletivo é formado por 7 integrantes: Guss, B-KOF, Rhege, Mxth, Ale Rocha, Babi Knox e o DJ Magão (Falange da Rima). No começo do ano eles lançaram o álbum “Rare Kidz” em todas as plataformas musicais e no YouTube. A produção musical leva os beats de Guss e Mxth, no vocal todos mandam ver, destaque para a linda voz de Babi Knox, cantora portuguesa, que aparece para quebrar a hegemonia masculina nas ótimas faixas “RareKidz” e “Us”.

Um detalhe curioso é que os integrantes são muito novos e aparentam isso. A faixa etária dos caras vai de 19 a 21 anos, são literalmente “moleques raros” (em tradução livre do título do álbum), com talento de gente grande. Já podemos anotar esses nomes e acompanhar essa tragetória, pois com essa mão boa para produção de beats, eles vão longe!

Sobre o nome do crew: “Geld, em alemão significa ‘dinheiro’, mas carrega um significado mais profundo, tem relação com ‘valor’, como a gente vê a música, é o nosso ouro”, revela Guss. Já Mob, significa ‘multidão, máfia’.


MADE IN
AERO RANCHO

O maior bairro de Campo Grande e também o mais populoso, com pelo menos 45 mil habitantes, segundo dados do Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana, de 2015, o nosso querido Aero Rancho é o lugar onde a maioria dos integrantes mora e também, onde o coletivo nasceu.

O estúdio fica lá no bairro, mais precisamente no quarto do Guss, no apartamento onde vive com seus pais e uma irmã: os maiores entusiastas da Geld Mob. “Eles são os nossos maiores apoiadores, são fãs da gente. Antigamente quando era só hobby já era de boa, mas hoje que eles viram que estamos vindo com umas músicas ‘massa’, mostrando que estamos a fim de crescer com isso, então eles só falam ‘sigam firme’”, conta Gustavo.

Da esquerda pra direita: Guss, Mxth, Ale Rocha, Rhege e B-Kof (foto: Leandro Marques)


OS CARAS – O começo na música

Guss

“Quando eu era mais novo, queria ter uma banda, mas não conhecia ninguém que tocava. Aí, depois de anos, descobri que era possível fazer música pelo computador e falei ‘putz, vou ver qual que é’. Fiz minhas primeiras tentativas, mas não consegui, aí depois de seis meses voltei e falei “agora vai”. Aí aprendi o básico e comecei a produzir, aí chamei o B-Kof e o Rhege.

Fui produzindo sozinho em casa, aprendendo, fazendo uns negócios muito ruins. Na época, trabalhava com E Commerce e todo dinheiro que ganhava, juntava e investia em equipamento e fui arrumando meu estúdio. Se você for ver, tá um estudiozinho massa já. Investi um ano e agora já está com uma qualidade boa de som. Continuo estudando, investindo em conhecimento, porque não adianta nada você ter os equipamentos e não saber usar”.

B-Kof

“Eu sempre tive contato com artista, era Fotógrafo da Curimba e estava sempre com eles. Aí, conversando com o Gustavo (a gente era amigo de Skate) e vi que ele estava produzindo música. Ele mandava os beats dele pra eu ouvir e falava, ‘pode crer, tá uma b*sta’ (risos), aí eu mostrava para uns amigos que já eram do Rap e eles falavam, “da hora, tem futuro, mas vai indo”. O tempo foi passando e um dia eles falaram que iam fazer um Trap, que queriam fazer um clipe e eu iria produzir. Aí certo dia, tava lá, a gente conversando, e o Guss mandou uns beats e eu comecei a zoar com o autotune do celular e ele falou, ‘ficou massa, mano, por que você não grava com a gente?’, respondi, não, meu negócio é atrás da câmera… Mas quando cheguei lá, falei que não sabia compor, daí o Rhege escreveu pra mim a gente fez a primeira música: Trap Filosofal“.

Mxth

“Como eu sempre escutei muita música gringa e sempre curti muito ouvir o beat das músicas, aí comecei a procurar no YouTube como era que fazia aquilo, aí achei o FL Studio (programa de computador) e comecei a fazer beats. Isso em 2015. Aí o resultado ficou muito ruim, desisti, mas aí, dois anos depois, em 2017, comecei a estudar e vi que dava pra fazer uns negócios certos. Em 2018 comecei a vender os beats, sou um beatmaker, é o que gosto. (O beat é a melodia e a bateria por trás da música)”

Geld Mob (foto: Leandro Marques)


Ale Rocha

“Comecei  em 2017 e escutava muito esse tipo de som e pensei que não seria muito difícil fazer  também. Aí escrevi duas, três letras e comecei a trocar uma ideia com um rapaz que trabalhava com o Konai (rapper), aí fui fazer um trampo com ele, só que o resultado ficou horroroso. Até cancelei, exclui o som, tava muito ruim. Aí eu falei, ‘mano, isso aqui não é pra mim’. Depois, fiquei um ano trabalhando, juntei dinheiro, aí no meu aniversário, comprei os equipamentos: placa de áudio, microfone, cabo e tinha ‘tirado’ até um notebook pra mim. Fui testando, aprendendo, me juntei com os caras e tô aí, fazendo shows”.

Rhege

“Eu praticamente nasci no meio da cultura hip hop, rock. O meu nome Rhege (lê-se Rêge), vem de uma banda chamada Rage Against the Machine, é uma mistura de rock com rap (o vocalista canta com uma pegada de rap com instrumental de rock). Meu pai era Bboy, sempre escutou hip hop, rap, andava de skate, então sempre esteve envolvido. Cresci escutando, sempre foi normal pra mim. Aí, mais ou menos em 2016, trocando uma ideia com o Gustavo, ele chegou dizendo ‘ó, aprendi a mexer num software aqui de edição de música’. Ele mandou uns bagulhos que ele fez e falei ‘que massa, bora brincar’. Começamos a fazer umas músicas, umas meio ruins e a gente foi aprendendo como funciona, foi evoluindo, até que em 2018, a gente resolveu fazer algo maior, uma música com mais qualidade e chamar um pessoal, esse foi o primeiro envolvimento da Geld Mob. Desde muito novo eu já escrevo, sempre gostei de escrever poesia e minha mãe lia muito pra mim. Então, essa parte de composição é meio que natural pra mim.

Agora que já conhece a história da Geld Mob, põe os caras pra tocar! Siga eles nas redes e escute muito nas plataformas. Vai por mim, você vai pirar!

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