Quer cobrir o embuste? Tatuadora cobre nomes de ex abusivos de graça para mulheres em MS

Tatuadora quer ajudar mulheres a apagarem marcas ruins do passado

Muitas vezes quando iniciamos um relacionamento, acabamos passando por momentos de entusiasmo e euforia. Não muito difícil é encontrar alguém que, no ápice da paixão, tatuou o nome do companheiro no corpo. Com o rompimento, não sobram só as lembranças, mas uma marca que carrega todas as dores e alegrias do convívio a dois.

Quando a outra pessoa é abusiva, o problema fica ainda maior. Além da auto-confiança afetada, a mulher é obrigada a reviver todas as cenas de terror que sofreu durante o relacionamento.

Sororidade é a palavra que define o projeto de Letícia Maidana em março, mês que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Pensando em todas as consequências que a tatuagem em homenagem a um ex abusivo pode trazer para as vítimas, a profissional decidiu oferecer gratuitamente a cobertura para quem tem o nome do antigo companheiro marcado em alguma parte do corpo.

A tatuadora, de 25 anos, conta que a ideia nasceu quando ela ficou sabendo que um colega de profissão agrediu a ex-namorada. A garota tinha tatuagens feitas pelo antigo companheiro e, sem pensar duas vezes, Letícia ofereceu para fazer outros desenhos de graça em cima das tatoos.

“Além desse, sei de muitos casos que a pessoa acaba escrevendo o nome do abusador e depois precisa conviver com aquela marca. ”

A profissional acredita que todas as tatuagens podem ajudar na auto-estima e auto-aceitação da pessoa que procura esse tipo de arte. Mas, para quem escreveu na pele o nome de alguém que trouxe somente medo, a lembrança se torna mais dolorida.

Há casos em que a mulher tatuou o nome por vontade própria e depois se arrependeu, mas também existem as vítimas de abusadores que se marcaram como prova de amor, mesmo não querendo.

“Quando a mulher apaga o nome do ex, ela volta a se sentir dona do próprio corpo. Quem sofreu qualquer tipo de abuso em um relacionamento já carrega muitos traumas psicológicos e não precisa de mais nada que lembre aquilo que ela passou.”

Desde que divulgou a ideia pelo Instagram (@leticiamaidana.art), dezenas de pessoas já procuraram a profissional para contar suas histórias. Letícia garante que não tem número máximo de mulheres que serão atendidas e as tatuagens serão feitas de acordo com sua agenda.

“O mínimo que posso fazer por essas vítimas é tentar fazer cada uma olhar para si e se enxergar como alguém livre, forte e capaz. Não mais a sombra do que um dia algum homem quis que ela fosse.”